Economia
Conar abre processo para avaliar propaganda que recriou Elis Regina com inteligência artificial
Vídeo de campanha da Volkswagen usou técnica conhecida como ‘deepfake’, que faz montagens realistas com rostos de pessoas. Em nota, a empresa informou que ‘a utilização da imagem de Elis Regina na campanha foi acordada com a família da cantora’. Elis Regina aparece cantando ao lado da filha Maria Rita
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu nesta segunda-feira (10) um processo ético para avaliar se uma campanha da Volkswagen — lançada no último dia 4 de julho e feita com inteligência artificial — feriu o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
O vídeo foi produzido para comemorar os 70 anos da empresa no Brasil e simulou um dueto entre Elis Regina, morta há 41 anos, e a filha dela, Maria Rita (veja no vídeo acima) . A propaganda utilizou uma técnica conhecida como “deepfake”, que faz montagens realistas com rostos de pessoas.
Em nota, a Volkswagen disse que “a utilização da imagem de Elis Regina na campanha foi acordada com a família da cantora” (confira o posicionamento completo da companhia no fim desta reportagem).
A abertura do processo foi feita após a denúncia do advogado Gabriel de Britto, que afirmou ao órgão que Elis Regina, já falecida, não poderia “reivindicar o uso da própria imagem”.
“Importante esclarecer que, o direito de imagem protege a personalidade física da pessoa, como traços pessoais, corpo, atitudes, gestos, entre outros, já o direito autoral protege a obra criada pela pessoa. E o que se transmite aos herdeiros é apenas o direito autoral”, diz o documento enviado ao Conar.
Segundo o advogado, a campanha viola pelo menos cinco artigos, além do “Anexo O – Veículos Motorizados”, que diz que, “na propaganda de automóveis (…) Não se permitirá que o anúncio contenha sugestões de utilização do veículo que possam pôr em risco a segurança pessoal do usuário e de terceiros, tais como (…) desrespeito (…) às normas de trânsito de uma forma geral”.
“No caso da publicidade em questão, ambas motoristas de ambos veículos figuram a cantar e a olhar uma a outra enquanto dirigem, em desatenção e de forma imprudente, considerando que deveriam olhar de forma fixa o caminho e estrada à frente na qual transitam”, argumenta Britto.
SAIBA MAIS:
Os dilemas de usar inteligência artificial para trazer pessoas mortas de volta à vida
A campanha
O vídeo começa com Maria Rita conduzindo uma ID.Buzz – versão moderna e 100% elétrica da Kombi – enquanto canta o clássico de Belchior “Como nossos pais”, que fez sucesso na voz de Elis na década de 1970.
A peça continua com imagens de carros da empresa que marcaram gerações, como Fusca e Brasília. Até que surge uma Kombi antiga, conduzida por Elis Regina, que encosta ao lado do carro de Maria Rita para compor o dueto.
A técnica “deepfake”, utilizada na campanha, permite criar adulterações realistas com o rosto de pessoas.
Para que Elis aparecesse em um vídeo lançado em 2023, uma atriz dublê foi usada para se passar pela cantora dirigindo o veículo. O rosto da cantora foi colocado depois, por meio de uma tecnologia de reconhecimento facial.
Confira o posicionamento da Volks:
A Volkswagen lançou sua nova campanha institucional no momento em que celebra 70 anos no Brasil, a evolução da marca, incluindo seu portfólio renovado, e a chegada de veículos elétricos no País. O objetivo da campanha era criar um momento único, por meio da inteligência artificial, reunindo Elis Regina, uma das maiores cantoras da história da música brasileira, e sua filha Maria Rita, ícone atual da MPB. A utilização da imagem de Elis Regina na campanha foi acordada com a família da cantora.
A música escolhida, “Como Nossos Pais”, de Belchior, interpretada por Elis Regina, serviu como trilha sonora para esse encontro pela sua representatividade na história brasileira ao simbolizar a necessidade de novos tempos.
A intenção da Volkswagen com a campanha foi destacar a transição das gerações e a renovação da marca, utilizando a Kombi como um símbolo do passado e o modelo ID.Buzz, sua versão 100% elétrica, como uma representação do futuro.
A Volkswagen se orgulha de ser uma marca presente na vida dos brasileiros, com mais de 25 milhões de veículos produzidos no País, e reforça seu compromisso, seguindo sua estratégia mundial, de ser uma empresa cada vez mais humana e próxima das pessoas, promovendo inclusive ações como esta, que possibilitou o encontro de mãe e filha, duas estrelas da música que estão presentes nos corações dos brasileiros.
O que é deepfake e como ele pôde reunir Elis e Maria Rita
Elis Regina e Maria Rita em dueto feito com IA para a Volkswagen
Reprodução
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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