Connect with us

Política

Argentina enfrenta piora na economia, mas mantém melhores índices sociais que o Brasil; compare

Published

on

País vizinho apresenta inflação acumulada de cerca de 120% e pouco mais de 40% da população dentro da linha da pobreza, mas mantém alto índice de desenvolvimento humano. Sergio Massa (esquerda) e Javier Milei disputam segundo turno das eleições presidenciais na Argentina neste domingo (19)
JUAN MABROMATA, Tomas CUESTA / AFP
Os argentinos vão às urnas neste domingo (19) para escolher o novo presidente do país, numa disputa entre o ultraliberal Javier Milei e o atual ministro da Economia, Sergio Massa.
Qualquer que seja o candidato eleito, ele deve encontrar uma economia deteriorada que pode afetar os bons indicadores sociais do país, segundo o professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) Márcio Bobik.
Hoje, a Argentina apresenta uma inflação acumulada no ano de cerca de 120%, com pouco mais de 40% da população dentro da linha da pobreza, segundo os dados mais recentes do governo.
“O Brasil está até relativamente bem por conta da sua relativa estabilidade macroeconômica. Estamos com a inflação sob controle, ainda que o governo tenha problemas de déficit, tem aí uma pauta de reforma caminhando. Mas a Argentina não tem, então realmente é bem complicado, a questão social tende a piorar lá, sem dúvida”, afirmou Bobik.
Economia
Inflação acumulada
A inflação acumulada neste ano na Argentina é de 120%, segundo o último boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), do Ministério da Economia argentino. Já no Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 3,75% em 2023, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação está relacionada ao poder de compra das pessoas. Se ela aumenta, o poder de compra diminui. Esse impacto é maior para quem recebe salários menores, já que os preços dos produtos e serviços aumentam sem que o salário acompanhe o crescimento.
Risco-país
O risco-país é um indicador que mede a confiança do investidor, que tende a buscar países com maior credibilidade.
Na Argentina, esse risco hoje é de 4.177,5 pontos. Em 2022, a média foi de 2.061,8 pontos. Já o Brasil apresenta um risco de 157,7 pontos atualmente, contra 254,42 em 2022. Os dados são do economista Victor Beyruti, da Guide Investimentos, a pedido do g1.
Leia também:
Massa x Milei: 3 fatores que determinarão quem será o novo presidente da Argentina
É #FAKE que vídeo mostre candidato argentino Sérgio Massa cheirando cocaína
Eventual vitória de Milei pode impactar relação com Argentina, mas ‘rede de interesses’ falará mais alto, avaliam fontes do Itamaraty
PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) argentino foi de US$ 632,7 bilhões em 2022, segundo dados do Banco Mundial. O resulta apresenta uma recuperação da atividade econômica que retornou a um patamar semelhante a 2017, quando foi de US$ 643,63 bilhões.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Na Argentina, o indicador apresentou quedas sucessivas em 2018, 2019 e 2020, recuperando-se em 2021 e 2022.
Já o PIB brasileiro foi de US$ 1,92 trilhão em 2022. O indicador teve pico em 2011, quando somou US$ 2,62 trilhões. A crise econômica de 2015 e a pandemia de 2020 derrubaram o PIB a US$ 1,8 trilhão e US$ 1,48 trilhão, nessa ordem.
Javier Milei, candidato da extrema direita à presidência da Argentina, defende dolarizar a economia
Agustin Marcarian/Reuters
Dólar
A Argentina tem várias cotações de dólar, como o dólar turista para viajantes argentinos que compram no exterior ou o dólar vaca muerta para o setor de petróleo e gás natural.
Há também um dólar paralelo ao oficial, conhecido como “dólar blue”, cujas transações acontecem sem fiscalização ou acompanhamento do Banco Central argentino.
O governo do país congelou a cotação do dólar oficial em agosto deste ano e na última quarta-feira (15) anunciou uma depreciação para 353,05 pesos.
Segundo levantamento do economista Victor Beyruti, a cotação média do dólar em 2022 foi de 130,65 pesos para US$ 1, contra 261,94 pesos para US$ 1 na média em 2023. Já a cotação no Brasil foi de R$ 5,01 em 2023 e de R$ 5,17 em 2022, em média.
Desenvolvimento social
PIB per capita
O Brasil é uma das maiores economias do mundo, mas o PIB per capita é 34% menor que o da Argentina. De acordo com dados do Banco Mundial, o Brasil registrou PIB per capita de US$ 8.917,7 em 2022, contra US$ 13.686 da Argentina.
“Na verdade, é até uma contradição. Olhamos a economia argentina em crise, mas quando olhamos os indicadores sociais em relação a Brasil particularmente a gente percebe que a Argentina está na frente em vários indicadores. […] O PIB per capita fica abaixo da Argentina, a Argentina acumulou um crescimento ao longo da sua história, com problemas talvez distributivos e sociais menores que os do Brasil”, explicou Bobik.
População abaixo da linha da pobreza
Contudo, a crise econômica argentina tem elevado o número de pessoas abaixo da linha da pobreza. Em setembro, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) apontou aumento de 0,9% entre o segundo semestre de 2022 e o primeiro de 2023.
Ao todo, aproximadamente 11,8 milhões pessoas estão abaixo da linha da pobreza, o que representa 40,1% da população do país. No Brasil, esse percentual é de 29,4%, segundo dados de 2021 do IBGE.
“Se a economia não cresce e você tem problemas fiscais, o Estado perde a capacidade de tentar minimizar esses problemas sociais”, afirma Bobik.
Candidatos na Argentina encerram campanha sob clima de incerteza e forte rejeição
Índice de desenvolvimento humano, analfabetismo e mortalidade
O Brasil ocupa a 87° posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2022.
O país tem um IDH de 0,754, enquanto a Argentina permanece trinta posições acima, em 47° lugar com IDH de 0,842. O relatório de desenvolvimento é baseado em critérios de saúde, educação e renda.
O país vizinho tem indicadores melhores de expectativa de vida, mortalidade de recém-nascidos e analfabetismo, por exemplo.
Lá, as pessoas vivem em média 75 anos, enquanto no Brasil a expectativa é de 73 anos, segundo informações de 2021 do Banco Mundial. A taxa de mortalidade é de 6% a cada 1.000 recém-nascidos na Argentina, contra 13% no Brasil.
Embora esteja desatualizado, o percentual de analfabetismo é baixo, de 1,9% da população, segundo dados do censo de 2010. No Brasil, em 2022, 5,6% da população era considerada analfabeta de acordo com o IBGE.
Para o professor da USP, o processo de formação econômico e social dos dois países explicam a diferença nos indicadores sociais.
“Também ao longo de sua história, houve uma preocupação do estado em prover educação e isso melhora os indicadores sociais. Então, isso explica essa aparente contradição. Mas também tem outra questão: os indicadores do Brasil são muito ruins”, explicou Bobik.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

Published

on

By

A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

Continue Reading

Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

Published

on

By

Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

Continue Reading

Política

Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

Published

on

By

Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

Continue Reading

Trending

Copyright © 2022 InfoDourados