Política
Primeiras deputadas trans da história da Câmara não querem se limitar a pautas identitárias e miram comissões da Casa
Erika Hilton e Duda Salabert pretendem investir no diálogo para aprovar projetos em um Congresso conservador. Saúde, educação, combate à fome e defesa do meio ambiente são prioridades de seus mandatos. Salabert e Hilton falam de ambições para o mandato e desafios num Congresso conservador
Pela primeira vez na história a Câmara tem deputadas transexuais. Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) chegaram ao Congresso em fevereiro, com o início da nova legislatura. Ao g1, elas falaram sobre as impressões dos primeiros dias de seus mandatos históricos, a atuação que pretendem ter na Câmara e os desafios que devem encontrar em um ambiente majoritariamente conservador.
Erika era vereadora na cidade de São Paulo. Duda atuava como vereadora em Belo Horizonte. As primeiras semanas no Congresso têm servido para conhecer o novo ambiente de trabalho e traçar estratégias.
Questionadas sobre suas prioridades, as duas deputadas fazem uma ressalva em comum: não querem se ligar exclusivamente às chamadas pautas identitárias.
“É curioso, por eu ser uma travesti, por eu ser uma transexual, a sociedade quer me limitar ao debate especificamente LGBT. Eu carrego a pauta LGBT no corpo, mas eu sou uma professora. Eu dou aula há mais de 20 anos, então a principal pauta nossa é educação, junto também a questão ambiental, sou ambientalista”, afirmou Duda Salabert.
“Aqui no parlamento eu estou para construir políticas públicas pautadas nas bandeiras que para mim são caras: educação, meio ambiente e direitos humanos”, acrescentou.
Erika Hilton argumenta que tratar de temas como saúde, educação e combate à pobreza também é uma forma de contribuir para a pauta identitária.
“É preciso se romper com essa ideia de que o tema das identidades estão cristalizados em uma pauta única que é só sobre aquilo. Identidades também estão na comida das pessoas negras, das LGBTs a quem faltam a comida. São elas que são expulsas do ambiente escolar. Então nós temos muitas pautas a serem trabalhadas. A fome é uma pauta prioritária”, defendeu a parlamentar.
Ela pretende dar especial em atenção à saúde, com foco em políticas públicas que levem em conta as particularidades das população.
“O tema da saúde é um tema que para nós tem sido cada vez mais caro. Em São Paulo, consegui junto à prefeitura a criação do primeiro ambulatório de saúde integral da população trans-travestis. Acho que essa tem que ser uma política nacional, discutir a saúde da população e discutir a saúde da população com as suas particularidades”, explicou.
Câmara terá duas deputadas trans pela primeira vez na história
Busca por espaços em comissões
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em discurso no plenário da Câmara no dia 8 de março
Pablo Valadares/ Câmara dos Deputados
A composição das comissões temáticas da Câmara ainda não está definida. Partidos e parlamentares têm se movimentado nos últimos dias para fechar acordos e ocupar os espaços de poder dentro dos colegiados.
O número de cadeiras de cada partido dentro de uma comissão é definido pelo tamanho da bancada, e a indicação do nome do parlamentar é atribuição das legendas. Cabe às comissões analisar e votar projetos em tramitação na Câmara.
Duda é uma das deputadas que, nos bastidores, disputam a presidência da comissão do Meio Ambiente. Ela também reivindicou ao partido uma vaga nas comissões de Educação e de Segurança Pública, algumas das principais da Casa.
Erika também quer uma vaga na comissão de Segurança Pública e um espaço na de Direitos Humanos, que considera “extremamente importante”.
“É uma comissão que se ramifica em muitos outros aspectos. Dá para trabalhar pautas inúmeras dentro da Comissão de Direitos Humanos. Então tenho pensado muito nessa comissão”, relatou.
Embate com o conservadorismo
A deputada Duda Salabert discursa no plenário da Câmara
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
A exemplo do que já havia acontecido em 2018, em 2022 foi eleita uma Câmara de perfil majoritariamente conservador, o que representa um desafio para a tendência política representada por Erika e Duda.
Para Duda, o problema não é o conservadorismo em si, mas a falta de disposição ao diálogo de alguns políticos.
“O problema é quando não conseguimos construir pontes, porque há de um outro lado uma postura autocrática que impossibilita qualquer tipo de diálogo, qualquer tipo de consenso”.
Erika entende que será preciso um certo “malabarismo” para conseguir levar adiante projetos que considera importantes.
“Eu acho que é um pouco também desse malabarismo que a gente faz e precisa fazer mesmo na política para não morrer e para pautas tão importantes não caírem no esquecimento, não serem engolidas. Essa para mim é a missão mais importante: olhar para trás e dizer ‘eu deixei alguma coisa”, ressaltou.
Pauta LGBTQIA+
Duda entende que ocupar um espaço no Congresso é o caminho para lutar por políticas públicas que possam tirar o Brasil do primeiro lugar do ranking de assassinatos de travestis e transexuais, posição que o país ocupa há 14 anos consecutivos.
“Nós nunca fomos pauta da esquerda, da direita, do centro, de nenhum lugar. Daí a importância de estarmos aqui para vocalizar esse discurso, essa pauta, essa bandeira historicamente alijada da política pública brasileira”, enfatizou a deputada.
Para Erika, a eleição das parlamentares trans vai ajudar a desmistificar a pauta da comunidade LGBTQIA+ e levar o debate para toda a sociedade.
“Eu acho que a minha voz tem um papel importante. Primeiro, de desmistificar, humanizar e consolidar um debate, não apenas com a comunidade, mas com toda a sociedade”, destacou.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


