Política
Entenda negociações de candidatos ao comando da Câmara para ter apoio do PT
Petistas ouviram promessas dos dois lados, mas bancada faz cálculos e quer ‘garantia’ que grupos terão condições de cumprir o que foi oferecido. A menos de quatro meses da eleição para presidência da Câmara e ainda sem consenso no Centrão por um nome único para suceder Arthur Lira (PP-AL), a federação do PT/PV/PCdoB, que tem 81 deputados, tem sido cobiçada pelos candidatos e recebido propostas para integrar um ou outro bloco.
A avaliação dos parlamentares é que, em uma corrida que pode ser apertada, o partido do presidente Lula se torna um “fiel da balança”: quem levar o apoio dos petistas sai em vantagem na disputa.
Até agora, os principais candidatos são: Hugo Motta (Republicanos), Antonio Brito (PSD) e Elmar Nascimento (União Brasil), todos parlamentares de partidos que fazem parte da Esplanada dos Ministérios.
A eleição para a presidência da Câmara será em fevereiro do próximo ano. Além do principal cargo da Casa, outras dez cadeiras estão em disputa: duas vice-presidências e quatro secretarias (com quatro vagas titulares e quatro suplentes). São esses cargos que começam a ser negociados.
PSD se torna o partido com o maior número de prefeituras do país
A proposta de Hugo Motta
De um lado, o deputado Hugo Motta (Republicanos), nome apoiado por Lira para a presidência da Câmara, já ofereceu ao PT o cargo da primeira secretaria – uma espécie de “prefeitura” da Câmara, responsável pelo gerenciamento das despesas da Casa e por aprovar obras e reformas, por exemplo.
Motta se reuniu nesta terça-feira (8) com a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do partido, e com o atual líder da sigla, Odair Cunha(MG) , para apresentar a proposta.
O cargo é melhor que o atualmente preenchido pelo PT na Mesa, de segunda secretaria – que trata de assuntos relacionados a passaportes diplomáticos dos parlamentares. Hoje, a cadeira é ocupada pela deputada Maria do Rosário (PT-RS).
Contudo, a primeira secretaria é, em tese, um cargo menor do que o da primeira vice-presidência – primeiro cargo a substituir o presidente e que elabora pareceres sobre projetos de resolução. Essa função já está prometida ao PL, segundo deputados da legenda.
“Esse é nosso acordo com o Lira para apoiar o candidato dele”, diz o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atualmente segundo vice-presidente da Câmara.
Partido da oposição, o PL é a maior bancada da Câmara, com 99 deputados. O argumento de aliados de Motta é que dificilmente o PT conseguirá uma composição para tirar a primeira vice-presidência do PL.
Segundo parlamentares do grupo de Motta, a intenção é atrair apoio tanto do PL quanto do PT para levar o deputado à vitória.
A proposta do PSD e do União Brasil
Por outro lado, o grupo de Antônio Brito (PSD) e Elmar Nascimento (União Brasil) tenta atrair o apoio da federação do PT com a proposta da primeira vice-presidência. “Ou de qualquer cargo que o PT queira”, diz um aliado.
Elmar contava com o apoio de Lira para sucedê-lo e se sentiu traído com a indicação de Hugo Motta. Com isso, decidiu formar um acordo com Brito: ambos devem seguir suas candidaturas para forçar um segundo turno de votação. Se isso acontecer, eles pretendem se juntar para derrotar Motta.
Segundo parlamentares ligados a Elmar e Brito, a proposta para que o PT assuma a primeira vice-presidência é mais vantajosa tanto para tirar o PL do cargo quanto para ter maior controle das sessões do Congresso. Isso porque quem assume a primeira vice-presidência da Câmara se torna, automaticamente, o vice-presidente do Congresso Nacional.
Além disso, aliados têm dito ao governo que, se um dos dois ganhar, Lula finalmente terá “a base de apoio que sempre sonhou” na Câmara e que sempre esteve “sob ameaça” na gestão Lira.
Cálculo para as escolhas
A costura, contudo, não depende apenas dos candidatos. A escolha para os cargos na Mesa depende de um cálculo que considera tanto o tamanho dos blocos quanto dos partidos – uma espécie de quociente calculado pela Secretaria-Geral da Mesa após a formação destes grupos, que também só acontece em fevereiro, horas antes da eleição.
O maior bloco pode fazer os primeiros pedidos para integrar a Mesa Diretora. E, dentro de um bloco, o maior partido tem preferência.
Por isso, não basta que um ou outro grupo faça promessas ao PT: tanto Motta quanto Elmar e Brito precisam ter condições de garantir essa promessa ao partido. Ou seja, cada grupo precisa garantir o maior bloco, com partidos que elegeram mais deputados.
“O cálculo é literalmente matemático”, diz um deputado que participa das negociações.
Por exemplo, o grupo de Motta deve ter, em seu bloco, Republicanos, PP e PL – garantindo, de largada, um grupo de 186 deputados. Mas eles acreditam que podem ultrapassar o número de 300 parlamentares.
Já o bloco de Brito e Elmar conta, pelo menos, com União Brasil e PSD, mas aposta em outros apoios, como do PDT, do PSB e das federações PSOL/Rede e PSDB/Cidadania. Aliados prometem chegar a quase 260.
Nessa disputa matemática, o apoio do MDB – com 42 deputados – também fará diferença. Como o líder, Isnaldo Bulhões, é amigo próximo de Motta, a tendência é seguir com o deputado. Mas a bancada ainda não está decidida e aliados de Brito acreditam em reverter esse apoio.
A decisão do PT
Aliados dos três candidatos acreditam que o PT só deve bater o martelo sobre quem apoiar mais para frente – tanto para não contaminar a pauta na Câmara quanto para manter o poder de negociação. Mas alguns petistas dizem que “a decisão pode não demorar tanto assim”.
Dentro da bancada do PT, parlamentares afirmam que o partido faz cálculos e estuda as possibilidades, mas quer “a garantia” do que será oferecido.
Reservadamente, um deputado do PT admite que a primeira vice-presidência (promessa do PSD e do União) é “uma pedida relevante”, mas que “é preciso ter certeza daquilo que se oferece para dar” – sugerindo que o grupo de Brito e Elmar pode não ter tanto apoio quanto diz.
“Fazendo as contas, estão oferecendo o que não têm para entregar”, diz. “Gato escaldado tem medo de água fria.”
Questionado se haveria receio da bancada do PT por Hugo Motta ser próximo do senador Ciro Nogueira, que fez parte do governo de Jair Bolsonaro, e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, outro parlamentar petista afirma que “esse não deve ser o elemento a definir o apoio ou não do PT”.
“Por trás do Elmar há Antonio Rueda [presidente do União Brasil] e ACM Neto. Por trás de Brito, há [Gilberto] Kassab [presidente do PSD], que disse o que disse à Globonews”, afirmou o petista, em referência à declaração de Kassab em entrevista a Andréia Sadi de que “seu projeto” é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
“A alternativa seria lançar um nome 100% nosso, do PT, mas sabemos que não temos correlação de forças para isso”, finalizou.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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