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Política

Entenda por que eleições lá fora geram tanto debate no Brasil; especialistas apontam globalização e polarização

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Política brasileira viveu intensamente nas últimas semanas os pleitos da França, dos EUA e da Venezuela. Com redes sociais e globalização, temas morais, por exemplo, passam a engajar eleitores polarizados no mundo inteiro. Trump e Kamala
AFP
Nas últimas semanas, eleições em outros países do mundo causaram impacto nas discussões políticas dentro do Brasil, tanto entre autoridades quanto entre eleitores.
Um exemplo foi a renúncia do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que seria candidato à reeleição. Ele oficializou essa posição em um domingo, 21 de julho. Em seguida, ministros do governo brasileiro e até o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram às redes sociais comentar o caso.
Autoridades e eleitores brasileiros também se envolveram com as eleições legislativas na França, na qual a extrema-direita ficou em terceiro lugar, depois de ter liderado no primeiro turno. E até hoje repercute no país e no governo a reeleição, acusada de fraudulenta, do presidente Nicolás Maduro, na Venezuela.
Para especialistas ouvidos pelo g1, eleições mundo afora estão, de fato, mais globalizadas. Não só o país envolvido repercute o pleito, mas, de certa forma, grande parte da comunidade internacional. E isso se deve a alguns fatores, como:
rapidez das informações (avanço da internet e redes sociais)
acirramento de ideologias
globalização da economia e dos temas políticos e morais (valores)
“Não é mais possível separar temas externos e domésticos, todos estão imbricados, dado o impacto que uma decisão doméstica tem sobre os interesses externos, e vice-versa”, afirmou Janina Onuki, professora do Departamento de Ciência Política da USP.
Brasil não tem expectativa sobre ligação de Lula para Maduro
Política globalizada
O cientista político Leonardo Paz Neves, da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressalta que a globalização da política e das próprias eleições nacionais é uma tendência em crescimento, porque o mundo está muito conectado, empresas têm negócios em vários países e as populações têm acesso instantâneo ao que acontece em outros lugares.
“Sem dúvida que a gente vive em eleições cada vez mais globalizadas, isso não é uma novidade dessa eleição, naturalmente”, afirmou o especialista.
“É uma tendência de crescimento e não vai deixar de crescer. A aproximação dos países, a aproximação das pessoas, a maneira como o que acontece em um país começa a impactar nos outros, enfim, cada vez mais a interligação dos centros financeiros, a quantidade de multinacionais, a quantidade de pessoas que lidam com outras, trabalham o tempo todo”, completou Paz Neves.
Ele explica, por exemplo, que o resultado na eleição legislativa na França interessa ao Brasil não só do ponto de vista ideológico, mas também econômico. A depender da corrente política vencedora, o acordo do Mercosul com a União Europeia pode ficar mais próximo ou mais distante.
“Isso naturalmente faz com que a política de um país impacte nos outros, quer dizer, dependendo do que sair da França, vai ter ou não vai ter acordo com a União Europeia, então tem umas coisas dessas que já geravam isso, já impactavam normalmente, só que a gente começa a perceber esse impacto mais forte”, afirmou.
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Acirramento de ideologias e polarização
Um outro pilar apontado por especialistas é a polarização na sociedade, em que atores políticos e eleitores tendem a se alinhar a posições cada vez mais rígidas.
“Tudo que ocorre nos outros países também tem ligação com direita, esquerda, está dentro dos espectros ideológicos. Então, as pessoas transplantam isso. Um exemplo mais recente são as eleições nos Estados Unidos. A gente tem uma candidata do Partido Democrata [Kamala Harris]. E um candidato dos republicanos [Donald Trump]. Mais ou menos eles representam o que seria uma esquerda e uma direita, embora os atuais democratas estejam muito distantes de uma esquerda e lá eles se chamam de liberais”, disse Flávia Loss de Araújo, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fepesp).
A professora Onuki, da USP, argumenta que a ascensão de líderes de perfil populista nos últimos anos favorece esse cenário de “contaminação” da política de um país pelas eleições em outro.
“Com a globalização, e a disseminação imediata de informações, as eleições, como vários outros acontecimentos políticos, repercutem imediatamente em todo o mundo. Nos últimos anos, a ascensão de líderes populistas, a polarização ideológica, e o receio de retorno de regimes autoritários, têm chamado atenção de vários atores”, afirmou.
Segundo ela, a depender de um vencedor das eleições, toda uma região pode ser afetada geopoliticamente.
“Isso se percebe não somente pelo interesse em todas as eleições, mas também pelo fato de haver uma contaminação regional. A depender do candidato que ganhe, toda uma região pode sofrer com a instabilidade política”, disse.
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Políticos sentem necessidade de entrar no debate
Como os temas e as discussões estão globalizados e as pessoas, em razão da polarização, logo aderem a uma das posições defendidas, políticos dentro de seus países sentem a necessidade de entrar rapidamente no debate, para não perderem o momento de maior engajamento.
“Pensa no caso do Maduro. Qualquer movimentação do Lula [aliado histórico do venezuelano] em relação a esse caso será atacada. Ele será acusado de várias coisas. Então, eu uso isso para atiçar meus apoiadores, se sou um parlamentar do PL, por exemplo, e aproveito o interesse das pessoas nesses temas. É interessante esse fenômeno”, refletiu a professora Flávia Loss.
“Então, várias vezes os ministros, por fazerem parte do governo e serem ministros de Estado, têm que reagir também porque, por exemplo, se começa uma onda de fake news, o governo tem que dar uma resposta”, completou.
Impacto no discurso
Para Paz e Neves, o impacto das eleições globalizadas se dá principalmente nos discursos e ideias que circulam na política.
Isso porque, segundo o especialista, o interesse pelas eleições em outros países reflete principalmente que as pessoas estão preocupadas com valores que elas veem em jogo, e não necessariamente com efeitos práticos em suas vidas.
“Quer dizer, basicamente, 90% das pessoas que estão criticando lá, ou discutindo a eleição na França, não fazem isso em função do impacto dela no Brasil concreto, mas em função se você acha que moralmente ou valorativamente um lado é mais importante”, disse.
Políticos percebem que são os valores e preferência ideológicas que conduzem grande parte dessa discussão acalorada e que, se souberem se aproveitar, isso pode lhes render votos.
“As pessoas criam torcidas de futebol: pró- [Donald] Trump, pró-Kamala, e por aí vai, porque se identificam. Se esse cara não gosta do Lula, eu estou com ele. Se esse cara não gosta do [Jair] Bolsonaro, ele é meu. E aí transplantam o debate para cá”, sintetiza Flávia Loss.

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Política

Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda

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A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.

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Política

Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja

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Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).

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Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado

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Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP

O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).

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