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Petrobras: qual foi a surpresa do mercado para uma queda de quase 10% nas ações em um dia

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Ações despencam mesmo depois de a empresa registrar seu segundo maior lucro histórico no ano passado, de R$ 124,6 bilhões. Mercado esperava um pagamento de dividendos extraordinários, o que não ocorreu Economista analisa queda da Petrobras na bolsa após decidir não pagar dividendo extra aos acionistas
As ações da Petrobras estão despencando na bolsa de valores brasileira nesta sexta-feira (8), após a empresa frustrar as expectativas de analistas com os dividendos propostos — que são uma parcela do lucro das empresas dividida entre os acionistas — na divulgação dos resultados de 2023.
O mercado esperava um pagamento de dividendos extraordinários, o que não ocorreu. Foi anunciado um pagamento de R$ 14,2 bilhões em dividendos, dentro do modelo mínimo de pagamento para companhia.
Assim, as ações despencam mesmo depois de a empresa registrar seu segundo maior lucro histórico no ano passado, de R$ 124,6 bilhões.
Apesar de sólido, o valor representa uma redução de 33,8% em relação ao ano anterior. Segundo a própria companhia, esse resultado foi influenciado por uma queda de 18% no preço do petróleo nos mercados internacionais, mas parcialmente compensado pelo aumento no volume de vendas da empresa.
Veja abaixo os detalhes.
Por que as ações da Petrobras estão caindo?
Segundo analistas, mais do que a queda no lucro, o foco do mercado está no que não foi anunciado pela petroleira no balanço de resultados: a distribuição de dividendos extraordinários.
“Ainda que [a distribuição de dividendos anunciada] esteja em linha com a política de remuneração, [o número] ainda é uma grande decepção”, avaliaram os analistas Pedro Soares, Thiago Duarte e Henrique Péres, do BTG Pactual, em relatório.
A estimativa do BTG Pactual era de que a Petrobras pagasse um dividendo adicional de cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 20 bilhões), baseado no resultado fiscal da companhia do ano passado.
O corte de dividendos extras não foi o único fator a influenciar a percepção de risco da petroleira. O histórico de investimentos da companhia gera receio nos investidores de que a empresa esteja tomando um rumo ruim de alocação de capital.
No plano estratégico da Petrobras de 2020 a 2024, ainda na gestão passada, a companhia havia anunciado o desejo de realizar de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões em desinvestimentos para o período.
Agora, a petroleira informou que o lucro remanescente do exercício, que totaliza R$ 43,4 bilhões, será integralmente destinado para a reserva de remuneração de capital da empresa – uma reserva recém-criada para assegurar os pagamentos aos acionistas em outros compromissos financeiros.
Em entrevista à Globonews, o economista André Perfeito afirmou que o que está na mesa agora são as dúvidas do mercado a respeito do que a companhia vai fazer com o dinheiro que não foi distribuído como dividendo e que, agora, ficou como recurso dentro da estatal.
“Já se viu no mercado que a Petrobras vai se orientar para mais investimentos. Mas que investimentos? De que jeito? Vai ser transição energética? Isso vai dar quanto lucro? É natural que […] o mercado e os investidores estrangeiros queiram saber o que vai ser feito com esse lucro”, afirmou.
Para os analistas da XP Investimentos André Vidal e Helena Kelm, isso faz com que os investidores “repensem sua visão sobre os riscos da Petrobras.”
“Vemos a tese de investimentos agora como uma questão de avaliar a probabilidade de grandes movimentos de M&A [sigla em inglês para fusões e aquisições] ocorrerem no curto prazo”, avaliaram em relatório.
Eles afirmam que, se foi isso que levou à decisão do Conselho de Administração, as ações provavelmente cairão ainda mais, “devido a uma combinação de má alocação de capital com dividendos mais baixos”.
“Por outro lado, se isso tiver sido motivado principalmente pela vontade do governo de manter um ‘plano de reserva’ para o caso de as contas fiscais se deteriorarem em breve, então esse dinheiro estocado acabará sendo pago de volta aos investidores e as ações poderão apresentar um bom desempenho de retorno total no futuro”, completaram os analistas em relatório.
Ações da Petrobras despencam após divulgação de balanço
Quais foram os resultados da companhia?
A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 124,6 bilhões em 2023, segundo resultados divulgados na última quinta-feira (7). O montante representa uma queda de 33,8% em comparação a 2022, quando registrou R$ 188,3 bilhões.
No quarto trimestre, o resultado da petroleira foi positivo em R$ 31 bilhões – uma redução de 28,4% em comparação aos mesmos três meses de 2022, mas um crescimento de 16,6% em relação ao observado entre julho e setembro.
A empresa informou que enfrentou desafios em 2023, principalmente devido à redução de 18% no preço internacional do petróleo (Brent). Ainda assim, a Petrobras informou que bateu recordes de produção e aumentou investimentos.
“Apesar desses desafios, vale ressaltar que tais impactos negativos foram parcialmente mitigados pelo aumento do volume de petróleo comercializado ao longo do período, com destaque para o crescimento nas exportações”, diz o relatório.
Segundo o informe divulgado pela estatal, foram aplicados US$ 12,7 bilhões (R$ 62,6 bilhões) em investimentos, no ano passado. O total representa um aumento de 29% na comparação com 2022.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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