Economia
Material comum em cozinhas vira alvo de batalha judicial após casos de doença pulmonar em trabalhadores
O quartzo tem sido associado a casos de silicose
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Um material comum em milhões de cozinhas está no centro de um debate cada vez mais intenso nos Estados Unidos. O quartzo utilizado em bancadas — alternativa ao mármore e ao granito — tem sido associado a casos de silicose, doença pulmonar grave provocada pela inalação de poeira mineral.
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De acordo com o jornal “The New York Times”, o aumento de diagnósticos entre trabalhadores que cortam e moldam essas placas abriu uma disputa entre empresas, profissionais do setor, médicos e advogados. O tema chegou ao Congresso americano.
Um projeto em análise poderia colocar o quartzo na mesma categoria jurídica de produtos como vacinas e armas de fogo, que contam com proteção federal contra determinados processos por danos.
Trabalhadores e especialistas em saúde ocupacional afirmam que a poeira liberada durante o corte do material pode ser extremamente perigosa — e que os mais expostos são justamente os profissionais responsáveis por transformar as placas em bancadas de cozinha.
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O trabalho que transforma pedra em bancada
Antes de chegarem às residências, as placas de quartzo passam por um processo de produção que inclui corte, lixamento e acabamento.
Segundo o jornal, grandes chapas de pedra artificial são enviadas a oficinas especializadas, onde trabalhadores usam serras e lixadeiras para moldar o material e criar aberturas para pias, torneiras e cantos das bancadas.
Durante o processo, o corte libera uma poeira fina que contém sílica, mineral presente no quartzo.
Segundo o jornal, essas partículas microscópicas podem se alojar nos pulmões quando inaladas. O organismo passa a tratá-las como corpos estranhos e desencadeia uma resposta inflamatória. Com o tempo, o tecido pulmonar desenvolve cicatrizes que reduzem a capacidade respiratória.
Esse processo resulta em silicose, doença progressiva e sem cura.
Casos entre trabalhadores
Jeff Rose, de 55 anos, trabalhou por anos esculpindo bancadas de quartzo em Georgetown, no estado de Kentucky. Era um trabalho de que gostava, que exigia habilidade manual e criatividade. Hoje, o ex-cortador convive com a silicose.
“Adoro ser criativo com as minhas mãos. Não consigo mais fazer isso”, disse Rose em entrevista ao The New York Times.
O filho dele, Skyler, de 30 anos, seguiu o mesmo caminho profissional e também trabalhou cortando placas de quartzo. Assim como o pai, acabou diagnosticado com a doença, segundo a reportagem.
Os dois fazem parte de centenas de trabalhadores da indústria de pedra que desenvolveram silicose nos Estados Unidos, segundo levantamento citado pelo jornal.
Outro caso mencionado pelo jornal é o de Wade Hanicker, de 39 anos, que começou a cortar bancadas na Flórida há cerca de 15 anos.
Ele relatou ao jornal que muitas oficinas eram pequenos negócios familiares e que os ambientes frequentemente ficavam tomados pela poeira.
“Muitas vezes cortávamos a seco”, afirmou Hanicker, referindo-se ao processo sem uso de água para conter o pó.
Hoje ele também convive com a silicose. A doença trouxe outras complicações e reduziu sua capacidade física.
A pneumologista Jane C. Fazio começou a identificar um padrão entre pacientes atendidos no pronto-socorro do Olive View-UCLA Medical Center.
Segundo ela contou ao The New York Times, vários pacientes tinham o mesmo histórico profissional: trabalhar com bancadas de pedra.
“Todos deram a mesma resposta”, disse Fazio em entrevista ao jornal. “Eles trabalham com bancadas.”
Dados do departamento de saúde pública da Califórnia, citados pelo The New York Times, apontam 512 casos de silicose ligados à pedra artificial e 29 mortes desde 2019.
Disputa judicial e política
Com o avanço dos diagnósticos, também cresceram os processos judiciais contra fabricantes e distribuidores de pedra artificial.
Segundo o The New York Times, um júri em Los Angeles determinou, em 2024, o pagamento de US$ 52,4 milhões a um ex-trabalhador que processou empresas do setor.
A indústria afirma que o material é seguro quando manipulado corretamente.
Rebecca Shult, diretora jurídica da fabricante Cambria, afirmou em depoimento ao Congresso — citado pelo The New York Times — que o problema estaria nas condições de trabalho de algumas oficinas.
“O problema está no processo, não no produto”, disse ela durante audiência legislativa, segundo o jornal.
Empresas do setor defendem uma legislação que restrinja processos contra fabricantes de quartzo.
O projeto em discussão no Congresso atribui às oficinas que cortam as placas e aos órgãos reguladores do trabalho a responsabilidade pela segurança.
Segundo médicos ouvidos pelo jornal, esse número pode crescer, já que a doença leva anos para se manifestar após a exposição.
Especialistas em saúde ocupacional consultados pelo The New York Times afirmam que as normas atuais podem não ser suficientes para proteger os trabalhadores.
O epidemiologista David Michaels, que chefiou a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA entre 2009 e 2017, afirmou ao Congresso que os padrões de exposição à sílica podem estar desatualizados.
Segundo ele, a indústria deveria considerar alternativas mais seguras, como materiais feitos com vidro reciclado. Enquanto o debate avança em Washington, trabalhadores continuam enfrentando os efeitos da doença.
Jeff Rose disse ao The New York Times que se sente dividido: quer que a indústria aumente a segurança, mas teme que a onda de processos prejudique as empresas do setor.
“O que eu almejo é ser um líder neste setor e fazer as coisas da maneira correta”, afirmou ao jornal.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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