Economia
Entenda por que dólar, juros futuros e bitcoin dispararam depois da vitória de Donald Trump
Política econômica protecionista defendida pelo presidente eleito pode prejudicar o controle da inflação americana e aumentar o endividamento do país. Taxas de juros mais altas, por mais tempo, ajudam a valorizar a moeda americana. Trump discursa a apoiadores na Flórida, na madrugada desta quarta-feira (6).
Alex Brandon/AP
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos provocou um aumento expressivo nos juros futuros americanos nesta quarta-feira (6) e, como consequência, o dólar também dispara frente a outras moedas no mundo todo.
Os juros futuros indicam a expectativa do mercado financeiro para a taxa básica de juros dos EUA, definida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nos próximos anos. São eles que servem de referência para o rendimento das Treasuries, os títulos públicos americanos.
Como são considerados os produtos de investimento mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades mais altas atraem investidores estrangeiros, que encaminham seus recursos para os EUA e dão força para o dólar.
Durante a manhã, o rendimento das Treasuries de 10 anos (título que representa a expectativa para 10 anos) saltou para o maior patamar em quatro meses, em torno de 4,47%. Na semana passada, quando o mercado projetava uma vitória de Trump, o título havia chegado a 4,388%.
Os rendimentos de dois anos também avançaram, chegando a 4,31%.
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Os juros futuros subiram porque a agenda econômica de Trump prevê maior protecionismo para a indústria americana, com elevação de tarifas para produtos importados.
Isso pode criar uma guerra comercial mais rígida para a China e reduzir as exportações de outros países emergentes que são importantes parceiros comerciais americanos, como Brasil e México, por exemplo. Isso poderia encarecer parte dos preços, pois quanto mais taxas, mais caros ficam os produtos e serviços.
“Já havia um impacto da percepção do risco de vitória do Trump, com a expectativa de que ele possa colocar tarifas de importação. Exportadores de commodities, como o Brasil, também podem ser afetados”, diz o economista Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo Corretora.
Preços mais altos gerariam uma nova pressão na inflação americana, o que pode levar o Fed a manter os juros mais altos para controlar os preços. Hoje, as taxas estão entre 4,75% e 5% ao ano. O resultado das Treasuries mostra que o mercado espera justamente que as taxas fiquem maiores por mais tempo.
Além disso, espera-se uma redução da arrecadação dos EUA com diminuição de impostos para empresas americanas. Na teoria, menos impostos poderiam segurar os preços de produtos nacionais. Mas há sempre a possibilidade de empresários só transformarem o desconto para fazer caixa.
Com isso, os investidores temem que a arrecadação federal menor diminua a capacidade do governo em cobrir o pagamento da dívida. Isso também gera aumento dos juros futuros, pois é preciso ter um prêmio maior para que o investidor empreste dinheiro ao governo dos EUA.
“Desta forma, investidores farão a opção de investir nos EUA com as taxas das Treasuries (títulos públicos americanos, considerados os mais seguros do mundo) mais altas”, diz Alexandre Viotto, chefe da mesa de câmbio da EQI Investimentos.
Nesse cenário de taxas mais altas das Treasuries, o índice DXY — que mostra qual a variação do dólar em relação a uma cesta de moedas de outros países (como euro, iene, libra esterlina e dólar canadense) — tinha alta de cerca 2% pela manhã desta quarta-feira.
No Brasil, o dólar bateu os R$ 5,8619 na máxima do dia, mas perdeu força ainda pela manhã. Às 10h30, operava em alta de 0,63%, cotado a R$ 5,7827. (saiba mais abaixo)
Fernando Haddad avaliou a vitória de Trump
Real mais desvalorizado
Por aqui, há um agravante que aumenta a cautela dos investidores há algum tempo, que é a condução das contas públicas brasileiras.
O dólar já ganhava força na semana passada com esse processo em que investidores já aplicam o dinheiro, antecipando que Trump tinha mais chances de ganhar a eleição (chamado de “Trump Trade”). Mas o real se desvalorizou ainda mais porque o governo federal deixou de anunciar medidas de corte de gastos para controlar a dívida pública brasileira.
Quando os gastos públicos estão elevados, acima das receitas do governo (gerando déficit público), o mercado passa a desconfiar da capacidade do país de arcar com suas dívidas no médio e longo prazo.
Esse risco mais alto faz com que investidores esperem juros também mais altos para trazerem seus recursos para o Brasil. O resultado dessa demanda por taxas maiores foi a saída ainda mais forte de dólares do país na última semana, enfraquecendo o real.
Havia uma grande expectativa do mercado financeiro de que a equipe econômica do governo federal apresentasse algum pacote de cortes nos gastos públicos ainda na semana passada, logo após o segundo turno das eleições municipais no Brasil. Isso não aconteceu.
A equipe econômica do governo venha afirmando que está discutindo os gastos — o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, inclusive que o governo está na “reta final” das definições dos cortes.
Porém, enquanto não há definição de quais despesas serão cortadas, o dólar deve continuar subindo com mais força, aliado à eleição de Trump. “Quanto mais tempo passa, mais o mercado vai se protegendo”, diz Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos.
Agora, os investidores esperam o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que anuncia a nova taxa básica de juros do Brasil no fim do dia. A expectativa é de alta de 0,50 ponto percentual, levando o juro brasileira a 11,25% ao ano.
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Bitcoin bate recorde
O bitcoin, criptomoeda mais popular do mundo, também dispara nesta quarta-feira (6) e renova seu maior patamar histórico, sendo negociado próximo dos US$ 74 mil, com a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.
Às 11h30, o bitcoin registrava alta de cerca 7% e era vendido a US$ 74.317. Na máxima do dia, a moeda subiu 8,63%, ultrapassando os US$ 75 mil.
No Brasil, a alta da criptomoeda era ainda mais expressiva, de mais de 11%, vendida a quase R$ 443 mil — a cotação também considera o câmbio de real para dólar.
A vitória do candidato republicano sobre a democrata Kamala Harris também impulsiona outras criptomoedas pelo mundo, como o ethereum, a solana e a BNB, alguns dos principais criptoativos da atualidade.
Isso porque Donald Trump tornou-se um defensor ferrenho das criptomoedas, e investidores esperam que o político adote medidas que favoreçam esse mercado durante seu mandato.
No fim de julho deste ano, durante sua campanha eleitoral, Trump participou da conferência Bitcoin 2024 e disse aos participantes do evento que eles seriam “muito felizes” com uma eventual vitória sua.
“Se a criptografia vai definir o futuro, quero que seja extraída, cunhada e fabricada nos Estados Unidos”, disse o republicano.
Essa postura favorável às criptomoedas foi uma mudança nos discursos de Trump. Há alguns anos, ele se manifestava publicamente contra esse tipo de ativo.
Em um post no X (antigo Twitter) em 2019, Trump afirmou que não era “fã” do bitcoin e de outras criptomoedas, dizendo que esses ativos “não são dinheiro e cujo valor é altamente volátil e baseado no ar”.
“Ativos criptográficos não regulamentados podem facilitar comportamento ilegal, incluindo comércio de drogas e outras atividades ilegais”, disse o republicano à época.
A mudança de postura, segundo especialistas ouvidos em reportagem do g1, é consequência de uma mudança do perfil do eleitorado norte-americano, que tem cada vez mais criptomoedas.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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