Economia
Guerra leva FMI a reduzir projeção de crescimento global; Brasil deve ter alta de 1,9%
Jornal Nacional/ Reprodução
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia global neste ano para 3,1%, refletindo os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta global de energia, segundo o relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado pelo Fundo nesta terça-feira (14).
O número representa uma queda de 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação à previsão anterior, feita em janeiro, e indica o que deve ocorrer caso a guerra tenha curta duração, considerando eventuais interrupções no fornecimento de energia.
Segundo o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, no entanto, o mundo já parece se aproximar de um cenário mais “adverso”, o que levaria a um crescimento ainda menor da economia global em 2026, de 2,5%.
“A cada dia que passa e a cada nova interrupção no fornecimento de energia, estamos nos aproximando do cenário adverso”, afirmou o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas.
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Nesse cenário, a projeção considera um conflito prolongado e preços do petróleo em torno de US$ 100 o barril.
As preocupações com o mercado internacional de petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, estão no centro das projeções divulgadas pelo FMI. Isso porque, segundo o Fundo, o avanço nos preços da commodity tende a provocar nova alta da inflação global, pressionando as taxas de juros e aumentando a possibilidade de uma recessão global.
Segundo o relatório do FMI, o conflito também eleva os riscos à estabilidade financeira global por meio de pressões inflacionárias.
Segundo o Fundo, o aumento dos preços pode provocar um aperto nos mercados de financiamento ao redor do mundo, potencialmente prejudicando instituições não bancárias e o crédito privado.
“Quanto mais tempo o conflito durar, maior será o risco de que as condições financeiras globais — que eram muito favoráveis antes da guerra — se tornem ainda mais restritivas e abruptas”, alertou.
Gourinchas destacou ainda que caso os preços do petróleo se mantenham em níveis elevados, acima de US$ 110 o barril, isso aumentaria a expectativa de uma inflação mais persistente — o que, por sua vez, poderia gerar aumentos de preços mais amplos e pressões por reajustes salariais.
“Essa mudança nas expectativas de inflação exigirá que os bancos centrais pisem no freio e tentem reduzir a inflação novamente”, disse.
O FMI afirmou, no entanto, que os bancos centrais podem ser capazes de “ignorar” uma alta passageira nos preços da energia e manter as taxas de juros estáveis em meio a uma atividade mais fraca.
A inflação global para 2026 ultrapassaria os 6% no cenário mais severo, em comparação com 4,4% no cenário de referência mais otimista, que é a premissa das projeções de crescimento do FMI para países e regiões.
Brasil deve crescer 1,9%
Na contramão das projeções para o mundo, o Fundo elevou a perspectiva de crescimento para o Brasil no período, citando um pequeno impacto positivo da guerra no Oriente Médio já que o Brasil é exportador de petróleo. A estimativa é que a economia do país tenha uma alta de 1,9%.
No documento, o FMI passou a ver uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,9% em 2026, um avanço de 0,3 p.p. em relação à projeção feita em janeiro, mas o mesmo ritmo estimado pelo Fundo em outubro do ano passado.
Ainda assim, o desempenho fica abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.
“A guerra deve ter um pequeno efeito positivo em 2026, já que o país é exportador de energia, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual”, apontou o FMI.
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A perspectiva do FMI para a economia brasileira é melhor do que a do Banco Central, de 1,6% e fica bem próxima das estimativas do mercado financeiro, de 1,85%, segundo o Boletim Focus. O número, no entanto, ainda fica abaixo do projetado pelo Ministério da Fazenda (2,3%).
Já para o próximo ano, a projeção do FMI reduziu em 0,3 p.p. em relação à previsão de janeiro, para 2%. O corte reflete a perspectiva de desaceleração da demanda global, com custos mais altos de insumos e condições financeiras mais apertadas.
“Reservas internacionais adequadas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, grande colchão de liquidez do governo e uma taxa de câmbio flexível devem ajudar o país a absorver o choque”, ponderou o FMI.
As perspectivas do FMI para o Brasil neste ano e no próximo ficaram abaixo das projeções para a América Latina e Caribe, cujas expectativas de crescimento são de respectivamente 2,3% e 2,7%.
“O impacto do conflito no Oriente Médio dentro da região é heterogêneo, com as economias menores sendo afetadas de forma mais negativa”, alertou.
As contas do Fundo para a economia brasileira também são piores do que as das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, das quais o Brasil faz parte, que o Fundo projetou em 3,9% e 4,2%.
O FMI também reduziu a previsão de crescimento para os Estados Unidos neste ano para 2,3%, queda de 0,1 p.p. em relação à projeção de janeiro. Para a zona do euro, a queda foi de 0,2 p.p., para 1,1%. Na China, a previsão também caiu 0,1 p.p., para 4,4%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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