Política
Com líderes dos Brics tensionando relações com Ocidente, posição do Brasil fica ‘delicada’, apontam especialistas
Estudiosos ouvidos pelo g1 dizem que, em um contexto global acirrado, os Brics correm o risco de parecer, aos olhos de grandes potências, uma aliança ‘anti-ocidente’. Isso representa desafio para o papel do Brasil. Xi Jinping, Putin e Narendra Modi durante encontro dos Brics na Rússia.
Alexander Kryazhev/Brics via Reuters
Anfitrião da Cúpula dos Brics esta semana, o presidente Vladmir Putin, da Rússia, recebe presidentes para a plenária dos chefes de Estado, nesta quarta-feira (23), na tentativa de mostrar à comunidade internacional de que não está isolado e que tem o apoio de relevantes líderes globais.
A posição de Putin e o caminho que os Brics estão tomando nos últimos anos — em um contexto agravado pela invasão russa à Ucrânia e o protagonismo da Rússia e da China no bloco — tem transformado o grupo, segundo especialistas, em um desafio para a política externa brasileira.
Se, por um lado, o Brasil enxerga no Brics um importante instrumento para uma nova governança global — uma das demandas diplomáticas mais caras ao presidente Lula —; por outro, o país ainda depende de suas alianças com lideranças ocidentais. As potências ocidentais são cada vez mais desafiadas por Putin e Xi Jinping, presidente da China. Ambos são líderes influentes dos Brics.
O Brics, formado originalmente por Brasil, Rússia, China e Índia (África do Sul entrou num segundo momento), foi criado na tentativa de promover o crescimento das economias emergentes e uma reforma em instituições internacionais dominadas por potências ocidentais, com pouco espaço para demandas dos países em desenvolvimento, no entendimento do grupo.
No início do ano, outros países aderiram aos Brics: Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita também integra a lista, mas não concluiu os trâmites para uma adesão formal.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, em um contexto global acirrado, os Brics correm o risco de parecer, aos olhos de grandes potências, uma aliança “anti-ocidente”.
Essa visão que coloca o Brasil em uma “posição delicada no tabuleiro internacional”, já que tradicionalmente o país é ligado ao Ocidente. É o que aponta o professor Guilherme Casarões, de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
“A presença do Brasil bloco pode dificultar a manutenção de canais de diálogo com países ocidentais, sobretudo em temas ligados aos conflitos contemporâneos (Ucrânia, Gaza e, cada vez mais, Venezuela) e esse será um grande desafio brasileiro para os próximos anos”, avalia o especialista.
“Ainda assim, o governo Lula tem conseguido manter uma abordagem construtiva na política internacional, o que se evidencia nos trabalhos do G20, cuja cúpula ocorrerá no Rio de Janeiro, em novembro deste ano”, destaca Casarões.
Começa em Kazan, na Rússia, reunião de cúpula do Brics
É com essa premissa que o presidente deve se dirigir aos demais chefes de Estado do grupo na manhã desta quarta, por videoconferência. Lula viajaria para a Rússia para participar do encontro, mas teve a viagem cancelada por um acidente doméstico.
Países ‘parceiros’
Durante a reunião, o Brics vai discutir a criação de uma categoria de países parceiros. Cerca de 30 nações desejam ingressar pelo novo formato, entre eles Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Cuba, Turquia, Nigéria, Marrocos e Argélia.
Por pressão do Brasil, no entanto, a Venezuela e a Nicarágua ficaram de fora da lista de possíveis parceiros do Brics.
O presidente Lula durante reunião no Alvorada nesta segunda-feira (21)
Ricardo Stuckert/ Palácio do Planalto
A entrada de países pouco democráticos no novo arranjo pode lançar dúvidas sobre os reais objetivos do grupo. Além disso, os Brics já contam, desde a fundação, com Rússia e China, países autoritários.
“Historicamente, somente Brasil e Índia (somados, posteriormente, à África do Sul) são regimes democráticos. Esse quadro se agravou ainda mais com a recente expansão no bloco, que incorporou regimes abertamente autoritários, como Irã, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes”, afirma Guilherme Casarões.
Segundo Vanessa Braga Matijascic, professora de Relações Internacionais da FAAP, “todos os países podem ser candidatos em detrimento de regimes políticos serem democráticos ou autoritários”.
“O que resta a países defensores da democracia, como o Brasil, é tentar minimizar a presença de autoritarismos vindos da própria região e envolvidos em crises políticas, como Venezuela e Nicarágua, o que explica o recente posicionamento do governo Lula de se opor à entrada desses países”, reitera Casarões.
Presidência do Brasil
Ao mesmo tempo, especialistas afirmam que a entrada de novos membros pode fazer com que o grupo diminua a sua “operabilidade”.
De acordo com o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, o Brasil acredita que um grupo muito grande é inoperável e que o peso do país poderá diminuir o movimento de entrada de outras nações.
Na visão dele há, de fato, pontos conflitantes dentro do bloco. Mas, a posição de um país não costuma ser vista pela comunidade internacional como uma visão do grupo em geral.
“A China tem como objetivo aumentar o Brics e projetar seu poder global. O que a China quer é que haja um maior número possível de países, para projetar usa influência. A Rússia tem esse desejo [de contrapor as potências ocidentais], para tentar romper o cerco que sofre hoje por conta da guerra. Enquanto outros países, como Brasil e Índia, não querem ser vistos como ‘anti-Estados Unidos'”, explica.
Segundo ele, o Brics é um bloco geopolítico, “que não converge em todas as posições”.
No próximo ano, o Brasil assume a presidência do Brics e deverá pautar temas que considera as próprias prioridades para política externa. Como combate à fome, desenvolvimento sustentável e redução da desigualdade.
Mas, na visão de Vanessa Braga, o Brasil assume uma “posição pragmática” e busca outros relacionamentos alternativos globais para verificar quais serão as futuras vantagens.
“Contudo, assume o risco de sofrer retaliações comerciais e possível perda de competitividade na venda de produtos para a exportação, como é o exemplo da pressão que a Arábia Saudita sofreu por parte dos Estados Unidos que compra um volume importante de petróleo deste país do Oriente Médio”, destaca a especialista.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


