Connect with us

Economia

Multinacionais na Rússia ainda financiam guerra na Ucrânia

Published

on

“Business as usual”: apenas 17% das firmas estrangeiras deixaram a Rússia desde a invasão. As que ficaram geraram mais de US$ 170 bilhões em impostos em 2022. Empresários alegam dificuldades para abandonar mercado russo. Um militar ucraniano da 3ª Brigada de Assalto dispara um morteiro de 122 mm contra as posições russas na linha de frente, perto de Bakhmut, região de Donetsk, Ucrânia, domingo, 2 de julho de 2023.
(AP Photo/Alex Babenko)
Segundo algumas estimativas, a guerra na Ucrânia custa por dia ao Estado russo 1 bilhão de dólares (R$ 4,84 bilhões) – uma carga pesada para as finanças nacionais, sobretudo diante da queda dos preços do petróleo e do gás natural, e das sanções que afetam a principal fonte de renda de Moscou.
Um relatório da Kyiv School of Economics (KSE) e da coalizão de organizações da sociedade civil B4Ukraine constata que as multinacionais que operam na Rússia continuaram a pagar impostos no país em 2022, financiando indiretamente a campanha de agressão e ocupação militar de Vladimir Putin.
Das 1.387 empresas ocidentais com subsidiárias russas no início da invasão, em 24 de fevereiro de 2022, apenas 241 (17%) abandonaram inteiramente o país – entre as quais as cadeias de lanchonetes McDonald’s e Starbucks. As que permaneceram, geraram naquele ano 177 bilhões de dólares para os cofres nacionais.
Em fevereiro último, a escola ucraniana de economia comentava, em seu relatório Unfinished business (Negócio inconcluso).
“Quase nada mudou, mesmo após mais três meses de violência e provas cumulativas de crimes de guerra cometidos pelas tropas russas: 56% das companhias monitoradas pela KSE ainda estão comprometidas em permanecer na Rússia.”
Firmas alemãs: segundo lugar em impostos sobre lucros
Ao todo, as corporações globais, também as que debandaram desde a guerra, pagaram à Rússia em 2022, só de impostos sobre lucros, 3,5 bilhões de dólares. “É apenas a ponta do iceberg e provavelmente muito abaixo do volume total de impostos”, prossegue o relatório, acrescentando que as firmas arcam com numerosas outras contribuições, inclusive imposto de renda sobre os salários dos funcionários, seguros e imposto sobre valor agregado (IVA).
Das firmas sediadas em países do G7 e da União Europeia, 16 constaram entre as 20 principais contribuintes russas. As americanas apresentaram os maiores faturamentos totais e pagaram os impostos sobre lucros mais altos: 712 milhões de dólares. Em seguida veem as empresas alemãs, com 402 milhões de dólares. As companhias sediadas na UE totalizaram 594 milhões de dólares de impostos.
Michael Harms, diretor-gerente do Comitê da Economia Alemã para o Leste, justifica: leva tempo até um êxodo nessa escala se refletir em dados, e “muitas companhias alemãs agora abandonaram o mercado russo ou estão no processo de retirar”.
“As relações teuto-russas já mudaram dramaticamente. Em 2022, as exportações alemãs para a Rússia caíram quase pela metade, as importações se reduziram em 90% desde o começo de 2023. O fato de o êxodo não ter ainda se refletido inteiramente nas estatísticas para 2022 faz parte da natureza das coisas.”
Haveria ainda obrigações contratuais, enfatiza Harms, não sendo possível elas saírem do mercado do dia para a noite. Além disso, “o governo russo colocou obstáculos significativos para dificultar mais às empresas estrangeiras se retirarem”.
Cigarros e bens de grande consumo na linha de frente
O relatório da KSE mostra que entre as que mais se beneficiaram com a permanência na Rússia estão as multinacionais do tabaco, estando à frente a nipo-suíça Japan Tobacco International, com faturamento de 7,4 bilhões de dólares em 2022 – 1,5 bilhão de dólares a mais do que no ano anterior – e pagamento de 193 milhões de dólares em impostos sobre lucros.
A Phillip Morris, que vende os cigarros Marlboro fora dos Estados Unidos, gerou um faturamento de 7,9 bilhões de dólares, e impostos de 206 milhões de dólares. Em fevereiro, a empresa declarara que preferia manter seus negócios na Rússia a vendê-los por menos do que considerava seu valor.
Em seguida ao de tabaco, veio o setor de bens de consumo de alta rotatividade (vendidos rápido e a custo relativamente baixo, FMCG na sigla em inglês), que faturou 21 bilhões de dólares. A Danone, que alcançou mais de 3 bilhões de dólares em vendas, estaria procurando um comprador russo para seus negócios locais, mas até agora sem sucesso.
A Nestlé restringiu algumas de suas atividades e deixou de fazer publicidade no país. Com 99 milhões de dólares, a fabricante americana de doces Mars esteve entre as que pagaram mais impostos sobre lucros na Rússia em 2022. Em janeiro, ela declarou que reduzira parte de seus negócios no país.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

Published

on

By

O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

Continue Reading

Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

Published

on

By

Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados