Economia
PIB da região Sudeste tem o pior desempenho do país no primeiro trimestre, aponta levantamento
Estudo da 4intelligence aponta um crescimento de 0,6% do Sudeste no período; regiões Norte, Sul, Nordeste e Centro-Oeste cresceram 4,0% ou mais. Fraco desempenho do setor industrial ajudou a puxar PIB do Sudeste para baixo.
Fábio Tito/g1
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou trajetória positiva no primeiro trimestre de 2023, mas esconde grandes diferenças no desempenho setorial de cada uma das regiões do país, aponta levantamento feito pela 4intelligence.
De acordo com o estudo, o Sudeste, que concentra a maior parte da população e que tem uma das maiores participações na economia nacional, mostrou crescimento de apenas 0,6% no período, em relação aos últimos três meses de 2022.
Esse foi o pior desempenho entre as regiões avaliadas, puxado principalmente pelo fraco desempenho da indústria, que recuou 1,27% no Sudeste no período avaliado.
O setor de serviços, por sua vez, teve uma queda de 0,02% na mesma base de comparação, enquanto o segmento da agropecuária teve alta de 9,23%.
Na ponta contrária, foi o Centro-Oeste que apresentou o maior crescimento nos três primeiros meses do ano, com uma alta de 5,2% na mesma relação. Nesse caso, o avanço foi puxado principalmente pelo setor agropecuário, que avançou 29,98% em igual base de comparação.
Em seguida vieram as regiões Nordeste e Norte, que além de contarem com o forte avanço do agronegócio, também sentiram os bons resultados dos setores de indústria e serviços. Essas regiões tiveram uma alta de 5% e 4,9% no primeiro trimestre na mesma base de comparação.
Veja abaixo o crescimento setorial em cada uma das regiões do país.
Segundo o economista-chefe da 4intelligence, Bruno Lavieri, parte do que explica o desempenho mais fraco do Sudeste frente as demais regiões é a lenta trajetória de recuperação do segmento industrial.
“Isso era mais ou menos esperado, afinal estamos falando de um ano de 2023 ainda com aperto monetário e recursos escassos. Então a indústria tende a sofrer mais, com [a recuperação] do segmento de bens duráveis sendo postergada”, afirma.
E esse quadro, diz o economista, deve continuar a pesar no setor em 2023, principalmente diante do nível de juros ainda alto no país.
“Isso se traduz de formas diferentes na questão regional, principalmente porque temos regiões muito heterogêneas. Estamos falando de um país que é muito grande em termos geográficos e que traz muitas diferenças em sua composição e na forma como cada setor pesa em cada lugar”, acrescenta Lavieri.
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O que esperar para 2024?
Ainda de acordo com o economista, apesar da projeção mais otimista para 2024, que deve contar com números um pouco melhores no setor industrial, o processo de afrouxamento monetário (redução das taxas de juros) deve ser mais longo e não deve trazer um crescimento vigoroso da economia já no ano que vem.
Segundo Lavieri, a expectativa é que haja um crescimento mais “equilibrado” entre os setores em 2024.
“A gente não deve contar com uma safra agrícola tão extraordinária no próximo ano. Além disso, devemos ver uma recuperação um pouco mais forte da indústria e o PIB de serviços com um desempenho um pouco mais positivo”, afirma o economista.
Após os resultados do PIB do primeiro trimestre, que registrou uma alta de 1,9%, acima da projeção do mercado, a 4intelligence revisou sua previsão para o crescimento econômico desde ano de 1,2% para 2%.
Para o ano que vem, a estimativa da 4intelligence é que o PIB brasileiro avance 1,5%.
Economia
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Economia
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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