Política
Governo lança programa para tentar reduzir espera por médicos especialistas no SUS
Novo programa prevê parceria com clínicas e hospitais privados e promete criar centro de referência ao tratamento de câncer no Brasil Governo federal lança programa que promete reduzir filas no SUS
Ricardo Stuckert/Flickr
Para reduzir a fila de espera por consultas com especialistas no SUS, o governo federal lançou nesta quinta-feira (30) um conjunto de medidas que inclui mutirões, uso da rede privada e telessaúde.
O pacote, batizado de “Agora Tem Especialistas”, prevê a contratação de clínicas particulares, ampliação dos turnos nos hospitais públicos, carretas com atendimento móvel e transporte de pacientes até os serviços. A promessa é de até 4,6 milhões de consultas e 9,4 milhões de exames por ano.
As ações estão previstas em Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foram anunciadas para enfrentar um cenário crítico: longos deslocamentos de pacientes, desigualdade regional na distribuição de médicos e agravamento de doenças pela demora no diagnóstico. Segundo dados citados pelo Ministério da Saúde, apenas 10% dos especialistas atendem exclusivamente no SUS.
Durante apresentação no Palácio do Planalto, o ministro Alexandre Padilha destacou as principais bases de ação do programa: parcerias com hospitais e clínicas privadas, a criação de um centro de diagnóstico de câncer e a abertura de 3 mil vagas para residência médica.
Veja abaixo os destaques:
Atendimento especializado complementar
A partir de agora, o governo federal terá autorização para apoiar estados e municípios a prestar atendimento especializado complementar. Segundo Padilha, será aberto um credenciamento contínuo para clínicas, hospitais e ambulatórios privados, com um investimento de R$ 2 bilhões por ano.
A União autorizará gestores municipais e estaduais a aderir a esse credenciamento, permitindo que contratem esses serviços de forma mais ágil. Caso não consigam, o governo federal também poderá efetuar essa contratação.
Ampliação da atuação da AGSUS
A AGSUS (Atuação da Agência Brasileira de Gestão de Saúde), que atualmente só pode contratar serviços privados em território indígena, terá sua atuação ampliada. Com a nova medida, segundo o Ministério, a Agência poderá fazer contratações de serviços de saúde em outras áreas necessitadas.
Ampliação dos turnos de atendimento
O programa prevê, ainda, a ampliação dos turnos para agendar consultas e cirurgias eletivas. Policlínicas passarão a oferecer atendimento e diagnóstico de alta complexidade também aos sábados e domingos e, além disso, o tratamento de câncer terá o horário estendido.
Parceria com rede privada
Ainda segundo a Pasta, será criado um mecanismo que permitirá a troca de ressarcimento de planos de saúde por procedimentos.
Atualmente, quando um usuário de plano de saúde utiliza o SUS, o plano deve pagar uma taxa ao governo. Com a Medida Provisória, esse ressarcimento poderá ser trocado por cirurgias, diagnósticos e consultas com especialistas, possibilitando que beneficiários do SUS sejam atendidos em hospitais privados.
Mais telemedicina
O programa investirá na expansão da telessaúde, que, ainda de acordo com Padilha, já demonstrou reduzir em 30% a necessidade de consultas presenciais. Essa ferramenta permitirá diagnósticos à distância e transmissão de lâminas para análise, e tem o intuito de aproximar grandes centros especializados de cidades pequenas, encurtando o tempo de espera por consultas e exames especializados.
Criação de centro de câncer
O Ministério da Saúde promete investir em 121 novos aceleradores para tratamento de radioterapia, dos quais seis já foram entregues. O AC Camargo Cancer Center, reconhecido por sua excelência internacional, integrará oficialmente um programa com o Ministério, alocando recursos para tratamento, gestão e atendimento, por meio do Proadi (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).
Com a entrada do AC Camargo, Padilha diz que será criado um “super centro Brasil de diagnóstico para o câncer”. “Uma das grandes dificuldades no atendimento oncológico é a biópsia, devido à baixa quantidade de patologistas clínicos no país (cerca de 500 em 2024, contra 2 mil em 2013)”, diz ele.
Em parceria com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) e o AC Camargo, será montado um centro para realizar diagnósticos a distância para todo o Brasil, com capacidade de emitir de 1.000 a 3.000 laudos por dia.
Vagas para residência médica
Para combater a disparidade na distribuição de especialistas no país (onde alguns estados têm seis vezes mais especialistas que outros), o programa promete investir na formação e especialização de médicos. “Serão abertas 3 mil novas vagas de residência médica”, diz o ministro.
Unidades móveis para regiões desassistidas
O programa diz que vai disponibilizar 150 carretas com especialistas, equipamentos para exames, minicirurgias e biópsias, que levarão atendimento a regiões desassistidas, incluindo paradas para caminhoneiros.
O Ministério da Saúde afirma que vai comprar novas ambulâncias, vans e micro-ônibus, utilizando recursos remanejados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde. “Isso permitirá a criação de unidades móveis e a organização de mutirões para atender áreas com menor cobertura assistencial”, diz Padilha.
Comunicar tempo de espera
“A partir de agora, 90 mil pessoas que entraram na fila de regulação do SUS começarão a receber mensagens diretas do Ministério da Saúde sobre o programa, o status de seu atendimento e se o procedimento já foi realizado”, afirma o ministro.
Ele prevê que, a partir de agosto, a mesma comunicação será estendida para quem realizar cirurgias, utilizando também o aplicativo Meu SUS Digital.
“Todos os prestadores de serviço que utilizam recursos do SUS terão de alimentar um banco de dados de saúde do Ministério, permitindo um monitoramento mais transparente dos tempos de espera, como por exemplo, a média de espera para cirurgias oftalmológicas, um dado atualmente indisponível.”
Atenção primária
O ministro diz que atenção primária forte, com capacidade de resolver casos e fazer encaminhamentos adequados, é fundamental para reduzir o tempo de espera no atendimento especializado.
Medidas do programa reforçam e ajudam a atenção primária a interagir e se integrar com outros níveis de atenção, com investimentos do PAC da Saúde, como R$ 1,5 bilhão para compra de equipamentos. Além disso, 28 mil médicos do programa Mais Médicos acompanharão esses pacientes.
Nisia Trindade, ex-ministra da Saúde
Carolina Antunes/Ministério da Saúde
Lula agradece Nísia e chora
Após a apresentação do programa, o presidente Lula discursou e agradeceu a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade. “Metade de tudo isso aqui ou um pouco mais é responsabilidade dela. Foi um erro meu não convidá-la para estar aqui hoje”, disse o presidente.
“Esse programa é um sonho da minha vida. Muita gente ainda morre no Brasil. Todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas se a gente puder garantir o retardamento da morte, temos obrigação de fazer isso.”
A Medida Provisória só entra em vigor ao ser publicada no Diário Oficial da União”e precisa ser aprovada por deputados e senadores em até 120 dias. Caso não seja aprovada, a MP perde a validade.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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