Política
STF recebe inquérito que apura suposta perseguição de Tanure, investigado no caso Master, a investidor
A 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 17, um inquérito da Polícia Federal que apura o relato de um gestor de fundos de investimento que acusa o empresário Nelson Tanure, investigado no caso do Banco Master, de praticar ameaças e perseguição.
Tanure se notabilizou por reestruturar grandes empresas em crise nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia.
Ele foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, suspeito de envolvimento nas fraudes do Master e de ser sócio oculto do banco.
O gestor de fundos de investimento que acusa Nelson Tanure de coação e perseguição é Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Timerman prestou depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado, no dia 18 deste mês e repetiu a acusação que vem fazendo desde 2023 — de que Tanure é dono oculto do Master.
O gestor da Esh diz que, por meio de sua atuação no mercado, reuniu evidências contra Tanure muito antes de o empresário entrar na mira das autoridades.
Nelson Tanure nega que seja “sócio, controlador ou beneficiário” do Master e sustenta que Timerman não tem credibilidade (leia os posicionamentos aqui).
O envio do inquérito da Justiça Federal em São Paulo para o STF é mais um capítulo de uma longa disputa que Timerman e Tanure travam na Justiça, com acusações mútuas.
A novidade é que agora o relator do caso Master, o ministro André Mendonça, deve decidir se esse inquérito sobre supostas ameaças vai se juntar aos demais que já tramitam no STF com a finalidade de apurar o esquema criminoso montado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e por seus aliados.
O argumento de Timerman para que o inquérito subisse para o Supremo foi o de que ele sofreu ameaças semelhantes às que a “Turma” de Vorcaro fazia com outras pessoas que atrapalhavam os interesses do grupo, conforme apontaram as investigações recentes da Polícia Federal.
Segundo a PF, a “Turma” era um grupo de WhatsApp no qual Vorcaro e pessoas próximas — incluindo Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que se suicidou após ser preso — falavam sobre intimidações a adversários.
Esse grupo também hackeava sistemas oficiais de órgãos de Estado e atacava a reputação de pessoas que contrariassem Vorcaro, para silenciá-las.
Suposta conexão com inquéritos do STF
STF bloqueia patrimônio de Nelson Tanure
O inquérito sobre as supostas ameaças foi aberto pela PF em São Paulo em 2024, após Timerman afirmar ao Ministério Público Federal que passou a ser alvo de assédio judicial e monitoramento em tempo real, por parte de Tanure e pessoas próximas, por ter feito denúncias públicas contra o empresário.
Na época, Timerman acusava Tanure de praticar “insider trading” com ações da empresa Alliar, utilizando informações que não eram públicas para lesar acionistas minoritários.
O Banco Master já era citado por Timerman como um participante da engenharia financeira usada por Tanure para assumir o controle da Alliar.
O gestor do Esh também acusava Tanure de irregularidades em relação à construtora Gafisa.
Em resposta, Tanure e outras pessoas moveram uma série processos contra Timerman, acusando-o de difamação e outros delitos.
O inquérito aberto pela PF para investigar o relato de Timerman ficou parado desde 2024. No último dia 16, ele fez uma petição de próprio punho pedindo que o caso subisse para o STF.
Timerman alegou que cabe ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar se há relação entre os fatos que ele descreveu — ações de monitoramento, ameaças físicas e intimidação, assédio processual e silenciamento — e o modus operandi da “Turma” de Vorcaro. O juiz Caio Greggio, da 4ª Vara Federeal, atendeu ao pedido no dia 17.
Se o ministro André Mendonça mantiver esse inquérito na Corte, ele vai se juntar aos outros que já investigam o grupo de Vorcaro por operações fraudulentas entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB); pelo uso de fundos de investimento para manipulação de mercado e lavagem de capitais; e pela contratação de influenciadores digitais para atacar autoridades do Banco Central.
Depoimento à CPI
Vladimir Timerman, da Esh Capital, em depoimento à CPI do Crime Organizado
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Em seu depoimento à CPI do Crime Organizado, em 18 de março, Vladimir Timerman disse aos senadores que Tanure é o “poder oculto por trás do Banco Master e o verdadeiro beneficiário final do esquema”.
Segundo ele, em 2019, quando Tanure assumiu a Gafisa e Vorcaro entrou no Banco Master, o “primeiro ato” de Tanure foi “desviar recursos para permitir que Daniel Vorcaro […] ressarcisse prejudicados em esquemas anteriores” que envolviam fundos de pensão. Para Timerman, o banco funcionava como um esquema de pirâmide financeira.
A respeito de Vorcaro, Timerman disse que ele atua como “garoto de recados” e “pau-mandado” de Tanure.
Vorcaro já processou o gestor de fundos anteriormente por causa de acusações parecidas — num caso em que acabou sendo derrotado na Justiça.
Como noticiou “O Globo” em janeiro, o único processo judicial conhecido em que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, representou Vorcaro e o Master foi uma queixa-crime na qual o banqueiro acusava Timerman de calúnia e difamação. Essa ação foi arquivada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
A esposa de Moraes tinha um contrato milionário com o Master. De acordo com ela, a atuação principal de seu escritório não era judicial, mas era voltada à elaboração e à revisão de normas do banco relacionadas a compliance e controles internos.
O que dizem as defesas
A assessoria de Tanure afirmou em nota, após as falas de Timerman à CPI, que o gestor fez ilações em seu depoimento e não tem credibilidade porque “ostenta diversas condenações no Poder Judiciário”.
“O empresário e investidor Nelson Tanure tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista”, disse a nota.
Segundo o texto, Tanure “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor”.
Procurada, a defesa de Timerman confirmou, em nota, que “existe uma investigação em andamento para apurar os atos que ele afirma ter sofrido em decorrência de ter noticiado ilicitudes às autoridades competentes”.
“A defesa respeitará o sigilo dos autos e não se manifestará sobre a condução da investigação. No entanto, é fato público que o Sr. Vladimir não respondia a nenhum processo criminal e não possuía qualquer condenação antes de noticiar as ilicitudes que acredita terem ocorrido na Alliar, na Gafisa e, posteriormente, no Banco Master”, afirmou o advogado Cássio Chechi de Assis.
O empresário Nelson Tanure
Alerj/Divulgação
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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