Economia
Criminosos utilizam documentos de advogados para fraudar o INSS
Fraudadores conseguem acesso ao sistema ‘Meu INSS’ para roubar registros profissionais de advogados previdenciários. Em seguida, dentro do próprio sistema, pedem alteração da conta bancária de segurados e desviam o recebimento de benefícios. Previdência Social, INSS, aposentadoria
Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Criminosos estão utilizando o registro profissional de advogados para conseguir cometer fraudes dentro do ‘Meu INSS’. O ‘Meu INSS’ é um serviço online oferecido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que permite que os cidadãos acessem informações e serviços relacionados a seus benefícios previdenciários, como aposentadoria, pensão por morte e auxílio-doença.
Os criminosos alteram a conta bancária de recebimento do benefício e passam a receber os valores como se fossem os próprios segurados. Primeiro, eles conseguem acesso a usuários e senhas do ‘Meu INSS’ por meio de vazamento de dados.
Depois de entrarem no sistema se passando pelo beneficiário e solicitarem a alteração da conta bancária, é necessário anexar a cópia de um documento original do titular do benefício. Mas os criminosos estão anexando documentos de terceiros, que não têm relação alguma com o segurado.
Mesmo com um documento não compatível com o do titular, o sistema do INSS autoriza a mudança de conta bancária.
A advogada previdenciária Fernanda Angeli é uma das vítimas. Ela teve conhecimento de pelo menos três vezes em que criminosos utilizaram o documento profissional dela para fraudar benefícios.
“Recebi mensagens no WhatsApp do meu escritório de uma pessoa na Bahia falando que meu documento estava sendo usado no ‘Meu INSS’ dele para alterar o banco de pagamento”, conta a advogada que mora em Piracicaba, no interior de São Paulo.
Essa pessoa era Carlos Henrique Deiro, aposentado, que reside em Lauro de Freitas, região metropolitana da capital baiana.
“Todo mês eu olho minha aposentadoria. Estava tentando entrar no ‘Meu INSS’ e não estava conseguindo. Tive que alterar minha senha para conseguir entrar e vi que tinham alterado meus dados e o meu banco de pagamento”, afirma o aposentado.
Ele, então, viu que o documento anexado como sendo dele próprio fazendo a solicitação da alteração de conta bancária era, na verdade, o documento de Fernanda.
Segundo advogados ouvidos pela reportagem, os criminosos conseguem acesso a carteiras da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por meio do próprio sistema ‘Meu INSS’. Processos relacionados a pedidos de benefícios do INSS ficam dentro desse sistema, mas, em teoria, só as partes de um processo podem ter acesso a ele.
Dentro dos processos, ficam anexados os documentos dos advogados. Os criminosos estão conseguindo acessar esses processos para roubar os documentos e utilizá-los de forma fraudulenta. Portanto, na hora de solicitar a alteração da conta bancária de um segurado, o criminoso coloca em anexo o documento de um advogado como se fosse o documento do próprio beneficiário.
Mesmo não sendo correspondente ao nome do beneficiário, o sistema do INSS aceita a documentação e permite a mudança de conta. “O robô que analisa isso não faz o serviço corretamente”, explica Fernanda, advogada vítima da fraude.
Fraude no INSS causa prejuízo de R$ 1 bilhão
Problema recorrente
Essa não foi a primeira vez que o aposentado Carlos Henrique Deiro sofreu uma tentativa de fraude em que criminosos pediram mudança da conta bancária para receber o benefício em nome dele. Foram, ao todo, três tentativas de fraude na aposentadoria dele entre outubro do ano passado e abril deste ano.
Em cada tentativa, os criminosos utilizaram o documento de um advogado diferente. Além disso, pediram a alteração para contas bancárias em estados diferentes: Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba.
“É um sentimento de revolta. O atendimento do INSS é péssimo, é um descaso. Da primeira vez, o atendente me falou que eu tinha que ir até o banco que o fraudador cadastrou, em Minas Gerais, para resolver. Como eu vou fazer isso? Eu moro na Bahia”, desabafa.
Nas duas primeiras vezes, o aposentado conseguiu resolver o problema em agências bancárias na cidade onde vive. A terceira tentativa de fraude é recente e ainda não foi resolvida. “Perco o dia todo dentro de uma agência”, diz o aposentado, que afirma que o INSS pede para ele resolver diretamente com os bancos, pois nada pode fazer para ajudá-lo.
A beneficiária Camila Forte, moradora de Campinas, em São Paulo, também foi vítima da fraude. Os criminosos invadiram o ‘Meu INSS’ dela e solicitaram a alteração da conta bancária anexando o documento de uma advogada como se fosse da própria Camila.
Além disso, alteraram dados pessoais como celular e e-mail dela, para que a beneficiária não recebesse atualizações sobre esse pedido.
“Eu descobri no dia em que eu entrei no sistema para acompanhar um outro pedido, e vi que eles tinham feito a solicitação de mudança de conta bancária dois dias antes”, conta a segurada. “O INSS me orientou a procurar o gerente do meu banco, que era só isso que eles poderiam fazer.”
A advogada previdenciária Ana Paula Roca também teve o documento utilizado de maneira fraudulenta por criminosos. Eles solicitaram a alteração de conta bancária de dois segurados do INSS utilizando o documento dela. Ambos os casos aconteceram em abril deste ano.
“Só soube que estavam usando meu nome porque advogados de outras cidades me ligaram para avisar que juntaram meu documento no pedido de transferência de pagamento do benefício de clientes deles”, conta.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) afirma que está ciente e acompanha os casos de profissionais da advocacia que estão sendo atingidos pelo esquema de fraudes de segurança ao sistema do INSS.
Por meio da Comissão de Direito Previdenciário, a OAB-SP está aberta a receber denúncias e orientar os advogados que tenham seus dados envolvidos nos casos. Junto à Superintendência Regional do Instituto Nacional do Seguro Social no Sudeste, a Ordem paulista também está trabalhando em soluções efetivas para que os profissionais não sejam prejudicados pelo vazamento de dados e pelas fraudes de segurança.
O Ministério da Previdência Social e o INSS foram questionados pela reportagem, mas não se posicionaram.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


