Política
Celso Amorim: ameaça militar dos EUA é ‘preocupante’, mas não muda julgamento de Bolsonaro
Porta-voz diz que EUA usarão meios, inclusive militar, para defender liberdade de expressão
A menção feita pelo governo de Donald Trump a uma eventual resposta militar contra o Brasil é “extremamente preocupante” e que não cria um “clima favorável” para negociação entre os países na avaliação do embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
🔎 A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na terça-feira (9) que o governo Trump está disposto a “usar meios militares” para “proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo” em referência a uma eventual condenação de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista exclusiva à GloboNews, Amorim disse que vê nas declarações uma tentativa ineficaz de pressão sobre o judiciário brasileiro, que julga Bolsonaro e outros sete réus sobre uma tentativa de golpe de Estado.
“Qualquer tentativa é inútil, porque eu acho que o Supremo agirá com independência. Agora, a ligação existe. Foi em resposta a uma pergunta sobre o julgamento. A pergunta era sobre o julgamento e ela respondeu com essas hipóteses absolutamente fora da diplomacia”, afirmou Amorim.
Lula e Celso Amorim durante visita do então presidente da Argentina, Alberto Fernández.
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e principal conselheiro de Lula nos temas de política internacional, diz que é difícil distinguir o que é “bravata ou ameaça”.
“Acho que [uma ação militar contra o Brasil] nunca vai acontecer, mas é realmente algo muito preocupante mesmo que seja bravata. É extremamente preocupante. Não ajuda a encontrar solução para as questões. É uma coisa que fica na mente do povo, não cria um clima favorável para qualquer tipo de negociação”, disse.
A fala de Karoline Leavitt na Casa Branca foi em resposta a uma pergunta de Michael Shellenberger, um comunicador considerado aliado de Trump. Ele citou textualmente a possível condenação de Bolsonaro e outros processos no STF ao dirigir o questionamento à porta-voz.
“O que eles consideram liberdade de expressão é a desregulamentação total para as big techs fazerem o que quiserem, desde campanhas políticas até pornografia. Nós também somos a favor da liberdade de expressão, mas em um parâmetro ético razoável. Agora, com relação a ela dizer que não tem medo de usar a força, eu não sei nem se ela estava autorizada a dizer isso exatamente, mas cria um clima, de qualquer maneira, reflete um clima”, analisou o assessor especial de Lula.
O governo brasileiro não descarta que novas sanções sejam impostas pela Casa Branca caso a condenação de Bolsonaro se confirme. Amorim avalia que as medidas seriam improdutivas para a economia norte-americana.
“Nós esperamos que haja respeito à decisão do judiciário brasileiro, que é independente, cujos membros foram nomeados por governos variados. É um julgamento sério, importante, não é um problema menor, é uma ameaça de tentativa de golpe de estado. Espero que a decisão, qualquer que seja, seja respeitada e que não haja tentativa de interferência na Justiça brasileira. Acho que seria improdutivo, até do ponto de vista dos interesses econômicos, mas coisas mais improdutivas e mais improváveis, por vezes, têm ocorrido”, disse o embaixador.
Cooperação militar com a China
O embaixador afirmou ainda que as ações do governo Trump, naturalmente, aproximam o Brasil de outros países, como China, França e “qualquer parceiro que estiver disposto a desenvolver projetos conjuntos”.
👉🏽 Amorim esteve no início do mês em Pequim para acompanhar as celebrações dos 80 anos da vitória do país sobre os japoneses. O evento ficou marcado pela grandiosidade e imponência do desfile militar organizado pelo governo chinês.
O assessor especial de Lula confirma o interesse do governo brasileiro em estabelecer uma cooperação com Pequim na área militar.
“O Brasil está mandando pela primeira vez [para China] um adido do Exército de nivel de general. Só tínhamos nos Estados Unidos. Não sou ministro da Defesa, mas acho que é um sinal de cooperação. Da mesma maneira que há um interesse muito grande na Índia. Não há uma escolha, mas quem viu aquela parada [militar na China] sabe que eles teriam o que oferecer. Mas tem que ser em condições adequadas, de uma maneira que não crie dependência nossa a eles”, declarou Amorim.
Lula e Celso Amorim participam de evento da presidência brasileira do BRICS
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Navios dos EUA perto da Venezuela
Amorim também afirmou que é “inadmissível” a movimentação de navios americanos no mar do Caribe, perto da costa venezuelana.
“Não sei qual é o objetivo dos EUA, mas uma intervenção armada, misturar narcotráfico com terrorismo, juntar isso com chefe de governo [Maduro] é inadmissível, vai contra todos os preceitos das Nações Unidas, da própria OEA e fico temendo que, com o poder de pressão dos EUA, eles acabem aprovando uma resolução num organismo desses. É intolerável qualquer intervenção na América Latina de forma geral e na América do Sul em particular”, afirmou Amorim.
O governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, enviou navios de guerra, um submarino e aviões espiões para perto da costa da Venezuela. Oficialmente, autoridades norte-americanas alegam que se trata de uma operação contra o tráfico de drogas. Por outro lado, especialistas afirmam que o aparato militar sugere uma possível intervenção contra o regime de Nicolás Maduro.
Tensão entre Rússia e Otan
Outra crise diplomática e geopolítica que preocupa Amorim é a tensão no Leste Europeu. A Polônia acusou a Rússia de invadir o espaço aéreo do país com drones militares e acionou o artigo do tratado da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que prevê a abertura de consultas para uma possível resposta da entidade.
“Não quero fazer juízo de valor, mas eu acho que tudo isso cria uma crise direta entre a Otan e a Rússia. É algo muito preocupante. Nós vivemos num mundo em que há um nevoeiro, que tem que ser muito atento à paz. Por isso o Brasil propôs, junto com a China, um roteiro para poder haver uma discussão. O diálogo que tem que ser fomentado, é complexo, difícil, não é uma coisa que dependa de um ou dois países. Os Estados Unidos têm influência, mas a China também tem, os Brics também têm”, disse.
O diagnóstico de Amorim é de que o mundo vive o momento mais delicado desde o final da Segunda Guerra Mundial. O embaixador avalia que a situação é mais grave do que a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, considerado o episódio mais tenso do período da Guerra Fria.
“Vivemos em um mundo muito perigoso. Nunca vi nada como estou vendo agora. Você tem dois conflitos se agravando [no Oriente Médio e no leste europeu], dois conflitos com possibilidade de se transformar numa guerra global, inclusive se tiver uma maneira de misturar os dois. Isso não é uma coisa impensável. É indesejável, mas não é impensável, então temos de trabalhar pela paz, e trabalhar ativamente”, afirmou Amorim.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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