Economia
Café colhido em fezes de pássaros? Conheça a bebida brasileira que custa R$ 1,1 mil o quilo
Bebida de luxo é preparada a partir dos grãos retirados de fezes deixadas por jacus selvagens em fazendas do Espírito Santo; veja o passo a passo. Café brasileiro luxuoso é extraído de excrementos do pássaro jacu
CARL DE SOUZA / AFP
Antes considerado uma praga nas plantações de café da Região Sudeste, o pássaro selvagem jacu – e seu prodigioso sistema digestivo – se tornou aliado na produção de um dos cafés mais caros do mundo.
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O pássaro, também chamado de jacuaçu, parece um faisão e tem um paladar refinado: “Geralmente ele escolhe as melhores frutas, as mais maduras”, explicou Agnael Costa, que trabalha com a colheita de fezes deixadas pelos jacus.
Em uma fazenda localizada no município de Domingos Martins, interior do Espírito Santo, os pés de café crescem em meio a uma floresta exuberante.
“Foi esse sistema agroflorestal que criou as condições necessárias para existir esse café exótico aqui”, afirmou Henrique Sloper, que é dono da fazenda adepta da agricultura biodinâmica, ou seja, que não utiliza produtos químicos.
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No Brasil, o café exótico extraído das fezes deixadas pelos jacus custa em média R$ 1.118,00. No entanto, ele é ainda mais caro no exterior.
Grãos de cafés são extraídos das fezes deixadas por jacus no Espirito Santo
CARL DE SOUZA / AFP
De inimigo a aliado
O jacu, espécie de plumagem preta e garganta escarlate, nativa de outras regiões da América do Sul, nem sempre foi bem-vindo na propriedade Camocim. No início, era visto como uma praga que ameaçava as colheitas e causava problemas.
Foi ao conhecer o café “Kopi Luwak” na Indonésia, feito com excrementos de civeta (mamífero asiático semelhante a um mangusto), que Sloper teve a ideia de transformar o jacu de inimigo a aliado.
Enquanto a reputação do “Kopi Luwak” – também vendido a preço de ouro – é prejudicada por denúncias de maus-tratos a civetas em cativeiro, o jacu brasileiro cresce em liberdade.
“É 100% natural. O jacu está dentro do habitat natural dele mesmo”, a floresta atlântica do litoral brasileiro, diz o supervisor de produção, Rogério Lemke.
“É uma região muito protegida (…) e não usamos químico, produtos transgênicos, nada” na plantação de café, acrescenta.
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Etapas de produção
As fezes do jacu lembram a aparência de um pé de moleque, com grãos de café incrustados em uma pasta enegrecida.
Depois de colhidas, as fezes são colocadas para secar em uma estufa. Em seguida, os grãos de café são classificados e descascados cuidadosamente, antes de serem colocados em uma câmara fria.
São retirados de lá apenas mediante solicitação do cliente, para evitar desperdícios.
“Em função do trabalho que a gente tem para fazer esse produto, ele é naturalmente caro. Não tem como fazer um café de jacu com custo baixo (…) É um produto escasso e a produção é incerta, porque depende do apetite do jacu”, afirma Henrique Sloper.
Café tem notas doces e boa acidez, afirma analista
CARL DE SOUZA / AFP
O café extraído dos excrementos destas aves representa menos de 2% da produção da fazenda.
“Serve não só como selecionador, como também alarme de colheita. Onde ele come, o café está maduro”, explica.
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Luxo e sustentabilidade
“Os pássaros têm um trânsito intestinal extremamente curto. Praticamente entrou, e depois de alguns segundos já está saindo. Então não existe propriamente qualquer tipo de processo bioquímico, não dá tempo”, explica o analista de café, Ensei Neto.
É mais lento em civetas ou elefantes, cujos excrementos também são usados para produzir esse tipo de café na Tailândia.
“Basicamente, o que você tem como diferencial, que o pássaro promove, é essa seleção dos grãos maduros. Ele não adiciona nada a mais. Mas a história é boa”, diz Neto.
Café brasileiro luxuoso é extraído de excrementos do pássaro jacu
CARL DE SOUZA / AFP
Os grãos bem maduros conferem ao café “notas doces, com boa acidez”, afirma o analista.
“É um café delicioso e a história por trás da sua produção é muito original. É uma experiência nova para nós”, diz a turista Poliana Cristiana Prego, de 37 anos, que veio até a fazenda provar o café do jacu.
Café da Camocim, em Domingos Martins, Espírito Santo
CARL DE SOUZA / AFP
“Nossos clientes são os amantes de produtos exóticos, mas também aqueles que valorizam a ideia de desenvolvimento sustentável”, afirma Henrique Sloper.
Para ele, “o futuro do café vai vir do Brasil”. Maior produtor mundial, o gigante sul-americano começa a melhorar “a parte do branding, do marketing do café. É mostrar para o mundo que realmente temos condições de fazer o que ninguém tem”.
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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