Economia
Cocô e xixi de porcos podem virar água potável (e até mesmo cerveja) com sistema de tratamento; entenda
Pesquisadores da Embrapa criam cerveja a partir de dejetos de suínos em Concórdia
Um sistema de tratamento de dejetos consegue transformar fezes e urina de porcos em água potável. Já foi feito até mesmo um experimento usando a bebida na produção de cerveja artesanal.
Mas calma, você não vai encontrar cerveja feita com isso no mercado. O objetivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolveu o sistema, é evitar que esses dejetos poluam os rios e diminuir o uso de novas águas na produção.
O Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates) já é adotada por alguns criadores de suínos. Nas fazendas, a água tratada não é destinada ao consumo humano. Ela é reaproveitada na faxina das instalações ou devolvida aos rios dentro dos padrões ambientais.
A ideia de tornar o líquido em potável foi uma forma de demonstrar o potencial do sistema. O resultado foi positivo.
No lote experimental de cerveja artesanal foram produzidos 40 litros. A bebida foi degustada em eventos científicos em 2024 e 2025.
Para o mestre cervejeiro Fernando Cavassin, que provou a bebida, não há diferença no sabor causada pela água.
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Alternativa em meio à crise hídrica
O mundo entrou em um estágio de “falência hídrica”, segundo o Instituto da Universidade das Nações Unidas (ONU) para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde. Isso significa que já foi ultrapassado o ponto das crises hídricas temporárias. Muitos sistemas não são mais capazes de retornar às suas condições naturais históricas.
Em paralelo, a agricultura é responsável por cerca de 70% da captação de água doce de todo o planeta, de acordo com o Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água da ONU.
Preocupados com esse cenário, os pesquisadores da Embrapa decidiram desenvolver o Sistrates.
“É uma lógica de nós diminuirmos a demanda por esses recursos hídricos de boa qualidade”, explica o pesquisador Airton Kunz.
Com o uso do sistema, é possível reduzir de 40% a 50% o uso de água nova na produção.
Além da água para reuso, o processo também gera fertilizantes e energia elétrica.
Em contrapartida, quando o tratamento não é feito e os dejetos chegam aos rios, ocorre poluição. Por exemplo, pode haver proliferação de algas e bactérias, deixando a água esverdeada.
O volume de excrementos varia de acordo com o porte do animal e o sistema de produção. Em granjas de engorda, cada suíno produz cerca de 7 litros por dia. Já nas de reprodução, o volume chega a 20 litros por fêmea.
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Como cocô e xixi de porco viram água para reuso
Arte g1
Após essas etapas, a água ainda tem coloração amarelada e não pode ser consumida.
Para se tornar potável, o líquido passa por um processo químico de clarificação.
A água também passa por uma remoção de patógenos, mesmo quando é apenas para reuso. Isso é importante para evitar que os animais fiquem doentes.
Para a instalação dos módulos somente até a etapa de reuso, o gasto pode representar de 8% a 10% do investimento na granja, afirma Kunz. Mas, segundo o pesquisador, os custos de manutenção são baixos.
Água da louça também é reaproveitada
Outra tecnologia que pode ajudar a economizar água é o uso da bioágua ou águas cinzas, que são aquelas geradas pela lavagem de louça e de roupa, por exemplo, para regar a plantação.
No projeto desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, o produtor precisa montar um sistema em casa que joga essa água em um filtro, que irá tratá-la e depois bombear a água novamente para a plantação.
Veja como é montado filtro para reuso das águas cinzas
Daniel Ivanaskas / G1
O tratamento desta água impede a contaminação do lençol freático, além de resultar em uma solução nutritiva para a planta.
Contudo, existe a limitação do quantos litros a família usa. Portanto, atende apenas uma área pequena de plantação.
Sistema de reuso das águas cinzas montado pela Embrapa Semiárido.
Divulgação / Roseli Freire De Melo
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Economia
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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