Política
Metade dos feminicídios no Brasil ocorre em cidades de até 100 mil habitantes, diz pesquisa
Mulheres protestam contra feminicídios, no centro de Brasília
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Metade dos feminicídios registrados no Brasil em 2024 aconteceu em cidades com até 100 mil habitantes. É o que revela a pesquisa “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgada nesta quarta-feira (4).
Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios, o equivalente a quatro assassinatos de mulheres por dia. Desse total, 746 casos foram registrados em municípios de pequeno porte, onde vivem 41% da população feminina brasileira.
Os dados desmontam a percepção de que a violência letal contra mulheres está concentrada nas grandes metrópoles. Ao contrário: ela avança com força justamente onde há menos estrutura de proteção.
Para Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, a concentração de feminicídios em cidades menores é explicada pela ausência de infraestrutura especializada, barreiras geográficas e pressões sociais típicas de comunidades menores.
Metade dos feminicídios no Brasil ocorre em cidades pequenas
Arte/g1
Quanto menor a cidade, maior a desproporção
A distorção fica ainda mais evidente nos municípios muito pequenos, de acordo com a pesquisa.
Cidades com até 20 mil habitantes — onde vivem 14,6% das brasileiras — concentraram 19,6% de todos os feminicídios do país em 2024. Já nos municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, que reúnem 15,2% das mulheres, ocorreram 19,7% dos assassinatos.
Os percentuais revelam um padrão: quanto menor for o município, maior o peso proporcional da violência letal contra mulheres.
Violência contra mulher: como pedir ajuda
O vazio institucional no interior
Segundo a diretora-executiva do FBSP, o cenário está diretamente ligado à ausência de políticas públicas estruturadas fora dos grandes centros. Municípios pequenos sofrem com a falta de infraestrutura estatal e de equipamentos especializados, como Delegacias de Defesa da Mulher e casas abrigo.
Embora o Brasil conte com a Lei Maria da Penha como marco legal no enfrentamento à violência de gênero, a legislação ainda não se transformou em garantia concreta de proteção para mulheres que vivem no interior, pondera Samira.
A pesquisa mostra que apenas 27,1% dos municípios de pequeno porte possuíam ao menos um serviço da rede especializada de atendimento. Em outras palavras, mais de 70% das cidades com menos de 100 mil habitantes não contam com nenhum equipamento específico para acolher mulheres em situação de violência.
O resultado é uma desigualdade territorial profunda na oferta de serviços e na institucionalização das políticas para as mulheres.
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Reprodução
Exposição social
Em municípios menores — muitas vezes marcados por maior conservadorismo e forte proximidade entre os moradores — denunciar pode significar perder o anonimato. O medo da exposição pública e do julgamento social funciona como barreira silenciosa à denúncia.
“Se uma mulher que mora numa cidade de 20 mil habitantes entra numa delegacia para fazer uma denúncia, todo mundo a vê entrando. A notícia circula rapidamente e isso gera um nível de exposição que, muitas vezes, ela não quer enfrentar. Nas cidades pequenas, os laços sociais são de outra natureza”, afirma Samira.
A proximidade social também pode comprometer a atuação institucional. Não é incomum que agressores sejam conhecidos de policiais ou guardas municipais, o que pode resultar na proteção informal do homem e na revitimização da mulher.
Sem delegacias especializadas e com equipes pouco preparadas para lidar com violência de gênero, o atendimento tende a ser mais precário, quando existe.
Como foi o caso da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, que chegou a reclamar do atendimento recebido na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), quando foi registrar o boletim de ocorrência contra o agressor em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2025. Ela foi assassinada pelo ex-noivo poucas horas depois.
“Eu to bem impactada com o atendimento da Casa da Mulher Brasileira. Eu que tenho toda instrução, escolaridade, fui tratada dessa maneira, imagine uma mulher vulnerável, sem ter uma rede de apoio nenhuma. Essas que são mortas, essas que vão para estatística do feminicídio”, disse.
A jornalista também comentou sobre o atendimento recebido pela delegada. “Fui falar com a delegada, fui tentar explicar toda a situação, ela me tratou bem prolixa, bem fria, seca. Toda hora me cortava”.
A jornalista Vanessa Ricarte, que foi morta pelo ex-noivo Caio Nascimento.
Reprodução/Redes Sociais
A “rota crítica” que leva à desistência
A soma desses fatores constrói o que especialistas chamam de “rota crítica”: o percurso que a mulher precisa enfrentar para buscar ajuda.
O caminho pode envolver deslocamentos longos até outra cidade, repetição de relatos traumáticos, atendimento desqualificado e demora na concessão de medidas protetivas. Muitas vezes, o processo é tão desgastante que acaba levando à desistência.
Essa rota é atravessada por fatores que impulsionam a denúncia, como a proteção dos filhos, a escalada da violência ou o apoio de familiares, mas também por elementos que a inibem, como dependência econômica, vergonha, isolamento social e respostas institucionais inadequadas.
O retrato da vítima
Uma mulher negra, entre 30 e 49 anos, trabalhadora, moradora da periferia ou do interior. Ela já enfrentou episódios de violência — discussões que escalaram, ameaças, promessas de mudança. Talvez tenha buscado ajuda. Talvez tenha silenciado por medo ou dependência. Esse é o perfil predominante das vítimas de feminicídio no Brasil.
Entre 2021 e 2024, foram registrados 5.729 casos. Do total, 62,6% das vítimas eram mulheres negras; 36,8%, brancas. Metade tinha entre 30 e 49 anos — faixa etária que concentra 28,3% dos casos entre 30 e 39 anos e 21,7% entre 40 e 49.
A maioria foi morta por alguém próximo: 59,4% pelos companheiros e 21,3% por ex-companheiros. Em 97,3% dos casos, os autores eram homens. As mortes ocorreram, principalmente, com arma branca (48,7%) e arma de fogo (25,2%).
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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