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Economia

Produtores rurais relatam preços abusivos e dificuldade de encontrar diesel em plena colheita no RS e PR

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Imagem de uma colheita de arroz em abril de 2024.
Celso Tavares / g1
Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam dificuldade para comprar diesel para abastecer máquinas agrícolas e denunciam aumentos “abusivos” no preço do combustível em pleno período de colheita de arroz e de soja.
“Até o início da semana passada, ninguém se preocupava com a entrega de diesel. Já nessa semana, eu fui fazer um pedido e fui colocado em uma lista de espera. Estava pagando R$ 5 o litro, e já subiu para R$ 7”, conta o produtor de arroz Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS).
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“No Paraná, temos recebido relatos de falta de diesel desde terça. Um produtor de Rio Azul, por exemplo, nos informou que a distribuidora que atende na região não possui o combustível”, afirma Luiz Eliezer Ferreira, técnico do departamento econômico do Sistema FAEP.
“Outros relatos semelhantes estão chegando de Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati”, acrescenta.
Já em Erechim, norte do RS, cerca de 20% dos produtores enfrentam dificuldades para encontrar óleo diesel, conta o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan André Tormen. “Todos relatam alta de preço que varia 20% a 55%”, acrescenta.
Barril do petróleo a US$ 100
As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional. A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que não há registro de falta de combustível no país.
No domingo (8), a agência publicou uma nota informando que entrou em contato com os principais fornecedores e que apurou que o RS conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento de diesel.
“As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos”, disse a agência.
Diante da falta de uma explicação clara para o que está acontecendo, produtores e associações desconfiam de um movimento especulativo e de um possível freio nas importações diante da disparada dos preços.
O g1 procurou o Sindicato Nacional das Empresas de Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), mas a entidade disse que não irá se manifestar sobre o assunto.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) não respondeu até a publicação dessa reportagem, mas, em seu site, soltou uma nota conjunta defendendo a importação de biodiesel de até 20% da demanda nacional para frear a escalada de preços. (veja abaixo)
A seguir, entenda o que os produtores têm relatado.
Como é feito o abastecimento no campo
A maioria dos produtores rurais não possui estrutura para armazenar grandes volumes de combustível e, por isso, depende de entregas contínuas de diesel, diz Rechsteiner. Esse abastecimento é feito por empresas conhecidas como Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs).
“Elas atuam como revendedoras: compram o combustível das grandes distribuidoras para entregá-lo diretamente nas propriedades rurais”, explica o diretor do SindTRR, no RS, Carlos Schneider.
O diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte de alimentos.
Ele explica que o que tem acontecido no estado é que as TRRs não estão recebendo combustível das distribuidoras.
“A maioria das TRRs não possui contratos fixos com as grandes distribuidoras. Elas operam como clientes ‘spot’ (bandeira branca), o que as coloca no final da fila de prioridades das distribuidoras”, diz Schneider.
Segundo ele, o recado que as empresas têm recebido das distribuidoras é de que há indisponibilidade do produto para as TRRs.
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Movimento especulativo?
Antônio Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), afirma que tanto a falta de diesel nas TRRs, como a disparada de preços, “parecem” se tratar mais de “um movimento especulativo”.
“O diesel que está saindo das distribuidoras foi comprado com petróleo abaixo de US$ 60”, diz.
“O sujeito vê que o preço vai subir e segura o produto que ele tem estocado para vender 50% mais caro. Isso é algo extremamente danoso”, ressalta.
Schneider, do SindTRR, explica que a produção nacional não supre toda a demanda, sendo necessário importar entre 25% e 30% do óleo diesel consumido no Brasil.
“As distribuidoras podem estar ‘abrindo mão’ de suas cotas de importação para não amargar prejuízos, o que gera o buraco no suprimento”, afirma. “Eles não estão sendo transparentes com o mercado, não estão dizendo o que realmente está acontecendo.”
Já o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan Tormen, diz que as próprias “TRRs podem estar tentando se antecipar aos aumentos da Petrobras para não ter prejuízo na reposição do estoque”.
Diante desse cenário, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação sobre os preços abusivos dos combustíveis, após um pedido da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) na última terça-feira (10).
Biodiesel para evitar escalada
Associações rurais e distribuidoras têm pedido ao governo medidas para aumento da oferta de biodiesel no mercado doméstico como forma de frear a escalada de preços.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME), na sexta (6), o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 17%.
“O avanço da mistura de biodiesel representa uma medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, explica no ofício o presidente da CNA, João Martins.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e a Fecombustíveis defenderam, em nota, a liberação da importação de biodiesel até o limite de 20% da demanda nacional.
Outras entidades assinaram a nota, como a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), SindTRR e Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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