Economia
Milei viaja aos EUA e oferece tropas ao Conselho da Paz de Trump em meio a greve geral na Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán
REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente argentino, Javier Milei, viajou aos Estados Unidos para participar da primeira reunião do Conselho da Paz criado por Donald Trump, nesta quinta-feira (19), em meio à greve geral na Argentina.
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Alvo de protestos no próprio país devido à proposta de reforma trabalhista que tenta aprovar no Congresso, Milei foi um dos líderes que se reuniu com o presidente dos EUA em Washington e foi elogiado por ele em seu discurso.
De acordo com a agência de notícias AFP, Milei ofereceu tropas argentinas para irem à Faixa de Gaza, ajudar no processo de paz, caso necessário.
“Colocamos à disposição a colaboração de nossos capacetes brancos. Nossa trajetória em operações de paz é um capital comprovado que colocamos a serviço da força de estabilização. A paz duradoura não se constrói sobre consensos que cedem no fundamental. Constrói-se sobre a determinação de defendê-la. Acreditamos em uma diplomacia que assume riscos para alcançar a paz, acreditamos na liderança (…) como a do presidente Trump”, afirmou.
A Argentina já participou no passado de operações sob bandeira da ONU, como na guerra na ex-Iugoslávia nos anos 1990, e no Haiti.
Entenda o motivo da greve geral na Argentina
Greve geral na Argentina
A Câmara dos Deputados da Argentina começa a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso. O Senado já aprovou o texto na semana passada (veja os principais pontos).
A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), convocou a paralisação e, nesta quinta, um de seus líderes, Jorge Sola, comemorou o que classificou como um nível de participação “muito significativo”.
A greve tem “níveis de participação nunca antes vistos sob este governo. Haverá muitos que discordarão, mas o apoio é impressionante, muito significativo”, disse o líder sindical à Rádio con Vos.
As ruas da capital Buenos Aires amanheceram vazias por conta da greve. Veja abaixo.
Drone mostra o entorno da estação de trem Retiro, em Buenos Aires, vazia em 19 de fevereiro de 2026, dia de paralisação geral na Argentina em protesto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei
Agustin Marcarian/Reuters
Em resposta à paralisação, o governo Milei determinou que a imprensa siga “medidas de segurança”, o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de “risco” nos protestos esperados para os próximos dias.
“Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação. Diante de atos de violência, nossas forças agirão, disse o Ministério da Segurança da Argentina, em um comunicado.
Protesto na Argentina tem confronto entre policiais e manifestantes
Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos.
A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo.
Mulheres correm em meio a gás lacrimogêneo durante um protesto em frente ao Senado argentino, em 11 de fevereiro de 2026
REUTERS/Cristina Sille
Reforma trabalhista
O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara, mas já é considerado uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, ao revisar regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a reforma é ampla, reúne dezenas de artigos e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento na Argentina.
Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças de última hora, Milei retirou o artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais, como as do Mercado Pago.
O projeto flexibiliza contratos de trabalho, modifica regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade.
Na prática, os principais pontos da reforma preveem:
Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril);
Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos;
Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas;
Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras;
Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais;
Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias);
Licenças médicas e acidentes de trabalho, hoje cobertos pelo sistema de seguros Aseguradora de Riesgos del Trabajo (ART), que passam a ter limite de pagamento em casos de lesões ocorridas fora do ambiente de trabalho;
Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência.
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Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
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Economia
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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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