Política
Eleição municipal inaugura segunda era de fragmentação da direita
Depois de Bolsonaro estraçalhar a polarização PSDB x PT, é a vez de a nova direita se dividir entre quadros tradicionais e personagens “antissistema 2.0”. Quando as urnas se fecharem neste domingo, 6 de outubro, o Brasil poderá se ver diante de um novo quadro político-eleitoral. As pesquisas indicam um cenário de refragmentação do que se convencionou chamar de direita no país em grandes colégios eleitorais, num patamar inédito desde 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) estraçalhou a polarização PT x PSDB que dominava o país desde os anos 1990.
A eleição municipal deste 2024 evidenciou uma série de fenônemos:
Uma franja do eleitorado de direita, a mais radical, ainda não esgotou sua sede de explorar as possibilidades do que seriam gestões administradas por personagens que se autodenominam “antissistema”. Esse grupo, aparentemente insatisfeito com os poucos limites respeitados por seu líder maior até aqui, Jair Bolsonaro, abriu frentes de experimentação em colégios eleitorais importantes, como São Paulo e Belo Horizonte. Nessas duas capitais, o eleitorado bolsonarista rachou.
A expectativa de que o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro encampariam um engajamento frenético nos principais colégios eleitorais, reeditando a disputa de 2022, simplesmente não se concretizou. Ao contrário.
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Voltemos à análise a partir deste ponto: Lula decidiu manter uma atitude apática diante da eleição municipal, dando prioridade a agendas externas. Mesmo aquele que recebeu sua maior atenção, Guilherme Boulos (PSOL), candidato em São Paulo, amargou a falta da presença do petista, em especial nas periferias da cidade.
Bolsonaro aderiu a uma dinâmica cautelosa. O capitão não quis ficar à frente de uma nau que pudesse naufragar. Observou movimentos de arrivistas do discurso “antissistema 2.0” quase que à distância, com intervenções pontuais, sem partir para o tudo ou nada.
Em São Paulo, eleição que monopolizou boa parte da atenção da imprensa nacional, a fragmentação da direita ganhou contornos incisivos. De um lado, o bolsonarismo institucional – governo do Estado, pastores e partido, o PL– travaram uma batalha para convencer o eleitor do ex-presidente de que Ricardo Nunes (MDB) poderia, à sua forma, ser uma espécie de Tarcísio de Freitas (Republicanos): leal a Bolsonaro e aos preceitos que encantam seu eleitorado, mas temperado com técnica de gestão e equilíbrio emocional.
Mas esse grupo, que incorpora a face institucional do grupo de Bolsonaro, deu de frente com o personagem desrruptivo desta eleição: Pablo Marçal (PRTB). Um vendedor de sonhos.
Marçal literalmente fez fama e fortuna convencendo pessoas de que ele, vindo de Goiás, com família simples, prosperou com técnicas de organização de pensamento e ação. Técnicas que poderiam levar qualquer um ao posto que ele ocupa – e exibe: milionário, com casas, carros, aeronaves e uma extensa lista de livros, vídeos e seguidores.
O ex-coach parece ter percebido que havia uma sede não contemplada na franja radical da direita. E bateu tudo o que deu status ao grupo de Bolsonaro num liquidificador junto com pitadas de coisas que se mostraram eficientes na última década entre os eleitores de direita e centro-direita.
A ver: o discurso de “não sou político, sou gestor” remonta a João Doria; o de “eu sou um de vocês, um cidadão indignado” arremata a narrativa antissistema; a narrativa agressiva e antimídia nas redes, já testada por Bolsonaro, foi elevada a nova potência.
Por fim, Marçal tomou a discurso das igrejas sem cobrar dízimo. Prega “jejum de crime”, diz que seu “coração queima, arde algo novo”, que quer “abençoar a periferia” com um teleférico e que vê a candidatuta não como algo que ele deseja, mas como uma “missão de Deus”.
Daniela Lima analisa discursos de Pablo Marçal
O sumo carregado dessa combinação foi forte o suficiente para rachar o que, antes, de maneira incorreta e monolítica, aparentemente, se chamava bolsonarismo. A ver o resultado desta divisão.
Para o que se convenciona chamar esquerda, ou campo progressista, o resultado das eleições municipais promete ser decepcionante. A expectativa, apesar da atração despertada na imprensa pelos candidatos associados a Lula ou Bolsonaro, é a de que o bom e velho centrão – PSD, MDB, União Brasil e PP – passe o rodo na maioria das cidades do país.
A eleição de 2024 pode, portanto, impor um “novo normal” a um país que ainda estava tentando decifrar sua recente formatação política. Bom voto.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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