Economia
Argentina corta gastos e tem superávit mensal pela 1ª vez em 12 anos, mas sofre com pobreza e inflação em alta
Presidente Javier Milei comemorou resultado nas redes sociais, e prevê uma recuperação da economia em cerca de três meses. Posse do presidente Javier Milei em Buenos Aires em 10 de dezembro de 2023
Agustin Marcarian/REUTERS
O governo da Argentina anunciou, na noite de sexta-feira (16), que obteve superávit fiscal em janeiro pela primeira vez em quase 12 anos. O superávit acontece quando as receitas do governo são maiores que as despesas.
Desde a posse, o presidente ultraliberal Javier Milei instaurou fortes medidas de corte de gastos no país. O balanço para as finanças do setor público argentino foi positivo no primeiro mês completo: o superávit foi de cerca de US$ 589 milhões (R$ 2,93 bilhões no câmbio oficial). A cifra também contempla o pagamento de juros da dívida pública.
É o “primeiro superávit financeiro [mensal] desde agosto de 2012 e o primeiro superávit financeiro em um mês de janeiro desde 2011”, indicou o Ministério da Economia do país.
Zerar o déficit público é a principal meta da gestão de Milei. Para isso, o governo tem revisado subsídios e paralisado investimentos públicos no país. A ideia é recompor reservas internacionais para afastar a crise de confiança de investidores internacionais e reequilibrar o câmbio.
Além disso, a Argentina mantém um acordo de empréstimo de US$ 44 bilhões (aproximadamente R$ 219 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê a reorganização da economia.
O desequilíbrio causou uma inflação na Argentina que passa dos 250% em 12 meses, segundo o instituto oficial de estatísticas, o Indec. Trata-se de uma das variações interanuais mais altas do mundo.
A pobreza alcança 45% da população, segundo dados oficiais. Um estudo, inicialmente publicado pelo jornal Ámbito Financiero, projeta números ainda maiores: 57,4% dos argentinos vivendo abaixo da linha de pobreza, mais de 26 milhões de pessoas.
Milei sofre grande derrota ao não conseguir aprovar mudanças legislativas na Argentina
Milei comemorou o resultado
O ministro da Economia argentino, Luis Caputo, comentou o resultado em um post na rede social X (antigo Twitter). “Déficit zero não se negocia”, disse.
“Vaaaamooos Toto!”, respondeu Milei pela mesma rede social em referência a Caputo, para em seguida acrescentar seu lema de campanha, que também se transformou em slogan de seu governo: “Viva a liberdade, carajo!”
Com os números de inflação em alta e pobreza aumentando, a gestão aposta em uma piora de indicadores nos próximos três meses.
“Será como uma espécie de ‘V’, um primeiro momento de queda, com o período mais difícil em torno de março e abril, que é quando chegará ao fundo e, a partir daí, começará a se recuperar. E quando se abrir o ‘cepo’ [restrições ao acesso a dólares que se mantém desde 2019], a economia vai disparar”, estimou Milei.
Também na sexta-feira (16), o presidente recusou a possibilidade de estabelecer um novo salário mínimo que compense a inflação anual de 250%. A CGT, principal central sindical argentina, de orientação opositora, solicitou no Conselho do Salário Mínimo um aumento de 85%.
“Não acredito que um político possa definir um preço à mão. Nem passa pela minha cabeça. Eu vou emitir um decreto fixando um preço?”, disse Milei, após o fracasso do Conselho em aumentar o valor atual de 156 mil pesos (R$ 928, no câmbio oficial atual).
Milei afirma que o salário mínimo é “uma questão que deve ser abordada por trabalhadores e empregadores”, sem intervenção do Estado.
* Com informações da agência France Presse
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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