Economia
IA avança no mercado de trabalho; grupo cria fundo de US$ 500 milhões para preparar trabalhadores
Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT.
Michael Dwyer/AP
Os Estados Unidos têm avançado rapidamente rumo a um futuro impulsionado pela inteligência artificial, mas sem um plano claro para evitar o que pode resultar em perdas massivas de empregos.
Enquanto críticos alertam para cenários catastróficos dignos de filmes de ficção científica, defensores da tecnologia afirmam que a IA criará tanta riqueza que não há motivo para preocupação com milhões de demissões.
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Uma nova organização sem fins lucrativos, criada por integrantes dos dois principais partidos políticos dos EUA, pretende garantir que o país aproveite os ganhos econômicos prometidos pela inteligência artificial sem deixar os trabalhadores para trás.
Batizada de RAISE US, a iniciativa começa com mais de US$ 500 milhões para investir em novas formas de educação e capacitação profissional. A estratégia prioriza parcerias com estados e grandes empregadores, em vez do governo federal.
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Fundada pela ex-secretária de Comércio Gina Raimondo, democrata, e pelo ex-governador de Indiana Eric Holcomb, republicano, a organização pretende testar programas e incentivos para ajudar trabalhadores americanos a migrarem para novas carreiras em uma economia cada vez mais automatizada pela inteligência artificial.
“Estamos falando de um nível de desemprego que pode desestabilizar nosso país e nossa democracia”, afirmou Raimondo em entrevista. “Se queremos liderar o mundo em IA, precisamos agir para garantir que nossa democracia não desmorone.”
Programas começam em quatro estados
Inicialmente, a RAISE US trabalhará com governos de Arkansas, Connecticut, Maryland e Utah, além de algumas das maiores empresas e organizações filantrópicas dos Estados Unidos.
A proposta é desenvolver políticas que aproximem escolas e empregadores, para que trabalhadores demitidos possam ser direcionados rapidamente para novas vagas, preferencialmente com salários mais altos.
O grupo também estuda mudanças em impostos corporativos e outros incentivos para estimular empresas a manterem seus funcionários empregados.
“Coisas boas costumam acontecer quando você transforma quem não tem em quem tem”, disse Holcomb.
Entre as empresas parceiras da iniciativa estão Amazon, Microsoft, Anthropic, OpenAI Foundation e Bank of America. Também participam UPS, General Motors, Eli Lilly, Mastercard, AMD, Cisco e IBM.
Raimondo, ex-governadora de Rhode Island e uma das principais responsáveis pela política de IA durante o governo Biden, será a diretora-executiva da organização.
O conselho consultivo reúne nomes como o ex-presidente da Câmara dos Deputados Paul Ryan, o investidor bilionário Stephen Schwarzman, a presidente da central sindical AFL-CIO, Liz Shuler, além dos economistas David Autor, Erik Brynjolfsson e Raj Chetty.
IA pode substituir trabalhadores em fábricas e escritórios
Uma análise divulgada em abril pela Boston Consulting Group (BCG) estima que cerca de metade dos empregos nos Estados Unidos será transformada pela inteligência artificial nos próximos anos.
Segundo o estudo, até 25 milhões de postos de trabalho podem ser eliminados no país ao longo dos próximos cinco anos.
Já o Goldman Sachs estimou, em março, que 25% das horas trabalhadas nos EUA poderão ser automatizadas pela IA.
Mais do que uma ferramenta de busca aprimorada ou geradora de vídeos e imagens, a inteligência artificial pode colocar caminhões autônomos nas estradas, criar fábricas operadas por robôs e substituir profissionais de escritório, advogados e até médicos.
O presidente Donald Trump demonstrou pouca preocupação com a possibilidade de a tecnologia eliminar empregos.
Questionado na terça-feira (23), antes de visitar uma fábrica da Mack Trucks, na Pensilvânia, se a IA poderia tirar o trabalho dos caminhoneiros, respondeu: “No momento, não.”
Trump aposta na expansão dos data centers e das usinas de energia voltadas à inteligência artificial como motores para geração de empregos e crescimento econômico.
Embora os investimentos em IA tenham impulsionado a economia, o setor industrial perdeu 68 mil empregos, enquanto o transporte rodoviário eliminou 28,3 mil vagas desde o início do segundo mandato de Trump, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics).
“Hoje temos muitos empregos disponíveis e nosso maior problema é encontrar pessoas para ocupá-los”, afirmou Trump. “Estamos indo muito bem.”
Educação e políticas trabalhistas estão defasadas
Especialistas em inteligência artificial alertam que o sistema educacional e as políticas de proteção ao trabalhador foram desenhados para uma economia do século XX e não estão preparados para a velocidade e a escala das mudanças provocadas pela IA.
“A inteligência artificial está transformando vários setores simultaneamente, mais rápido do que qualquer instituição consegue responder”, afirmou Vivienne Ming, neurocientista e autora do livro Robot-Proof: When Machines Have All the Answers, Build Better People (“À prova de robôs: quando as máquinas têm todas as respostas, forme pessoas melhores”).
Segundo Ming, embora a riqueza gerada pela IA possa criar demanda por novos trabalhadores, as habilidades necessárias na nova economia vão muito além de profissões como encanador ou pedreiro.
“O que realmente importa é curiosidade e flexibilidade intelectual”, disse. Ela afirma que nem o sistema educacional nem as políticas de trabalho estão desenvolvendo o capital humano necessário para a era da inteligência artificial.
Raimondo afirmou que a organização pretende usar os estados como laboratórios para testar ideias que, no futuro, possam ser transformadas em políticas nacionais pelo Congresso, incluindo mudanças mais profundas no sistema tributário e na educação.
“Não tenho muita esperança de que o Congresso tome medidas ousadas sobre esse tema nos próximos anos, e acho que não podemos esperar tanto tempo”, disse.
“A história mostra que, quando o governo federal finalmente age, costuma olhar para o que já deu certo nos estados. Tenho bastante confiança de que eles vão observar o trabalho que estaremos fazendo”, completou.
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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