Economia
‘Perdi US$ 6 mil, mas há quem ganhou muito dinheiro’: a criptomoeda que virou escândalo para Javier Milei
Um dos prejudicados pelo investimento na nova criptomoeda difundida pelo presidente argentino Javier Milei conta sua experiência. Clemente Varas Collado é um dos afetados pelo ‘mega golpe das criptomoedas’ na Argentina
BBC
No momento em que o presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou em suas redes sociais o lançamento de uma nova criptomoeda, Clemente Varas Collado, de 25 anos, investiu US$ 12 mil (R$ 68,4 mil) rapidamente.
Algumas horas depois, Clemente havia perdido a metade.
“Achei que a $LIBRA era uma versão mais segura porque foi promovida pelo presidente argentino. Não parecia uma memecoin [criptomoeda originada de um meme da internet], mas algo mais sério”, diz à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o investidor chileno radicado em Miami.
De acordo com uma denúncia penal apresentada na segunda-feira (17/2) na Argentina, Milei teria integrado uma “associação ilícita” que gerou prejuízo a “mais de 40 mil pessoas, com perdas superiores a US$ 4 bilhões”. Milei nega as acusações e afirma que não são mais de 5 mil as pessoas afetadas.
“O mundo das criptomoedas entrou em colapso depois disso. Muitas pessoas perderam muito dinheiro”, diz Varas, que visitou Buenos Aires em outubro passado para participar do Argentina Fintech Forum 2024, um evento da indústria de tecnologia financeira.
“Milei é alguém que é muito respeitado no mundo das criptomoedas”, diz ele, e afirma que isso afeta negativamente a imagem internacional do presidente argentino no mundo das finanças.
De todo modo, para ele não se trata de uma tentativa de fraude por parte do mandatário, mas sim de uma possível falta de informação. Algumas horas depois, a primeira entrevista com Milei foi publicada na imprensa local após o escândalo.
Nela, o presidente disse: “Se você vai ao cassino e perde dinheiro, qual é a reclamação, se você sabia que ele tinha essas características?”
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BBC News Mundo – Por que você investiu nessa criptomoeda?
Clemente Varas Collado – Porque na sexta-feira à tarde, vi que Milei estava promovendo-a em sua conta do X [antigo Twitter].
Pensei que fosse outra versão das memecoins de Donald Trump, que era um projeto apoiado por Milei para explorar o mundo das criptos, e pensei que a $LIBRA fosse parte desse plano.
Então, com toda essa informação, decidi comprar essa moeda e investir dinheiro.
BBC News Mundo – Você perdeu muito dinheiro?
Varas – Perdi a metade. Investi US$ 12 mil. Tenho amigos que perderam até US$ 100 mil, pessoas que tinham ido muito bem com as moedas de Trump.
BBC News Mundo – O risco do investimento era muito alto…
Varas – É o mais arriscado que existe no mundo das criptomoedas. Esse tipo de moeda pode cair ou subir muito em poucas horas. A maioria vai a zero em poucos dias.
Por isso, quero ressaltar que somos responsáveis por todas as coisas que fazemos. E é muito arriscado comprar essas moedas. Elas podem subir de preço muito rápido ou cair de preço muito rápido.
BBC News Mundo – De novo, por que você investiu?
Varas – Porque já tinha investido na criptomoeda de Trump. Essa foi a primeira vez que tivemos um presidente criando uma moeda enquanto estava no cargo.
Pensei que fosse algo parecido. Pensei que fosse uma versão do bitcoin, mas mais segura.
Pensei que me sairia melhor porque estava relacionado a Milei. Ou seja, à primeira vista, não era uma memecoin, mas algo mais sério.
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BBC News Mundo – Você já conhecia Milei?
Varas – Sim. E eu gostava dele. Todos diziam que ele estava fazendo um bom trabalho. Eu o via de uma maneira muito positiva.
BBC News Mundo – Ele te passava confiança?
Varas – Sim, Milei é alguém respeitado no mundo das criptomoedas.
Em outubro passado, estive em Buenos Aires, em uma conferência de blockchain [tecnologia de registro digital descentralizado], onde algumas pessoas que estavam muito envolvidas no tema me disseram que estavam se comunicando com a equipe de Milei para criar a moeda.
BBC News Mundo – Na sua opinião, a divulgação do $LIBRA foi uma fraude?
Varas – Não, não acho que tenha sido uma fraude de Milei com o mundo das criptos. Acho que foi do criador [da criptomoeda].
Acredito que Milei não entende bem o mundo das criptos.
Penso que Milei não entendeu muito bem e disse “vamos fazer isso”, e depois entendeu a magnitude de promover uma criptomoeda como essa.
BBC News Mundo – Então, o presidente não entendeu o que estava compartilhando em suas redes?
Varas – Há duas opções. A primeira é que fizeram uma fraude com ele, que se encontrou com essa equipe e não sabia o que estava acontecendo. Se essa for a justificativa de Milei, então ele está demostrando incompetência em um tema importante.
A segunda opção é que ele diga que foi um experimento, que estavam testando e não deu certo. Mas aí ele mentiu na sexta-feira, quando disse que não tinha nada a ver com isso.
Então, ou ele diz que foi enganado ou diz que realmente tinha algo a ver com isso. É uma situação muito complicada para ele.
BBC News Mundo – Muitos falam de um rug pull, que é quando os promotores de uma criptomoeda atraem compradores só para interromper a atividade comercial, sair e ficar com o dinheiro. Você vê dessa forma?
Varas – Olha, eu não sei. Não acho que ele tenha entendido o que estava fazendo.
Acredito que ele publicou esse tuíte e, algumas horas depois, alguém falou com ele, imagino que alguém da sua equipe, e explicou melhor o que estava acontecendo. Depois ele apagou e fiquei muito surpreso.
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BBC News Mundo – Você acha que o escândalo que estamos vendo enfraquece o mundo das criptomoeadas?
Varas – O mundo das criptomoedas colapsou depois disso. Muitas pessoas perderam muito.
Mas o mais difícil foi que havia pessoas que compraram essa moeda antes de Milei publicar o tuíte. E ganharam. Ganharam muita, muita grana.
As pessoas que ganharam tinham uma vantagem porque sabiam disso antes, sabiam que vinha uma moeda da Argentina.
Então elas estavam esperando e, quando viram que era essa, compraram imediatamente e ganharam.
BBC News Mundo – Qual a conclusão que você tira de tudo isso?
Varas – Acho que estamos aprendendo que esse mundo das memecoins não é tão justo quanto parecia; nem todos competem com a mesma informação, com os mesmos recursos. Existem pessoas que têm uma vantagem gigante.
Ou seja, se você não tem a informação privilegiada, está jogando um jogo com uma desvantagem muito grande.
Esta reportagem foi escrita e revisada por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA na tradução, como parte de um projeto piloto.
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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