Economia
Trump chama tarifas de ‘remédio’ e diz que países terão que pagar ‘muito dinheiro’ para suspensão
Nesta segunda (7), as ações asiáticas despencaram. Falando a repórteres a bordo do Air Force One, Trump indicou que não estava preocupado com as perdas. Trump
Getty Images/Via BBC
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os países terão que pagar “muito dinheiro” para que tarifas sejam suspensas. Ele também caracterizou os encargos como um “remédio”.
Falando a repórteres a bordo do Air Force One no domingo (6), Trump indicou que não estava preocupado com as perdas que já apagaram trilhões de dólares em valor dos mercados acionários ao redor do mundo.
“Eu não quero que nada caia. Mas, às vezes, é preciso tomar um remédio para consertar algo”, disse ele ao retornar de um fim de semana de golfe na Flórida.
Trump disse que conversou com líderes da Europa e da Ásia durante o fim de semana, que esperam convencê-lo a reduzir as tarifas, que podem chegar a até 50% e devem entrar em vigor nesta semana.
“Eles estão vindo para a mesa. Querem conversar, mas não há conversa a menos que nos paguem muito dinheiro anualmente”, afirmou Trump.
O anúncio das tarifas por Trump na semana passada abalou economias ao redor do globo, provocando tarifas retaliatórias da China e alimentando temores de uma guerra comercial global e uma recessão.
As ações asiáticas registraram fortes perdas nas negociações iniciais, e os futuros das bolsas americanas abriram em queda acentuada, à medida que os investidores manifestaram preocupação de que as tarifas de Trump possam levar a preços mais altos, demanda mais fraca, menor confiança e, potencialmente, a uma recessão global.
Investidores e líderes políticos têm dificuldades para saber se as tarifas de Trump vieram para ficar, se são parte de um novo regime permanente ou apenas uma tática de negociação para obter concessões de outros países.
Nos programas de entrevistas de domingo pela manhã, os principais assessores econômicos de Trump tentaram apresentar as tarifas como uma reconfiguração inteligente da posição dos EUA na ordem comercial global.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que mais de 50 países iniciaram negociações com os EUA desde o anúncio da última quarta-feira. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse no programa Face the Nation, da CBS News, que as tarifas permanecerão em vigor “por dias e semanas”.
O Japão, um dos aliados mais próximos de Washington na Ásia, é um dos países que esperam conseguir algum acordo, mas seu líder, Shigeru Ishiba, disse na segunda-feira que os resultados “não virão da noite para o dia”.
Os investidores, no entanto, não estão esperando.
Enquanto Ishiba falava no parlamento, o índice Nikkei de Tóquio (.N225) despencava para o nível mais baixo em um ano e meio, liderado pelas ações dos bancos do país — alguns dos maiores credores em ativos do mundo — que já perderam quase um quarto de seu valor de mercado nos últimos três dias de negociação.
A liquidação ampla do mercado vista nesta segunda-feira ocorre à medida que os investidores apostam que o crescente risco de recessão pode levar o Federal Reserve a cortar as taxas de juros já em maio.
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, tentou acalmar os temores de que as tarifas fossem parte de uma estratégia para pressionar o Fed a reduzir as taxas de juros, dizendo que não haverá “coerção política” sobre o banco central.
Economistas do JPMorgan agora estimam que as tarifas resultarão em uma queda de 0,3% no PIB anual dos EUA, em comparação com uma estimativa anterior de crescimento de 1,3%, e que a taxa de desemprego subirá de 4,2% para 5,3%.
O bilionário gestor de fundos Bill Ackman, que apoiou a candidatura de Trump à presidência, disse que Trump está perdendo a confiança dos líderes empresariais e alertou para um “inverno nuclear econômico” a menos que ele dê uma pausa.
Negociações sobre tarifas
Agentes alfandegários dos EUA começaram a cobrar a tarifa unilateral de 10% de Trump sobre todas as importações de muitos países no sábado. Tarifas “recíprocas” mais altas, variando de 11% a 50%, para países específicos, devem entrar em vigor na quarta-feira, às 12h01 (horário de Nova York) / 4h01 GMT.
Alguns governos já sinalizaram disposição para negociar com os EUA e evitar os encargos.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, ofereceu no domingo tarifas zero como base para negociações com os EUA, comprometendo-se a remover barreiras comerciais e dizendo que as empresas taiwanesas aumentarão seus investimentos nos Estados Unidos.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que buscará isenção de uma tarifa de 17% sobre os produtos do país durante uma reunião planejada com Trump nesta segunda-feira.
Um funcionário do governo indiano disse à Reuters que o país não pretende retaliar contra uma tarifa de 26% e que as conversas com os EUA sobre um possível acordo já estão em andamento.
Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni — aliada de Trump — prometeu no domingo proteger as empresas que sofrerem com os danos causados por uma tarifa planejada de 20% sobre produtos da União Europeia.
Produtores de vinho italianos e importadores americanos presentes em uma feira de vinhos em Verona no domingo disseram que os negócios já desaceleraram e temem danos mais duradouros.
O líder vietnamita To Lam concordou, em uma ligação telefônica com Trump na sexta-feira, em discutir um acordo para remover as tarifas, após o centro industrial do Sudeste Asiático ter sido atingido com algumas das taxas mais altas do mundo.
Trump chamou a conversa de “muito produtiva”.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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