Economia
Preço do café cai pelo 2º mês seguido, mas voltará a subir em breve, dizem indústrias
Café ainda vai continuar caro por um bom tempo no Brasil.
Mike Kenneally/Unplash
Nem deu tempo de o brasileiro sentir a queda da inflação do café moído, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que calcula a média dos preços praticados nas principais capitais brasileiras.
O levantamento mostrou que, em agosto, o café ficou 2,17% mais barato em relação a julho. Foi o segundo mês seguido de queda, depois de um ano e meio de altas, resultado do pico da colheita.
Mas os preços devem voltar a subir já nas próximas semanas entre 10% e 15%, estima o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio, com base em informações de duas grandes empresas do setor.
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Segundo Inácio, o quilo do café deve voltar aos patamares de dezembro, quando chegou a R$ 80.
Isso tem acontecido porque a indústria está pagando mais caro pelo café que vem das fazendas.
No campo, as cotações, que chegaram a cair a partir de março, voltaram a subir desde o início de agosto. Veja no mapa abaixo, que mostra os valores para os tipos robusta e arábica, os principais produzidos no país.
Cotação média mensal do preço do café ao produtor.
Arte/g1
O aumento no campo é o reflexo de fatores como:
a concretização do tarifaço de 50% dos EUA sobre o café brasileiro, que fez o preço do grão disparar na bolsa de Nova York, que é referência mundial para a negociação do grão;
os baixos estoques de café no mundo, resultado de quatro anos seguidos de queda na colheita dos principais produtores do mundo em razão dos problemas climáticos;
a queda na produção brasileira de café arábica este ano, principal variedade do país;
geadas no Cerrado Mineiro, que causaram um prejuízo de 424 mil sacas (25 mil toneladas), segundo a StoneX Brasil.
Efeito do tarifaço nos preços
Até o início de agosto, o tarifaço ainda não havia provocado alta nas cotações do café no campo brasileiro e na bolsa de Nova York.
Isso porque o mercado esperava que o presidente dos EUA, Donald Trump, colocasse o café na lista de produtos isentos do tarifaço, como fez com o suco de laranja, explica o analista da StoneX Brasil, Fernando Maximiliano. Afinal, mais de 30% do grão consumido nos EUA sai do Brasil.
Como o café ficou de fora da lista, a cotação do produto disparou na bolsa, diante da expectativa de redução da oferta dentro dos EUA.
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O tarifaço também não aumentou a quantidade de café disponível no Brasil, um cenário que poderia ter dado um alívio para o bolso do brasileiro.
“Esse excedente de café [que iria para os EUA] vai ser comercializado para outros destinos”, diz Maximiliano.
Na avaliação dele, os exportadores brasileiros devem começar a vender mais café para a Europa. Isso porque grandes países produtores, como a Colômbia, devem direcionar mais café para os EUA, deixando de atender outros clientes, como os europeus.
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Há muito tempo o brasileiro convive com preços altos e o analista da StoneX explica que existe um fator mais estrutural por trás de tudo isso.
“Os principais produtores de café [Brasil, Vietnã e Colômbia] estão enfrentando problemas climáticos desde 2020 e isso tem dificultado o restabelecimento de uma produção ampla, que seja capaz de atender a demanda global e preencher os estoques”, afirma Maximiliano.
“Este é um problema persistente e que só será superado com uma safra grande no Vietnã, na Colômbia e, principalmente, no Brasil, que é o país que mais coloca café no mundo. Mas não é o que vai acontecer com a gente este ano”, diz.
Colheita veio menor que o esperado
Segundo Celírio Inácio, da Abic, a expectativa inicial era de que o Brasil colhesse uma boa quantidade de café, mas a realidade mostrou outro cenário.
No mês passado, com a colheita já no fim, foram constatados dois problemas na safra, relacionados a volume e rendimento.
Além de a quantidade de grãos colhidos ter sido menor que a esperada, o café também veio em um tamanho menor e mais leve. “Nesse caso, é preciso mais grãos para encher uma saca de 60 kg, o que também faz o preço subir.”
A safra brasileira de café arábica, por exemplo, deve ter queda de 18,7% este ano, em relação a 2024, estima a StoneX Brasil.
Clima ruim no campo e no bolso
Maximiliano lembra que as quedas consecutivas na produção de café entre 2020 e 2024 aconteceram em razão de secas e geadas.
Esse cenário fez o preço da saca do arábica, por exemplo, saltar de cerca de R$ 600, em 2020, para aproximadamente R$ 2.500, neste ano.
“É uma diferença muito grande. A indústria acaba repassando esse aumento para o consumidor final, pois, caso contrário, não consegue nem se manter na atividade”, finaliza.
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Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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