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Economia

Com dívida em alta recorde, governo lança novo Desenrola; veja o raio-x da inadimplência no Brasil

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Lançamento do novo Desenrola Brasil
O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das preocupações da economia e já mobiliza bancos, varejistas e o governo. Em fevereiro, o indicador atingiu 49,9% da renda — o maior nível da série histórica do Banco Central do Brasil (BC), iniciada em 2005.
É nesse cenário que o governo lança, nesta segunda-feira (4), o “Novo Desenrola Brasil”, um pacote para destravar renegociações e aliviar o peso das dívidas.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A medida chega em um momento de forte expansão do crédito: hoje, 130 milhões de pessoas — cerca de 74% da população com relacionamento bancário — têm limite disponível.
Em quatro anos, 32 milhões passaram a acessar esses produtos, um salto de 34%, segundo o relatório de Cidadania Financeira, do BC.
O g1 reuniu dados para traçar o perfil dos endividados e inadimplentes no país.
Panorama do endividamento no Brasil
No fim de 2024, mais de 73 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado, segundo dados do Banco Central. As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram 27,4% desse total. Em março deste ano, esse n[umero chegou a 82,8 milhões de pessoas, segundo a Serasa.
Além disso, o número de pessoas com dificuldades mais graves para pagar dívidas também cresceu. Em dezembro, cerca de 16% dos brasileiros com crédito ativo estavam com atrasos superiores a 90 dias.
Entre 2020 e 2024, esse grupo aumentou em 6 milhões de pessoas, chegando a 18,9 milhões — um avanço de 47% no período, acima do crescimento do acesso ao crédito.
Quem são os mais afetados
41 a 60 anos: adultos representam a maior fatia, com 35,5%;
Baixa renda: pessoas inscritas no CadÚnico têm taxa de 18%;
Até 2 salários mínimos: concentram 73% dos casos mais graves;
Regiões: Norte (19%) e Nordeste (17%) lideram os índices;
Gênero: mulheres são mais endividadas (50,6%).
Região Norte lidera inadimplência no país
Dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, publicado em março pela Serasa, mostra que o problema está longe de ser uniforme pelo país.
Hoje, o estado do Amapá lidera o ranking, com 65,1% da população inadimplente. Na sequência aparecem Distrito Federal (62,7%), Amazonas (60,1%) e Mato Grosso do Sul (59,5%). Na outra ponta, Santa Catarina tem o menor índice: 40,4%.
👉 Veja abaixo a representatividade (%) de inadimplentes na população adulta por estado. Passe o mouse ou clique na unidade da federação para consultar o percentual, e use o zoom para ampliar a visualização:

Tipos de dívida com mais risco
Em março de 2026, o valor médio das dívidas por pessoa no Brasil era de R$ 6.728,51, alta de 1,98% em relação ao mês anterior, segundo a Serasa.
Cada dívida tinha, em média, valor de R$ 1.647,64, enquanto o total devido no país somava cerca de R$ 557 bilhões.
As dívidas mais difíceis de pagar estão, em geral, nas formas de crédito mais caras. O principal exemplo é o cartão de crédito.
Entre os jovens, quase 40% atrasam pagamentos no rotativo — quando se paga só uma parte da fatura e o restante vira uma dívida com juros altos — ou no parcelamento.
O empréstimo consignado, que costuma ter juros menores, também preocupa: entre os jovens, o atraso é mais que o dobro do registrado entre adultos.
No geral, a maior parte das dívidas no país está concentrada em bancos e cartões (27,3%). Depois vêm contas do dia a dia, como luz, água e gás (21%), além de financeiras (20,2%) e serviços (11,5%).
Na hora de negociar essas dívidas, quem mais fecha acordos são empresas que compram débitos atrasados (21,9%), seguidas por operadoras de telefonia (8,5%) e bancos (7,9%).
Um dado que chama atenção é o da população em situação de rua. Segundo o Banco Central, quase 37% têm dívidas em atraso, muitas vezes antigas.
🔎Segundo o relatório do Banco Central, o cartão de crédito é o principal motor do superendividamento no Brasil por reunir juros muito altos — especialmente no rotativo, que pode passar de 400% ao ano — e grande impacto no orçamento das famílias, que chegam a comprometer mais da metade da renda com esse tipo de gasto.
Diferença entre faixas de renda e idade

A inadimplência grave varia bastante conforme a idade e é mais alta entre os mais jovens.
Jovens (18 a 34 anos): cerca de 19% têm atrasos graves;
Adultos (35 a 59 anos): ficam próximos da média, em torno de 16%;
Idosos (60+): cerca de 9%, o menor nível.

Os dados mostram que os jovens lideram a inadimplência em todas as faixas de renda, mesmo entre os que ganham mais.
Até 2 salários mínimos: 17,4% inadimplentes;
De 2 a 5 salários mínimos: 13,8%;
Acima de 5 salários mínimos: 10%.
Parte disso está ligada à entrada mais recente no sistema financeiro (a idade média caiu de 35 anos, em 2020, para 20 anos em 2024) e ao maior uso de crédito sem experiência suficiente.
Já os adultos concentram o maior uso de crédito e comprometem cerca de 26% da renda com dívidas.
Os idosos, por outro lado, são mais cautelosos e têm menor inadimplência, mas enfrentam outras limitações, como menor uso de ferramentas digitais e maior vulnerabilidade financeira.

Diferenças entre homens e mulheres
Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, as mulheres são maioria entre os inadimplentes no Brasil, com 50,6% do total, enquanto os homens representam 49,4%.
Já os dados do BC mostram que o acesso ao crédito é parecido entre os gêneros — 75% das mulheres e 73% dos homens —, assim como a inadimplência grave, que atinge 16% em ambos os casos. Ainda assim, outros indicadores mostram maior pressão financeira sobre elas.
As mulheres comprometem uma parcela maior da renda com dívidas (25,3%, ante 24,1% dos homens).
No cartão de crédito, destinam 7,1% da renda ao pagamento de juros, enquanto os homens comprometem 5,6%. Também são mais frequentes entre os chamados “endividados de risco”, com maior chance de superendividamento (15,4%, contra 12,1%).
Além disso, dados indicam que elas tendem a contratar crédito a juros mais altos. No dia a dia, essa pressão aparece na prática: mulheres relatam maior dificuldade para lidar com as contas e níveis mais altos de estresse financeiro: 60% dizem enfrentar forte pressão com dinheiro, ante 40% dos homens.
Novo Desenrola Brasil
O novo Desenrola prevê a renegocição de dívidas de pessoas com renda de até R$ 8.105. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para:
famílias
Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)
empresas
agricultores rurais
A iniciativa vale para débitos feitos até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e até o Fies.
A proposta prevê descontos de 30% a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Além disso, o trabalhador poderá usar até 20% do saldo do FGTS para reduzir a dívida, com transferência direta entre bancos, mediante autorização.
💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.
Para aderir, será necessário procurar os canais oficiais das instituições financeiras. Quem participar ficará impedido de usar plataformas de apostas online por um ano. (Saiba mais sobre o programa)
Com dívida em alta recorde, governo lança novo Desenrola
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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