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Vanguarda, inclusão e usado até pelo Google: como Brasil defende Pix em investigação comercial dos EUA

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O governo brasileiro apresentou nesta segunda-feira (18/08) resposta a uma investigação comercial aberta em julho pela gestão de Donald Trump na Casa Branca.
Por meio do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as acusações dos EUA são “improcedentes”.
O Brasil defendeu que suas políticas investigadas pelos EUA são “transparentes” e “em plena conformidade com as melhores práticas internacionais e com as obrigações do País na OMC [a Organização Mundial do Comércio]”.
No mês passado, o governo Trump anunciou que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), uma agência do governo federal, iniciaria uma investigação sobre o que chamou de práticas comerciais “desleais” do Brasil.
A investigação faz parte de um conjunto de medidas anunciadas por Trump contra o Brasil — que ele acusa de promover uma “caça às bruxas” política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além da investigação comercial, os EUA também adotaram tarifas mais altas contra o Brasil e sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A USTR apontou alguns alvos da investigação, como as tarifas concedidas pelo Brasil, supostos problemas na proteção à propriedade intelectual e o desmatamento no país sul-americano.
A resposta brasileira foi dada em uma carta de 91 páginas enviada na segunda-feira (18/08). Ela é endereçada ao embaixador do comércio dos EUA, Jamieson Greer, e assinada pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
No documento, o Brasil “rejeita veementemente as alegações feitas” pelos EUA de que e diz que “seus atos, políticas e práticas não são, de forma alguma, irracionais, discriminatórios ou onerosos para o comércio dos EUA”.
O Brasil apresenta defesas de diversas acusações feitas pelos EUA: sobre restrições de liberdade de expressão em plataformas de redes sociais, acordos comerciais brasileiros que supostamente prejudicariam produtos americanos, falta de combate à corrupção e desrespeito à propriedade intelectual.
Um dos pontos principais do documento é a defesa que o governo brasileiro faz do sistema de pagamentos Pix, que estaria sendo investigado nos EUA por supostas práticas desleais ao favorecer “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.
A carta brasileira faz 58 referências ao Pix — defendendo o sistema brasileiro de pagamentos das acusações americanas.
A investigação sobre o Pix teve grande repercussão no Brasil, já que o sistema de pagamentos é muito popular. O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse em entrevista à BBC News Brasil que o Pix é “rápido e eficiente” e “melhor do que todo o sistema de pagamento” americano.
Confira abaixo alguns pontos que estão na resposta do governo brasileiro sobre o Pix.
Soberania e inclusão
Na resposta à investigação americana, o Brasil negou que haja qualquer discriminação contra fornecedores de serviços de pagamento digital dos EUA — afirmando que qualquer empresa nacional ou estrangeira precisa ter autorização do Banco Central para operar e deve se submeter às regulamentações brasileiras.
O Pix foi desenvolvido como parte de sua soberania brasileira enquanto autoridade monetária, acrescenta o documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.
Segundo o texto, o Pix, lançado em 2020 pelo Banco Central, é um projeto de acesso aberto que busca modernizar o mercado de pagamentos, diminuir os custos transacionais e impulsionar a competição e a inclusão financeira — alcançando “milhões de brasileiros antes excluídos do sistema bancário tradicional”.
O governo brasileiro apresentou alguns números sobre o Pix:
Em menos de um ano de seu lançamento, em novembro de 2020, o Pix foi usado por 104,4 milhões de pessoas, o que representa 62,4% da população adulta do Brasil.
Desses usuários, 45,6 milhões nunca haviam realizado uma transferência bancária.
Em quatro anos, o Pix foi usado por 165 milhões de usuários e teve 19,2 milhões de empresas cadastradas (dado de fevereiro de 2025), processando 63,5 bilhões de transações e movimentando R$ 26,4 trilhões em 2024 — a custos menores do que os métodos de pagamento tradicionais.
Em 6 de junho de 2025, o Pix atingiu o recorde diário de 276,7 milhões de transações.
Segundo o governo brasileiro, o Pix “desempenhou um papel fundamental na redução da dependência de pontos bancários físicos e no aumento do uso de canais digitais em áreas antes carentes”.
“Na Região Norte do Brasil, 72,3% dos adultos já possuem um relacionamento bancário formal.”
Vanguarda tecnológica
A defesa brasileira aponta que vários governos pelo mundo estão conduzindo sistemas de pagamento semelhantes, como na União Europeia, Índia e Estados Unidos.
“O desenvolvimento do Pix, portanto, está na vanguarda de uma tendência global para a qual o próprio Federal Reserve [banco central] dos Estados Unidos está contribuindo ativamente”, diz o texto assinado por Vieira.
O documento destaca ainda que as conquistas do Pix foram reconhecidas por empresas privadas americanas e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
E ressalta que os próprios EUA estão usando sistemas com funcionalidades semelhantes ao Pix. É o caso do FedNow, lançado em 2023, e que permite pagamentos instantâneos entre pessoas e instituições.
“O desenvolvimento do Pix, portanto, está na vanguarda de uma tendência global para a qual o próprio Federal Reserve dos EUA [o Banco Central americano] está contribuindo ativamente.”
Usado até pelo Google
O Pix também teria facilitado pagamentos para empresas americanas como o Google no Brasil, segundo o governo.
Desde 2021, o Pix possui um sistema de iniciação de pagamentos — que permite que empresas que não são as instituições financeiras envolvidas no Pix deem início ao processo de pagamento via Pix, ao, por exemplo, direcionar automaticamente o usuário para o aplicativo de seu banco para autenticar a transação.
Segundo o governo brasileiro, o Google é o maior “iniciador” de Pix, tendo processado cerca de 1,5 milhões de transações Pix no último mês.
“(…) A empresa de tecnologia americana Google, por meio do Google Pay, tornou-se a maior iniciadora de pagamentos no sistema Pix, oferecendo transações por aproximação. A participação como iniciadora de pagamentos permanece aberta a todas as empresas qualificadas, independentemente da origem do capital”, respondeu o Brasil.
Além disso, o pagamento do Pix através do QR Code também é “amplamente” usado por empresas americanas de tecnologia, como WhatsApp e Uber, acrescenta o documento.
O texto ressalta que “as políticas e medidas do Brasil não restringem as operações nem prejudicam a competitividade das empresas americanas que atuam em serviços de pagamento eletrônico”.
“O Brasil não aplica tratamento diferenciado a provedores de pagamento estrangeiros, nem impõe barreiras de licenciamento ou operacionais especificamente a provedores americanos”, afirma a resposta brasileira.
“Não há proibição para plataformas digitais — como WhatsApp, Facebook ou Instagram — oferecerem seus próprios serviços de pagamento digital.”
“Essas plataformas também não são obrigadas a usar o Pix, embora quaisquer serviços de pagamento digitais proprietários ou alternativos que desejem oferecer devam receber a aprovação do Banco Central do Brasil. Esse procedimento de aprovação é consistente com a prática de bancos centrais em outras jurisdições.”
O documento conclui que “as evidências apresentadas aqui deixam bem claro que o Pix não discrimina e não prejudica injustamente empresas dos EUA envolvidas em comércio digital ou serviços de pagamento eletrônico”.
Por que o governo Trump quer investigar o Pix?
O que sucesso do ‘Pix da Índia’ revela sobre ofensiva de Trump contra o Pix brasileiro
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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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