Economia
Sandália de R$ 60 faz Prada ser acusada de apropriação cultural
Especialistas indianos da moda reconheceram as icônicas sandálias de couro assim que as avistaram nas passarelas de Milão
Alessandro Garofalo/File Photo/REUTERS
Quando a Prada estreou um calçado aberto na passarela da Semana de Moda Masculina de Milão, no final de junho, descreveu-o simplesmente como “sandálias de couro”.
Mas as rasteiras geraram polêmica entre críticos de moda, artesãos e políticos indianos, que viram nelas uma cópia das tradicionais Kolhapuri – sandálias artesanais que levam o nome da cidade de Kolapur, em Maharashtra, no oeste da Índia. Seu design, com um intricado padrão entrelaçado, remonta ao século 12.
💸 As sandálias ainda não estão disponíveis no mercado, mas, como itens de uma marca de luxo, podem facilmente ser vendidas por mais de mil euros (aproximadamente R$ 6,4 mil).
Já as autênticas rasteirinhas Kolhapuri podem ser encontradas em mercados locais por cerca de 10 euros (cerca de R$ 63,9).
O caso repercutiu negativamente nas redes sociais, e a Prada foi acusada de apropriação cultural.
A sandália exibida pela Prada em desfile em Milão
Alessandro Garofalo/REUTERS
Ato contínuo, a Câmara de Comércio de Maharashtra pediu à grife que reconhecesse as raízes indianas do design.
Chefe de responsabilidade social corporativa da Prada e filho dos proprietários da empresa, Lorenzo Bertelli respondeu em carta enviada à câmara de comércio “que as sandálias são inspiradas no tradicional calçado artesanal indiano, que carrega uma rica herança cultural”, segundo a agência de notícias Reuters.
De acordo com Bertelli, as sandálias ainda estão em fase inicial de desenvolvimento e podem nem chegar ao mercado.
” [a Prada está] comprometida com práticas responsáveis de design, promovendo o engajamento cultural e abrindo um diálogo para uma troca significativa com as comunidades artesãs indianas locais, como já fizemos no passado em outras coleções, para garantir o devido reconhecimento de seu artesanato”.
As rasteirinhas Kolhapuri originais podem ser encontradas em mercados na Índia por cerca de R$ 60
Abhishek Mittal/Depositphotos/IMAGO
Não é a primeira vez que marcas de luxo são acusadas de copiar produtos tradicionais
Estilistas são frequentemente acusados de apropriação cultural e de não assumirem suas fontes de inspiração.
Em 2014, paquistaneses viram no design de uma sandália de couro preto liso lançada pelo estilista britânico Paul Smith uma cópia da tradicional Peshawari (ou Charsadda). A criação, batizada por Smith de “Robert”, foi vendida a um preço 20 vezes maior que o de um calçado equivalente em uma loja fina no Paquistão.
Após críticas nas redes sociais e uma petição online, o estilista rapidamente adicionou à descrição do produto que ele havia sido “inspirado pela Peshawari”.
Sandálias serão patenteadas
A Câmara de Comércio de Maharashtra agora decidiu patentear as sandálias Kolhapuri para evitar que o design seja copiado no futuro.
Famosas por sua durabilidade, as tradicionais rasteirinhas já são protegidas dentro do país por um selo de indicação geográfica que proíbe que o design seja copiado sem autorização ou partilha de benefícios para fins comerciais.
O selo designa produtos cuja reputação está vinculada à sua origem geográfica. Até 2024, eram 603.
O caso das sandálias Kolhapuri foi parar no Judiciário indiano. Segundo a emissora Al Jazeera, Dhananjay Mahadik, parlamentar do distrito de Kolapur e correligionário do primeiro-ministro Narendra Modi, está apoiando os fabricantes que movem uma ação judicial contra a Prada na Alta Corte de Bombaim.
Esses empresários têm enfrentado falta de matéria-prima, com o acesso a couro afetado por políticas do governo para proteção de vacas, que são consideradas sagradas pelos hindus.
Marginalizados na Índia, os dalit dominaram as técnicas artesanais de produção da sandália
Prabhakar/DW
Depois que o partido de Modi, o BJP, chegou ao poder em 2014, extremistas nacionalistas hindus se sentiram encorajados a atacar pessoas que transportavam vacas para comércio e abate. As vítimas desses chamados “vigilantes das vacas” são, em sua maioria, dalits – tradicionalmente o grupo mais marginalizado das castas indianas – e muçulmanos.
Apesar da marginalização histórica, são os artesãos da comunidade dalit que dominaram as técnicas complexas de trançado e design das icônicas sandálias, transmitindo-as de geração em geração.
Ao comentar a polêmica com a Prada, o Dalit Voice, grupo de direitos humanos que luta contra discriminação com base em casta, raça, gênero, ocupação e descendência, disse que as sandálias Kolhapuri são, mais do que moda, “um legado do artesanato e da resiliência dalit”.
“Elas são história, identidade e resistência”, afirmou o grupo via Instagram. “Respeitem as raízes.”
‘Pack do pezinho’: entenda fetiche por pés
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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