Economia
Venezuela elevou tarifas para o Brasil? O que se sabe sobre taxas para produtos brasileiros
Venezuela elevou tarifas para o Brasil? O que se sabe sobre taxas para produtos brasileiros
AFP via BBC
Empresas brasileiras que exportam para a Venezuela tem relatado, na última semana, dificuldades em concluir negociações comerciais com o país vizinho.
Isso porque a Venezuela teria retirado um benefício fiscal previsto em um acordo bilateral assinado pelos países em 2012.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) afirma que, desde 18 de julho, vem recebendo relatos de empresários surpresos com a cobrança de tarifas para importação de produtos brasileiros, antes isentos.
“Recebemos a informação diretamente dos empresários porque somos responsáveis por emitir os certificados de origem, que garantem que os produtos brasileiros entrem com tarifa zero na Venezuela. Mas, mesmo com o certificado, os produtos estão sendo tarifados”, afirmou Ivan Gonzalo, analista de comércio exterior da Fier.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que tem acompanhado, em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os relatos dos exportadores brasileiros na Venezuela.
“A Embaixada do Brasil em Caracas está apurando, junto às autoridades venezuelanas responsáveis, elementos para esclarecer a natureza da situação, com vistas à normalização da fluidez no comércio bilateral, regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países.”
O ACE 69, firmado durante o processo de entrada da Venezuela no Mercosul, garante tarifa zero para centenas de produtos exportados entre os dois países, desde que acompanhados de certificado de origem. O país, no entanto, foi suspenso do bloco em 2017.
Relatos enviados pela Câmara de Comércio de La Guaira ao governo venezuelano apontam que, desde 17 de julho, o sistema aduaneiro do país deixou de aplicar automaticamente os benefícios previstos nos acordos comerciais com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Já a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima informou, em ofício à embaixadora do Brasil em Caracas, que os agentes aduaneiros deixaram de conseguir registrar os certificados de origem no sistema, o que fez com que o imposto passasse a ser cobrado.
“Não houve publicação de norma nem aviso do governo venezuelano. Por isso, ainda não sabemos se foi uma decisão deliberada ou um erro burocrático”, afirmou Gonzalo.
Veículos locais noticiaram que as alíquotas cobradas pelo país vizinho, antes isentas, variam de 15% a 77%, mas a Fier não confirmou os valores à reportagem.
“Quem paga a tarifa é o importador, ou seja, o empresário venezuelano. Por isso, até agora não temos informações precisas sobre qual tipo de taxação está sendo aplicada nem qual seria o percentual”, explicou o analista da federação.
Com indefinição sobre os valores cobrados, empresas brasileiras estariam suspendendo temporariamente os envios à Venezuela.
“Na prática, muitos importadores paralisaram os pedidos enquanto não entendem qual tarifa vão pagar. Isso afeta toda a cadeia”, relatou Gonzalo.
Volume de negócios com a Venezuela
Em 2024, o comércio entre o Brasil e a Venezuela atingiu US$ 1,6 bilhão, sendo US$ 1,2 bilhão em exportações brasileiras, o que representa apenas 0,4% do total exportado pelo país. Entre os principais produtos comercializados estão açúcares e melaços, produtos comestíveis e preparações, e milho.
O país tem peso, no entanto, para as exportações de Roraima. Em 2024, o Estado exportou US$ 313,9 milhões em mercadorias. Desse montante, R$ 144,7 milhões foram destinados ao país vizinho — ou seja, 46,1%.
Os principais produtos vendidos são alimentos, como óleo de soja, margarina, farinha de trigo e compostos lácteos, muitos deles produzidos em outros Estados, mas escoados por empresas com sede em Roraima.
“Apesar de estar em crise, a Venezuela continua sendo um grande cliente, principalmente para o Norte do Brasil. Com a desestruturação do setor produtivo local, o país vem adquirindo alimentos e produtos básicos do Brasil. É um parceiro importante”, avaliou Gonzalo.
“É fundamental que o Brasil inicie rapidamente um diálogo diplomático para remover essas barreiras. Mesmo que pareçam pontuais, elas precisam ser tratadas dentro das normas dos acordos internacionais firmados entre os dois países.”
A Fier informou que já comunicou o problema ao Ministério das Relações Exteriores e ao MDIC.
“Cabe agora ao governo federal buscar explicações junto às autoridades venezuelanas. Ainda não está claro o que motivou essa cobrança, nem se há, de fato, um descumprimento do ACE 69.”
O Governo de Roraima afirmou em nota que acompanha com preocupação as informações sobre a elevação da alíquota do imposto ad valorem por parte do governo venezuelano, que atinge diretamente produtos de origem brasileira exportados por Roraima.
“Qualquer medida que encareça os produtos brasileiros no mercado venezuelano afeta significativamente a competitividade das nossas mercadorias, com impacto direto sobre os empresários locais, o agronegócio, a geração de empregos e, por consequência, a arrecadação estadual”, afirma o texto.
A BBC News Brasil entrou em contato com a Embaixada da Venezuela no Brasil. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta oficial sobre a adoção de tarifas ou retirada de isenção fiscal para produtos brasileiros.
Tarifaço de Trump: Lula diz que Alckmin liga todos os dias pros EUA, mas ninguém quer conversar com ele
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


