Economia
Ibovespa atinge maior nível da história: como voltamos ao bom momento na bolsa?
Índice chegou aos 136.179 pontos na máxima desta segunda-feira. No mês, avanço é de mais de 6%. Entenda, em três fatores, o que impulsionou o mercado de ações brasileiro nos últimos dias. Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira.
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O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira, a B3, sobe mais de 1,5% nesta segunda-feira (19). Com isso, chegou aos 136 mil pontos pela primeira vez na história. No mês, o índice acumula alta de mais de 6%.
Veja a evolução no gráfico abaixo.
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O movimento de alta tem sido impulsionado, principalmente, pelos ânimos dos investidores com a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Especialmente nesta segunda, o otimismo ganhou força após uma declaração de Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil (BC). Cotado para comandar o BC, ele disse que nunca foi pressionado pelo presidente Lula (PT) a tomar qualquer decisão na autarquia.
Mas outros fatores importantes têm colaborado com o bom momento do Ibovespa.
Entenda cada um deles a partir dos tópicos abaixo:
A sinalização de corte de juros pelo Fed;
O tom do Banco Central do Brasil;
As declarações sobre o arcabouço fiscal.
A sinalização de corte de juros pelo Fed
Em 31 de julho, o Fed decidiu manter os juros do país inalterados na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. O movimento, que já era esperado pelo mercado, veio acompanhado de uma sinalização importante: um possível corte da taxa na próxima reunião, em setembro.
Na ocasião, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que um corte nos juros poderá “estar na mesa” caso os dados econômicos do país caminhem conforme o esperado.
“As leituras de inflação do segundo trimestre aumentaram nossa confiança, e novos dados positivos fortaleceriam ainda mais essa confiança”, afirmou Powell.
Desde julho de 2023, os juros dos Estados Unidos estão no maior patamar em mais de 22 anos. A taxa atingiu esse nível porque, a partir de 2022, o BC norte-americano promoveu sucessivas altas, em tentativa de conter a inflação causada pela pandemia de Covid-19.
O movimento se reflete em outros países — incluindo o Brasil. Juros mais altos nos EUA elevam a rentabilidade dos Treasuries (títulos públicos norte-americanos). Isso se reflete nos mercados de ações e no dólar, com a migração cada vez maior de investidores para o país, em busca de melhor remuneração.
Por isso, uma sinalização de queda nos juros dos Estados Unidos leva otimismo ao mercado de ações brasileiro: com uma possível redução da taxa, os rendimentos na economia mais segura do mundo tendem a diminuir, forçando os investidores a tomarem mais risco. Isso beneficia o mercado de ações por aqui.
“A probabilidade de corte nos EUA a partir de setembro é positiva para os ativos de risco globais e para mercados emergentes. E a bolsa brasileira navega bem nesse sentido”, explica Frederico Nobre, líder de análise da Warren Investimentos.
Federal Reserve mantém juros inalterados nos EUA, mas sinaliza que pode cortar a taxa em setembro
Um novo fator elevou a confiança dos investidores em um corte dos juros pelo Fed em setembro: a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA (CPI, na sigla em inglês), na última quarta-feira (14).
O índice subiu 0,2% em julho, acumulando uma alta de 2,9% em 12 meses. Excluindo os componentes voláteis da inflação — alimentos e energia —, o CPI subiu 0,2% em julho e 3,2% em 12 meses, no menor aumento anual desde abril de 2021.
Apesar de o resultado continuar acima da meta do Fed, de 2%, o mercado avalia que o comportamento mais benigno dos preços abre espaço para o primeiro corte nos juros desde 2020.
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O tom do Banco Central do Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, em 31 de agosto, manter a taxa Selic em 10,50% ao ano. O destaque, no entanto, foi para o tom duro da decisão.
Na ata da reunião, o BC se mostrou mais preocupado com a alta do dólar — e seu impacto na inflação futura — e informou que “não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado”.
Uma elevação da taxa, portanto, está na mesa dos decisores, e será levada em conta a depender dos dados econômicos até a próxima reunião.
Frederico Nobre, líder de análise da Warren, explica que o tom mais duro do BC trouxe uma credibilidade adicional à autoridade monetária no combate à inflação.
Isso gerou um movimento chamado “flattening” (achatamento da curva de juros), em que há uma alta nos vencimentos mais curtos e uma queda nos mais longos. “Esse movimento de flattening é positivo para ativos de risco e para a bolsa de forma geral. Ele mostra que o Banco Central está comprometido com o combate à inflação e que se for necessário subir juros no curto prazo, vai subir. Isso alivia as expectativas no médio e longo prazo”, diz.
“Foi exatamente isso que nós vimos na curva de juros: os vencimentos mais curtos subindo e os mais longos caindo. A bolsa responde mais aos vencimentos mais longos. Então, as taxas de juros longas caindo são algo positivo para a bolsa de valores.”
Copom mantém taxa básica de juros em 10,5% ao ano; Bruno Carazza comenta
Outra grande preocupação do mercado também está perto de se dissipar. Essa, envolvendo a sucessão do comando do Banco Central.
Desde que Lula assumiu a Presidência do Brasil, em 2023, cresceram os temores de interferência política dentro do BC. Foram inúmeras as críticas de Lula contra o atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto.
Os receios aumentaram após Gabriel Galípolo, ex-número 2 de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, assumir o cargo de diretor de Política Monetária do BC. A dúvida do mercado era se Galípolo seria um voto do governo dentro da autoridade monetária.
Após um ano no cargo, no entanto, Galípolo parece ter conquistado, ao menos para boa parte dos agentes econômicos, a imagem de um decisor técnico — contrariando a vontade de Lula, que se manifesta a favor de cortes forçados na taxa de juros para aquecer a economia.
Nesse sentido, a confirmação pelo blog do Camarotti de que Lula irá indicar Galípolo para presidente da autoridade monetária segue em linha com o esperado pelo mercado — e pode representar um alívio em relação à condução da política monetária após Campos Neto deixar o cargo.
“É uma indicação que não traz uma surpresa negativa. Ou seja, Lula não vai indicar alguém com um pensamento mais populista”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
“As últimas declarações e votos do Galípolo foram na direção técnica. Ele é do mercado financeiro (…) e já deu demonstrações muito claras de que tem uma biografia a ser preservada. Não colocaria isso em risco.”
Para Agostini, a indicação de Galípolo “tira qualquer risco de uma volatilidade desnecessária”.
Nesta segunda-feira, uma declaração de Galípolo animou o mercado. Cotado para comandar o BC, ele disse que nunca foi pressionado pelo presidente Lula (PT) a tomar qualquer decisão após ser indicado para a diretoria da autoridade monetária.
“Jamais me senti pressionado a ter qualquer tipo de atitude a partir da minha indicação no BC, o presidente tem tido uma atitude republicana”, disse. “Eu não sinto qualquer tipo de pressão. Pelo contrário: todas as vezes é renovada a liberdade e autonomia.”
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As declarações sobre o arcabouço fiscal
O risco fiscal, marcado pela dificuldade do governo em cortar gastos, é um dos fatores que tem aquecido os receios no mercado brasileiro.
Conforme mostrou o g1, a previsão é que as contas do governo registrem um rombo de R$ 28,8 bilhões em 2024. O valor é o limite da meta das contas públicas, prevista no arcabouço fiscal — a regra de gastos aprovada em 2023.
Nesse sentido, para conseguir cumprir com a regra, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou no mês passado o congelamento de R$ 15 bilhões no Orçamento.
Especialistas apontaram que o valor ainda não é o suficiente para o déficit (despesas superiores à arrecadação) limite de R$ 28,8 bilhões em 2024, mas o aperto nas contas foi bem recebido pelo mercado.
Haddad: ‘vamos ter que fazer uma contenção de R$ 15 bilhões’
Especialmente a partir de julho, o governo tem buscado endossar os esforços de Haddad para o cumprimento com o arcabouço — fator importante para confiança dos investidores e a credibilidade do controle fiscal.
A principal mudança de discurso foi do presidente Lula, que viu o dólar disparar no fim de junho após sucessivas declarações sobre os gastos públicos. Na visão do mercado, as falas do presidente vinham sendo justamente na contramão do controle das contas.
Após as turbulências, o presidente passou a adotar, então, um tom mais ameno. Ele chegou a afirmar que “responsabilidade fiscal é compromisso” e que o governo “não joga dinheiro fora”.
Sem maiores ruídos em torno dos gastos públicos, a nova postura de Lula também têm ajudado para um período menos turbulento no mercado interno — com reflexos no Ibovespa.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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