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Expansão, dívida alta e resultados em queda: entenda a crise da Raízen

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Raízen e Grupo Pão de Açúcar pedem recuperação extrajudicial
A Raízen informou nesta quarta-feira (11) que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias (obrigações sem garantia real).
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Segundo a empresa, credores que representam mais de 47% desse valor já aderiram ao plano de renegociação. Na avaliação da companhia, esse apoio inicial indica que há disposição de parte dos credores para discutir novas condições de pagamento.
Após anunciar o pedido, a Raízen afirmou que suas operações seguem normalmente.
A medida ocorre após um período de pressão sobre as contas da companhia, marcado pelo aumento do endividamento e por desafios operacionais.
🔎 A recuperação extrajudicial é um acordo no qual a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça. O objetivo é obter mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como o risco de falência.
Nos últimos anos, a Raízen ampliou investimentos em projetos ligados à transição energética, mas parte dessas iniciativas demorou mais do que o esperado para gerar retorno.
A seguir, o g1 explica os fatores que levaram a companhia a pedir recuperação extrajudicial.
Origem e atuação da companhia
Expansão e aposta em novos projetos
Diversificação de negócios
Piora nos resultados da empresa
Tentativa de reorganização
O que diz a empresa
Origem e atuação da companhia
A Raízen foi criada em 2011 a partir de uma parceria entre o grupo Cosan e a Shell.
O acordo reuniu as operações de produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil e foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2012.
Na época, a nova empresa foi avaliada em cerca de US$ 12 bilhões, com participação dividida igualmente entre as duas sócias.
O nome Raízen surgiu da junção das palavras “raiz” e “energia”, em referência à origem da companhia no setor sucroenergético e à sua atuação no mercado de energia.
Desde então, a empresa se tornou uma das principais companhias do setor no país e a maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar.
Hoje, a Raízen atua em várias etapas da cadeia de energia.
A companhia produz açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás e também é responsável pela distribuição de combustíveis da marca Shell no Brasil, na Argentina e no Paraguai.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, a companhia tem mais de 46 mil funcionários e cerca de 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.
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Expansão e aposta em novos projetos
A partir de 2016, a Raízen passou a ampliar investimentos em projetos de longo prazo, muitos deles financiados com dívida.
Um dos principais focos foi a expansão da produção de etanol de segunda geração (E2G), tecnologia que utiliza resíduos da cana, como bagaço e palha, para produzir biocombustível.
A aposta estava ligada à expectativa de crescimento da demanda por combustíveis com menor impacto ambiental, em meio ao avanço das discussões globais sobre transição energética.
Nesse período, a companhia também investiu em outras frentes de energia, como projetos de geração solar e produção de biogás.
Ao mesmo tempo, o setor passou a registrar o avanço do etanol de milho, que ganhou espaço com custos competitivos e uma estrutura de produção considerada mais simples.
A expansão internacional também ganhou força a partir de 2018, quando a empresa adquiriu ativos de refino e distribuição da Shell na Argentina e passou a atuar também no Paraguai.
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Usina Santa Elisa, da Raízen, em Sertãozinho (SP)
Aurélio Sal/EPTV
Diversificação de negócios
Além da produção de energia e biocombustíveis, a Raízen também ampliou sua atuação na distribuição e comercialização de combustíveis.
A empresa fornece combustíveis para postos da rede Shell, aeroportos e clientes corporativos, como empresas de transporte, agronegócio, mineração e indústria.
A operação inclui 68 bases de abastecimento em aeroportos e mais de 70 terminais de distribuição espalhados pelo país.
A companhia também atua no abastecimento de companhias aéreas e da aviação executiva e oferece soluções para empresas, como sistemas de gestão e controle de abastecimento de frotas.
No varejo, administra as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café instaladas em postos de combustíveis.
A empresa também investiu em iniciativas de digitalização e mobilidade, como o Shell Box, aplicativo que permite pagar o abastecimento pelo celular e participar de programas de fidelidade.
Movimentos na holding Cosan também influenciaram o cenário do grupo. Entre eles está um investimento bilionário em ações da mineradora Vale, que perdeu valor em meio às oscilações do mercado de commodities.
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Piora nos resultados da empresa
No ano fiscal de 2021/2022, a Raízen registrou lucro líquido de R$ 3 bilhões. Na época, a dívida líquida era de R$ 13,8 bilhões — um nível considerado administrável em relação à capacidade da empresa de gerar caixa.
Nos anos seguintes, esse cenário mudou.
Até o terceiro trimestre do ano fiscal de 2025/2026, a empresa acumulou prejuízo de R$ 15,6 bilhões. Parte desse resultado foi influenciada por um ajuste contábil de R$ 11 bilhões.
Ao mesmo tempo, a dívida líquida da companhia cresceu e chegou a R$ 55,3 bilhões.
Com isso, o peso das dívidas em relação à capacidade de geração de caixa da empresa aumentou de forma significativa.
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Tentativa de reorganização
Em teleconferência recente, executivos da empresa afirmaram que a estratégia atual envolve retomar o foco nas atividades consideradas centrais do negócio, como a produção de açúcar e etanol e a distribuição de combustíveis e lubrificantes.
Nos últimos anos, a companhia também iniciou a venda de alguns ativos e a saída de operações consideradas menos ligadas ao núcleo do negócio.
As tentativas de reforçar o capital da empresa, no entanto, enfrentaram divergências entre os sócios.
Com o aumento das pressões financeiras e a cobrança de credores, a empresa passou a buscar uma solução mais ampla para reorganizar sua estrutura de capital — processo que culminou no pedido de recuperação extrajudicial.
A partir de agora, a empresa terá até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para que o plano seja homologado pela Justiça e passe a valer para todos os credores incluídos na negociação.
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O que diz a empresa
A Raízen afirma que a renegociação envolve apenas parte das dívidas financeiras e não afeta as operações da companhia. Leia a nota na íntegra:
“A Raízen informa que protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial, voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores da companhia.
A proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras, no âmbito da estratégia da companhia de otimização de sua estrutura de capital.
A empresa ressalta que o escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Dessa forma, permanecem integralmente preservadas as relações da Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, que seguem regidas normalmente pelos respectivos contratos.
Todas as operações da companhia continuam sendo conduzidas normalmente, incluindo o atendimento a clientes, a relação com fornecedores e a execução de seus planos de negócios.
O plano apresentado prevê prazo de até 90 dias para a obtenção das adesões necessárias à sua homologação, nos termos da legislação aplicável.
A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema.”
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Divulgação/Raízen

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
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