Economia
Concorrência maior e pressão sobre Europa: entenda como ‘tarifaço’ de Trump preocupa setor de hortifrúti brasileiro
Para pesquisadores do Cepea, pode haver uma pressão maior para exportar frutas ao bloco europeu, elevando a concorrência entre os fornecedores destes alimentos. Tarifaço pode comprometer comércio de uva e manga entre Brasil e norte-americanos.
Rejane Paludo/Emater-RS
O “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para produtos importados de 185 países gera preocupações no setor brasileiro de hortifrúti. As informações constam em boletim do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), do Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
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Segundo pesquisadores da equipe Hortifrúti/Cepea, o fato de as frutas ficarem “mais caras” para entrar nos Estados Unidos pode comprometer o pequeno comércio que hoje o Brasil tem com os norte-americanos – principalmente de uva e manga.
Outra preocupação é sobre a necessidade de uma reorganização dos envios dos principais concorrentes do Brasil – o México, por exemplo, pode direcionar grande parte das vendas que seriam aos Estados Unidos para a União Europeia.
Com isso, pesquisadores do Hortifrúti/Cepea explicam que pode ocorrer uma pressão maior para exportar frutas ao bloco europeu, elevando a concorrência entre os fornecedores destes alimentos.
‘Faltam informações de como funcionará’
Assim, pesquisadores do Hortifrúti/Cepea sugerem avaliar se os concorrentes do Brasil que são importantes fornecedores de frutas nos Estados Unidos estão sendo taxados com maiores porcentagens.
“Chile e Peru, por exemplo, também foram tarifados com 10%, e África do Sul, com 30%. Se houver taxas de importação já acordadas antes do tarifaço de 2 de abril, vão se somar à essa nova tarifa. Apesar de não mencionar o México na lista divulgada no dia 2 de abril, grande fornecedor de frutas paras os Estados Unidos, tudo indica que prevalece o anuncio anterior dos 25%, mas faltam informações de como funcionará especificamente para as frutas”, apontam os pesquisadores.
De acordo com dados do Comex Stat, do total de manga exportado pelo Brasil em 2024, de 258 mil toneladas, 14% tiveram como destino os EUA. Do montante de uva, de 59 mil toneladas, foram 23%.
Das exportações brasileiras totais de frutas de mesa, apenas 6%, ou 63 mil toneladas, foram enviadas aos norte-americanos.
Produção de manga
Acervo/Seiva do Vale
Entenda o ‘tarifaço’ de Trump
Na última quarta-feira (2), Trump determinou que o país passará a cobrar uma taxa de, no mínimo, 10% sobre os produtos importados do Brasil, a partir deste sábado (5).
Chamada pelo republicano de “Dia da Libertação”, a data do anúncio marcou o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
“Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história americana. É nossa Declaração de independência econômica”, afirmou o presidente norte-americano.
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
Câmara aprova Lei da Reciprocidade, em resposta a ‘tarifaço’ de Trump
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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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