Connect with us

Economia

Credit Suisse: os escândalos que envolveram o banco nos últimos anos

Published

on

Ações da instituição suíça despencaram mais de 20% nesta quarta-feira (15), após resultado trimestral e declaração de principal acionista. Fachada do banco suíço Credit Suisse em frente a uma filial em Berna, Suíça, em 29 de novembro de 2022.
REUTERS/Arnd Wiegmann/File Photo
O mercado de ações global tem enfrentado dias turbulentos, com novo temor de crise no sistema bancário. Após a tensão causada pela quebra do banco norte-americano Silicon Valley Bank (SVB), os ânimos voltaram a azedar com notícias negativas envolvendo o Credit Suisse.
As ações do banco suíço despencaram mais de 20% só nesta quarta-feira (15). O tombo tem relação com uma crise de confiança de investidores e resultados ruins apresentados pela instituição no trimestre passado, além do comunicado de seu principal acionista, o Saudi National Bank, da Arábia Saudita, de que não irá apoiar o banco com um aumento de sua participação no capital.
O Credit Suisse, considerado “elo fraco” do setor bancário suíço, já vinha passando por uma reestruturação profunda após envolvimento em uma série de escândalos (confira abaixo casos revelados nos últimos anos).
LEIA TAMBÉM:
Por que o Credit Suisse fez bancos europeus despencarem; entenda o risco de crise no setor
‘Cadê o dinheiro’, questiona esposa de Willian Bigode a dono da Xland; ouça áudio
IR 2023: prazo começou nesta quarta; veja como baixar o programa e fazer a declaração
Quebra da Greensill
O banco viu seu braço de gestão de ativos balançar com a falência da companhia financeira britânica Greensill em 2021, na qual havia comprometido cerca de US$ 10 bilhões por meio de quatro fundos.
Quando uma seguradora se negou a renovar os contratos da Greensill – uma firma britânica que utilizava acordos financeiros complexos para emprestar dinheiro a empresas para que pagassem suas despesas –, o Credit Suisse, que já não podia calcular o valor dos fundos, começou a liquidá-los.
Consequentemente, a Greensill quebrou e abalou as empresas que dependiam dela para ter liquidez, uma falência que também afetou seus credores, entre eles o gigante japonês SoftBank.
Fundo Archegos
Quatro semanas mais tarde, o fundo americano Archegos já não podia injetar dinheiro para cobrir seus investimentos em derivados, o que desencadeou uma venda maciça em Wall Street.
Vários bancos grandes foram afetados, sendo o Credit Suisse o mais prejudicado, em cerca de US$ 5 bilhões.
Crédito para Moçambique
Em outubro de 2021, o banco se percebeu imerso em um caso de corrupção em Moçambique, relacionado com empréstimos a empresas estatais.
As autoridades de Estados Unidos e Reino Unido impuseram sanções ao banco no valor de US$ 475 milhões.
Os empréstimos, concedidos entre 2013 e 2016, serviriam para financiar projetos de vigilância marítima, pesca e estaleiros, mas foram parcialmente desviados para pagamento de propina.
Violação das normas de quarentena
Em dezembro de 2021, o tabloide suíço Blick revelou que o então presidente do banco, Antonio Horta-Osorio, tinha infringido as normas de quarentena relacionadas com a pandemia de Covid-19.
Além disso, a imprensa fez outras revelações, como o descumprimento das restrições sanitárias para assistir a uma partida de tênis em Wimbledon. O banqueiro acabou renunciando menos de nove meses depois de assumir o cargo.
‘Suisse secrets’
Em fevereiro de 2022, o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio de 47 meios de comunicação, entre eles o jornal francês Le Monde e o americano New York Times, publicou uma investigação intitulada “Suisse secrets” (“Segredos suíços”, em inglês).
A investigação, baseada em dados de contas dos anos 1940 até o fim da década de 2000, revela que o banco recebeu recursos de clientes envolvidos em casos criminais e de corrupção.
Julgamento em Bermudas
Em março de 2022, um tribunal de Bermudas confirmou que o ex-primeiro-ministro georgiano Bidzina Ivanishvili tinha registrado perdas em seus investimentos geridos por Patrice Lescaudron, um ex-banqueiro francês do Credit Suisse, demitido em 2015, condenado por fraude em Genebra em 2018 e que se suicidou dois anos depois.
Lavagem de dinheiro de cocaína na Bulgária
Em junho de 2022, o banco foi condenado na Suíça em um caso de lavagem de dinheiro vinculado a uma rede búlgara de tráfico de cocaína, e multado em US$ 2 milhões.
Dois acordos por litígios antigos
Em outubro de 2022, o banco resolveu um litígio nos Estados Unidos que remontava à crise financeira de 2008, relativo a títulos lastreados em hipotecas, chegando a um acordo em troca de um pagamento de US$ 495 milhões.
Já na França, concordou em pagar 238 milhões de euros para evitar ser processado por prospecção ilegal de clientes e fraude fiscal agravada entre 2005 e 2012.
Greensill, parte 2
No final de fevereiro de 2023, dois anos depois do escândalo da quebra da Greensill, a Autoridade Suíça dos Mercados Financeiros (Finma) acusou o Credit Suisse de ter “descumprido gravemente suas obrigações prudenciais” em matéria de gestão de riscos.
Adiamento do relatório anual
Na semana passada, o banco adiou a publicação de seu relatório anual após pedido da SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, que levantou dúvidas sobre suas contas para os exercícios 2019 e 2020.
Na última terça-feira (14), o Credit Suisse reconheceu “fragilidades materiais” em seus controles internos ao publicar o relatório anual, o que ajudou a derrubar as ações do banco.
Na quarta-feira (15), o derretimento dos papéis se acelerou depois que a principal acionista declarou que não vai apoiar a entidade aumentando sua participação.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários

Published

on

By

Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados