Política
Câmara arrasta processos contra deputados que apoiaram atos golpistas em rede social
Representações de fevereiro não foram enviadas ao Conselho de Ética. Deputadas da esquerda foram processadas em dois dias. Casa alega necessidade de ‘maior análise’. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, comandada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), arrasta desde fevereiro o envio de representações contra quatro deputados que apoiaram os atos golpistas de 8 de janeiro ao Conselho de Ética. A Casa alega a necessidade de “maior análise”, por se tratar de atos cometidos em redes sociais (saiba quais mais abaixo).
Apenas nesta legislatura, 14 processos já foram instaurados na Câmara, inclusive representações protocoladas pelo PL contra seis deputadas da esquerda, por supostas ofensas a apoiadores do marco temporal na Câmara.
As representações contra as deputadas, que datam de 12 de junho, foram encaminhadas ao colegiado horas depois de apresentadas, e os processos instaurados após dois dias.
Já as representações de autoria do PSOL contra deputados do PL e do PP que apoiaram os atos golpistas, que culminaram nas depredações das sedes dos Três Poderes, sequer chegaram ao Conselho de Ética.
🔎 Para entender: uma representação para apurar suposta quebra de decoro de um parlamentar pode ser apresentada à Mesa por qualquer cidadão – neste caso, é necessário passar pela Corregedoria da Casa – ou por partidos políticos. Se o pedido for de autoria de um partido, cabe à Mesa despachar diretamente para o Conselho de Ética, que abrirá o processo.
Demora
“Ele [Lira] está sentado em cima das nossas [representações] desde 2 de fevereiro”, afirmou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
O presidente do Conselho, Leur Lomanto Junior (União-BA) disse que vai pedir uma reunião com Lira para esclarecer o assunto.
“Eu me comprometo a pedir uma audiência ao presidente da Câmara, Arthur Lira, para poder fazer essas indagações e essa conversa com o presidente da Câmara e, assim que o fizer, eu trago as resposta do presidente e saber o motivo pelo qual essas representações não chegaram ao Conselho”, disse.
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Atos praticados em rede social
Em nota, a assessoria de imprensa da Câmara argumentou que “todas as representações partidárias relativas a fatos ocorridos na Câmara dos Deputados foram imediata e indistintamente encaminhadas ao Conselho de Ética” e que as que ainda não foram enviadas “tratam de atos praticados em rede social, necessitando de maior análise”.
Ainda de acordo com a assessoria, “o critério independe de partido e do representado”.
Apesar da regra apontada pela assessoria, na legislatura passada, a Mesa encaminhou representações com base em atos nas redes sociais.
É o caso, por exemplo, do processo contra o deputado André Janones (Avante-MG) por divulgação de suposta fake news em redes sociais durante a campanha presidencial e contra a deputada Bia Kicis (PL-DF), que divulgou por meio de um grupo de aplicativo de mensagens instantâneas os dados pessoais de médicos a favor das vacinas pediátricas contra a Covid-19. Por não terem sido analisados até o fim da legislatura, contudo, os dois processos foram arquivados.
Lira rebate
Na sessão desta quarta-feira (14), Lira respondeu a uma questão de ordem apresentada por Fernanda Melchionna, que reclamou sobre a diferença no tratamento dos processos. Ele afirmou que não há diferença entre partido ou deputado.
“Todas as representações partidárias relativas a fatos ocorridos na Câmara dos Deputados foram imediata e indistintamente encaminhadas ao Conselho de Ética. As que não foram envidas tratam-se de fatos praticados em rede social. Todas as de rede social, não uma, nem outra, estão necessitando de maior analise. O critério independe de partido e de representado.”
“A resposta da Mesa: é a SGM [Secretaria-Geral da Mesa], para onde são enviados os pedidos, está analisando todos indistintamente que aconteceram de mútuas acusações em redes sociais. Mas os casos que aconteceram internamente no Congresso Nacional, e cada um sabe o que faz, esses foram indistintamente todos encaminhados ao Conselho de Ética”, disse.
Processos represados
A representações que tratam sobre os atos golpistas miram os deputados:
André Fernandes (PL-CE)
Abilio Brunini (PL-MT)
Clarissa Tércio (PP-PE)
Silvia Waiãpi (PL-AP)
Os quatro pedidos foram feitos para apurar mensagens em redes sociais e declarações de apoio aos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro.
No caso do Brunini, ele fez um vídeo, após os ataques, mostrando como o Salão Verde da Câmara estava “limpo”, em uma tentativa de minimizar os atentados.
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Outros temas
Uma representação, que também não chegou ao Conselho, tem como alvo o deputado Maurício Marcon (PODE-RS): a representação pretende investigar uma transmissão ao vivo, nas redes sociais, na qual o deputado comparou a Bahia com o Haiti e teria proferido “discurso fortemente xenófobo e racista”.
Outra representação que está parada se refere à deputada Júlia Zanatta (PL-SC). A representação contra a parlamentar se deu por publicação em redes sociais que incitariam o cometimento de crimes contra a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A deputada vestia uma camisa com uma mão com quatro dedos varada de balas.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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