Política
Eleições: mulheres têm em média metade do patrimônio dos homens; candidaturas já saem em desvantagem, dizem especialistas
Levantamento do g1 com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também mostra que pretos e pardos têm menos patrimônio que candidatos brancos. Mulher vota na urna eleitoral em cabina de votação
Roberto Jayme/Ascom/TSE
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que as candidatas mulheres a cargos do legislativo estadual e federal têm metade do patrimônio os candidatos homens. Pretos e pardos também registraram menos bens que os brancos.
O prazo para registrar candidatura acabou na segunda-feira, mas a Justiça Eleitoral ainda não finalizou a consolidação das estatísticas. Os próprios candidatos informam ao TSE sobre o patrimônio que possuem e podem alterar o valor de seu patrimônio mesmo após o registro.
Segundo pesquisadores ouvidos pelo g1, o sistema político brasileiro atual privilegia candidatos ricos, e um patrimônio menor pode interferir negativamente no desempenho de alguém que concorre a um cargo público.
O g1 analisou os dados de candidatos a deputado federal e estadual e, para evitar distorções, retirou do cálculo da média os 405 candidatos com patrimônio acima de R$ 5 milhões. Ao todo, são mais de 26 mil candidatos. Também foram analisadas as medianas das candidaturas e foi feito um agrupamento dos dados por valor de patrimônio.
Mulheres tem, em média, 50% do patrimônio dos homens
A média de patrimônio de candidatas mulheres é 50% da dos homens, no caso de candidaturas a deputado estadual, e 49% no caso de candidaturas a deputado federal.
Mais da metade (52%) das candidatas a deputada estadual tem até R$ 1 mil de patrimônio, enquanto nos homens esse grupo representa 36% do total.
O mesmo ocorre em âmbito federal: candidatos com até R$ 1 mil de patrimônio são 48% do total entre mulheres e 33% entre homens.
A diferença também aparece na outra ponta da tabela: 25% dos candidatos do sexo masculino declaram ter mais de R$ 500 mil. Esse número cai para 17% entre candidatas ao mesmo cargo do sexo feminino. Nesta comparação foram considerados os candidatos com patrimônio acima de R$ 5 milhões.
Pretos tem menos patrimônio que brancos
Os dados do TSE também apontam que o patrimônio de candidatos pretos e pardos é menor que o de candidatos brancos. Nas candidaturas a deputado estadual, por exemplo, o patrimônio médio de pretos equivale a um terço do dos brancos e o dos pardos a 59% do dos brancos.
(Confira as outras análises com os dados mais abaixo)
Pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público (Cepesp) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Arthur Fisch diz que não é surpreendente que homens brancos tenham patrimônio maior que outros recortes, uma vez que a estrutural social do Brasil privilegia esse grupo.
“É o que eu imaginaria: homens e brancos sejam mais ricos na média que negros e mulheres, isso é esperado pelo que a gente conhece do Brasil”, afirma.
Fisch acredita que, apesar de ser esperada, essa característica torna as candidaturas de minorias menos competitivas por dois motivos:
O candidato com patrimônio pode se autofinanciar, dependendo menos de verba partidária ou de financiamento externo, como crowdfunding;
O candidato com verbas próprias precisa se preocupar menos com outros gastos não relacionados com a eleição, como pagar um aluguel do imóvel onde mora.
Além disso, uma campanha exige uma dedicação de tempo, e muitos candidatos não podem abandonar completamente o emprego, mesmo que temporariamente, para disputar uma vaga.
Professor da Universidade Federal do Paraná, Emerson Cervi diz que sistema de financiamento atual, que não permite arrecadação de verbas de empresas, torna o autofinanciamento “muito importante”.
Nesse contexto, a verba que um candidato dispõe pode interferir no seu desempenho eleitoral, afirma Cervi.
Apesar disso, ele defende que a variável não é “uma interferência decisiva para todos os casos”, até porque alguns candidatos tem outros capitais, como capital social ou a atividade profissional que desempenha.
Na mesma linha, a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Helcimara Telles, afirma que candidatos com menos verbas têm mais dificuldades para conseguir se eleger.
Ela acredita que a proibição do financiamento de candidaturas por empresas “diminuiu ainda mais a chance dos mais pobres de serem eleitos”.
“Embora as pessoas imaginassem que o financiamento público pudesse reduzir a diferença entre os candidatos, só fez aumentar”, afirma.
Por isso, ela defende que sejam criadas reservas de vagas para minorias. “Acredito que a gente deveria ter uma reserva para essas minorias, não retirando as 513 vagas [atuais que existem na Câmara], mas aumentando as cadeiras para compartilhar somente com as minorias”, diz.
Mediana também aponta mulheres, pretos e pardos com menos patrimônio
A mediana, métrica que vê o termo central de um conjunto de dados e é menos afetada por valores extremos, deixa ainda mais clara a diferença entre os patrimônios das mulheres e o dos homens que disputam cargos deputado estadual e federal. Essa medida é considerada mais adequada por especialistas para casos como esses, em que alguns valores muito altos – como um candidato bilionário ou que tenha centenas de milhões – podem distorcer a média geral.
A mediana de bens dos candidatos homens a deputado federal, por exemplo, é de R$ 120 mil, enquanto a de mulheres é de R$ 6.317. Isso quer dizer que metade das candidaturas femininas tem patrimônio abaixo de R$ 6.317, enquanto a metade das candidaturas masculinas tem patrimônio abaixo de R$ 120 mil.
Para deputado estadual a situação também não é positiva: a mediana dos homens é de R$ 77 mil e a das mulheres é R$ 0. Isso quer dizer que mais que 50% das mulheres candidatas a deputada estadual declararam ao TSE não ter patrimônio.
Quando observada a raça dos candidatos, os brancos aparecem com mais patrimônio que pretos e pardos. Ao analisar somente candidatos homens, os candidatos a deputado federal pretos têm uma mediana de R$ 12 mil, os pardos de R$ 50 mil e os brancos de R$ 263 mil.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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