Economia
Quais setores brasileiros mais perdem com novas tarifas de Trump
Taxação de 50% acontece em um momento em que o Brasil batia recorde de exportações aos Estados Unidos. Empresas como Embraer exportam aeronaves para os EUA e podem ser afetadas
Getty Images via BBC
O anúncio de tarifas de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos — feito em carta enviada por Donald Trump a Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (9) — acontece em um momento em que o Brasil batia recorde de exportações aos EUA, mesmo diante de tarifas americanas que já estão em vigor contra produtos brasileiros desde abril.
Agora, diversos setores já estão preocupados com os efeitos de uma possível guerra comercial entre Brasil e EUA, já que o governo brasileiro sugeriu que pretende retaliar, impondo tarifas sobre produtos importados americanos. E Trump anunciou que retaliações brasileiras seriam seguidas de mais tarifas americanas.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) — entidade sediada no Brasil que reúne empresas brasileiras e americanas com atuação nos dois países — divulgou no mês passado que as exportações brasileiras para os EUA atingiram US$ 16,7 bilhões no acumulado dos primeiros cinco meses desse ano.
Isso representa um aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2024 e estabelece um recorde para o período.
Segundo a Amcham Brasil, esse recorde de exportações brasileiras reforça “o papel estratégico dos EUA como principal destino de bens industrializados brasileiros”.
Governo estuda retaliação após Trump anunciar tarifa de 50% ao Brasil
O Brasil também comprou mais dos EUA nesse período. As compras somaram US$ 17,7 bilhões — um aumento de 9,9% em relação a 2024. Ainda assim, o Brasil teve prejuízo na relação comercial — o que contradiz Trump, que em sua carta fala que os EUA têm “déficits comerciais insustentáveis ” com o Brasil.
Nesses meses, houve um aumento nas tensões comerciais — com o anúncio de diversas tarifas por Trump, e temores de uma guerra comercial generalizada no mundo.
Em 2 de abril, Trump anunciou tarifas contra praticamente todos os parceiros comerciais americanos. Alguns países receberam tarifas mais altas — já o Brasil recebeu a menor alíquota, de 10%, aplicada à maioria dos países. Essa tarifa entrou em vigor três dias depois. O Brasil optou por não retaliar.
A Amcham notou que, mesmo com aumento de tarifas, Brasil e EUA continuaram comprando e vendendo mais produtos nesse período, batendo um novo recorde.
“Mesmo em um cenário mais desafiador, o comércio bilateral tem se mostrado resiliente, com crescimento consistente nas trocas entre os dois países. Isso reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico para atender às demandas da indústria e dos consumidores norte-americanos — e vice-versa”, disse Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Agora, o Brasil se vê diante da possibilidade de tarifas de 50% sobre todos seus produtos exportados aos EUA a partir de 1º de agosto.
Setores ameaçados
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), hoje há 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e 2.962 empresas brasileiras com presença nos EUA.
A CNI estima que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil.
Entre janeiro e maio, 79% das exportações brasileiras para os EUA foram compostas por bens industriais, como aeronaves, combustíveis, alimentos processados, químicos e máquinas — alguns deles de alto valor agregado, segundo dados da Amcham.
Os produtos que tiveram maior aumento nas exportações foram carne bovina (alta de 196%), sucos de frutas (96,2%), café (42,1%) e aeronaves (27%).
Segundo a câmara de comércio, esses produtos conseguiram manter a competitividade no mercado dos EUA mesmo diante de ameaça de tarifas. A entidade atribuiu isso à competitividade brasileira, mas também a um aumento de demanda nos EUA e questões climáticas que tem afetado a produção doméstica americana, especialmente no caso de carnes e sucos.
Dados da Agência Brasil indicam que setores brasileiros que mais exportam para os EUA são de petróleo bruto, minério de ferro, aço, máquinas, aeronaves, produtos eletrônicos, além de açúcar, café, suco de laranja e carne. Empresas brasileiras com grandes vendas aos EUA incluem Embraer e Petrobras.
Carne bovina brasileira também pode ser impactada
Getty Images via BBC
Alguns setores já tiveram retração nas vendas para os EUA com a tarifa de 10% — e podem sofrer ainda mais caso se concretize a nova tarifa de 50%.
É o caso de celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia. A Amcham atribui isso às tarifas de até 10% e também à concorrência de países com acesso preferencial aos EUA — como o Canadá.
Outros setores da indústria brasileira já vem sofrendo com tarifas de 50%. É o caso do aço e alumínio, que passaram a ser taxados com essa alíquota no mês passado.
Entre janeiro e maio, houve aumento de volume e valor exportado — 7,3% e 28,4% respectivamente — de aço semiacabado. Mas analistas dizem que já é possível observar que pode estar havendo um declínio nos embarques aos EUA e ainda aguardam para observar os efeitos das tarifas sobre o aço e o alumínio.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê “muitos prejuízos” caso haja uma quebra na relação comercial entre Brasil e EUA.
Segundo a entidade, quem mais deve sofrer é o setor de insumos produtivos, que representam 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.
“Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3° principal parceiro comercial do Brasil [atrás da China e União Europeia] e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira”, diz nota da CNI.
“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.
A CNI diz que os EUA mantêm superávit com o Brasil há mais de 15 anos, e que o Brasil é um dos poucos países em que a balança comercial é favorável aos EUA.
A Confederação também alega que a tarifa real de importação do Brasil a produtos americanos era de 2,7% em 2023 — cerca de um quarto da tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Economia
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Economia
Memes: Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e anima a internet
Goleiro paraguaio Orlando Gill defende pênalti contra alemão Nick Woltemade
Reuters/Pilar Olivares
O Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. A eliminação da seleção europeia gerou memes nas redes sociais.
Nas redes sociais, muitos destacaram o desempenho do goleiro paraguaio Gill contra o alemão Neuer, enquanto outros mostraram a torcida pela seleção sul-americana.
Veja os memes:
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