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Economia

Governo Milei passa a intervir no câmbio diante de queda do peso e tensão política; entenda

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Escândalos expõem pesadelo de Milei antes de importantes eleições na Argentina
O governo do presidente Javier Milei, eleito sob a bandeira do liberalismo econômico, anunciou nesta terça-feira (2) que passará a intervir no mercado de câmbio argentino. A medida ocorre em meio à queda expressiva do peso frente ao dólar desde a adoção do regime flutuante, em abril.
O anúncio foi feito pelo secretário de Finanças do país, Pablo Quirno, em publicação no X. Segundo ele, o Tesouro Nacional vai atuar diretamente na compra e venda de dólares para garantir que haja oferta suficiente e evitar movimentos bruscos de desvalorização.
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“O Tesouro Nacional anuncia que, a partir da presente data, participará do mercado livre de câmbio com o objetivo de contribuir para sua liquidez e bom funcionamento”, escreveu Quirno.
🔎 Quando entram mais dólares no país — seja por compras do Tesouro, exportações ou investimentos — a oferta da moeda aumenta. Com mais dólares disponíveis, o valor tende a cair em relação ao peso, tornando o dólar mais barato.
Como mostrou o g1, em novembro do ano passado o peso argentino ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca de 1.000 por dólar. A depreciação da moeda argentina foi resultado de uma desvalorização controlada pelo banco central do país.
A medida permitia um enfraquecimento do peso em 2% ao mês, em uma estratégia conhecida como “crawling peg”. Em outras palavras, o processo estabelecia que, a cada mês, fossem necessários mais pesos para adquirir US$ 1.
Já em abril deste ano, o governo argentino anunciou a redução dos controles cambiais, o chamado “cepo”. Na prática, a medida determinou o fim da paridade fixa para a moeda argentina e introduziu o “câmbio flutuante” — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado.
No primeiro dia útil após o anúncio, a moeda argentina caiu 11,38% em relação ao dólar, para 1.196,25. Já neste fim de agosto, a desvalorização da moeda se intensificou, chegando a 1.359,50 por dólar nesta terça-feira.
Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, o governo Milei até poderia ter garantido algum fôlego no curto e médio prazo ao flexibilizar parte das restrições cambiais. Porém, fatores econômicos e políticos — incluindo o desgaste da imagem do presidente — pioraram o quadro.
A gestão Milei está preocupada com as eleições provinciais do próximo domingo (7) — entre elas a mais importante, em Buenos Aires — e com o pleito legislativo de meio de mandato, marcado para 26 de outubro.
“Existem componentes políticos e econômicos que explicam a desvalorização do peso”, diz Galhardo. “Embora o momento atual seja melhor para a economia, a Argentina ainda tem problemas estruturais. E isso não se corrige do dia para a noite.”
“A Argentina tem um pouco mais de reservas internacionais [do que antes] e acordos mais sólidos com o FMI, mas os problemas que minaram as reservas do país estão presentes. Então, é a Argentina se reencontrando com ela mesma”, acrescenta.
Em maio, Milei passou a incentivar os argentinos a usar os dólares guardados “debaixo do colchão”. O governo lançou um plano que permite aplicar economias não declaradas na compra de imóveis de até US$ 43 mil ou em depósitos a prazo fixo de até US$ 85 mil nos bancos, sem necessidade de justificar a origem do dinheiro.
A medida tinha como objetivo injetar recursos na economia — mas não foi suficiente para conter a desvalorização do peso.
Segundo Galhardo, da Análise Econômica, a decisão de intervir no câmbio anunciada nesta terça-feira pode prejudicar a percepção dos investidores sobre a economia do país.
“Por outro lado, há uma interpretação de que o governo argentino entendeu que é preciso colocar o pé no chão e empreender medidas em um ritmo adequado e sem precipitações”, conclui.
O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025.
Reuters
Crise política
Um escândalo de áudios vazados, acusações de corrupção e divisões internas atinge a cúpula do governo argentino há duas semanas — e já respinga no presidente Javier Milei.
O escândalo começou em 22 de agosto, com o vazamento de um áudio gravado por um ex-aliado de Milei, que acusava a irmã do presidente, Karina, de corrupção. No dia 27, foram divulgados novos áudios sobre um suposto esquema de propina.
Braço direito do irmão, Karina Milei é secretária-geral da Presidência na Argentina. Segundo denúncia de Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis) — demitido um dia após a divulgação do caso —, ela e o subsecretário de gestão institucional do governo, Eduardo ‘Lule’ Menem, estariam cobrando propina de indústrias farmacêuticas para a compra de medicamentos da rede pública.
“Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”, acusa Spagnuolo.
Na quarta-feira passada, após dias sem se pronunciar diretamente sobre o assunto, Milei defendeu a irmã e disse que as acusações contra ela são “mentirosas” em entrevista ao canal argentino C5N. Um dia antes, ele fez sua primeira aparição pública depois do escândalo e estava ao lado de Karina.
“Tudo o que ele diz é mentira, vamos levá-lo à Justiça e provar que mentiu”, afirmou.
A polêmica tem potencial de impactar a governabilidade de Milei porque expõe o presidente a duas semanas das eleições para a província de Buenos Aires e quase dois meses das eleições legislativas na Argentina. Além disso, abala a confiança dos investidores.
Os índices de aprovação de Milei, que já vinham caindo nas últimas semanas, tiveram uma queda ainda maior devido às suspeitas envolvendo a alta cúpula de seu governo.
Presidente argentino, Javier Milei, e sua irmã Karina Milei.
Gustavo Garello/ AP Photo

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Economia

Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Correção: jogos do Brasil em dias úteis

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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.

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Economia

Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais

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Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.

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