Política
Brasil e Malásia assinam acordo focado em comércio e investimentos; confira o discurso completo de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim.
Reprodução/X/ricardostuckert
Em visita histórica à Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Anwar Ibrahim assinaram atos de cooperação com o objetivo de intensificar e diversificar o comércio e os investimentos entre os dois países.
O foco são setores estratégicos como energia, ciência, tecnologia e inovação. A visita marca a primeira presença de um presidente brasileiro na Malásia em 30 anos e eleva a relação bilateral a um novo patamar.
Durante a cerimônia, Anwar Ibrahim destacou a amizade pessoal com Lula e a afinidade de valores entre os dois países. Segundo o primeiro-ministro, Lula é um líder que representa a classe trabalhadora, cuida dos pobres e desprivilegiados e tem coragem de se opor aos horrores do mundo com dignidade.
Ibrahim elogiou a liderança do presidente brasileiro e ressaltou que o encontro consolida a parceria entre Brasil e Malásia fortalece a parceria entre os dois países em comércio, tecnologia, educação e cultura.
“Este é um encontro entre amigos que compartilham convicções e ideias. Tenho certeza de que nossos países vão trabalhar juntos como parceiros em diferentes áreas”, disse Anwar Ibrahim.
Ele também agradeceu a hospitalidade do Brasil em fóruns internacionais, como o BRICS, e reafirmou a importância da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) ser realizada no país.
🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.
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Anwar reforçou a intenção de compartilhar conhecimento e parcerias em setores como energia, tecnologia, educação e cultura, além de ampliar a importação de produtos brasileiros. “Este não é um encontro diplomático ordinário. É um encontro de amigos que compartilham ideais”, disse.
Para Lula, a visita também teve caráter estratégico global. Ele criticou o protecionismo e destacou a importância de paz, livre comércio e humanismo. “A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje. Temos possibilidade de mudar o mundo e fazer com que as coisas sejam melhores, de mostrar que o humanismo não seja derrotado pelo político”, afirmou.
O presidente brasileiro também falou sobre sua trajetória pessoal e o compromisso com políticas sociais: “Quando assumi em 2003, tínhamos 54 milhões de pessoas passando fome. Em 2014, o Brasil saiu do Mapa da Fome. Retornei ao governo e, em dois anos e meio, conseguimos reduzir novamente a fome. Cuidar dos pobres é a coisa mais barata e fácil de se fazer”, disse.
Lula criticou a falta de governança global e a ineficácia de instituições multilaterais diante de guerras recentes e crises humanitárias, como o conflito em Gaza. Ele também destacou a urgência das questões climáticas e a necessidade de instrumentos globais de governança.
“Como vamos evitar que o planeta seja destruído, se sabemos o que o destrói e não tomamos atitude? A COP30, em Belém, será a COP da verdade”. Segundo Lula, os líderes precisam pensar no planeta e adotar instrumentos de governança global eficazes.
O presidente brasileiro afirmou que um dos principais problemas do mundo é a falta de lideranças capazes de conter guerras e combater a fome. “Na ausência de lideranças, tudo que é de pior pode acontecer”, avaliou.
O presidente destacou ainda que o comércio bilateral precisa crescer, atualmente limitado a apenas US$ 6 bilhões. “Precisamos juntar nossas preocupações, identificar similaridades e fortalecer a transferência de tecnologia e conhecimento entre os países”, disse.
O encontro foi descrito pelos líderes como um encontro de amigos e não apenas diplomático, com o compromisso de transformar a relação Brasil-Malásia em um pilar estratégico de comércio, investimentos, política e cultura, além de abordar questões globais como governança, direitos humanos e mudanças climáticas.
A visita à Malásia também teve caráter estratégico bilateral. Os dois países assinaram atos de cooperação com foco em energia, ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de intensificar e diversificar o comércio e os investimentos, atualmente na casa de US$ 5,8 bilhões por ano.
Lula enfatizou que a parceria vai além do interesse comercial: “Temos possibilidade de mudar o mundo, de fazer com que as coisas sejam melhores. Precisamos de mais comida e menos armas, de paz e não de guerra, de livre comércio e não de protecionismo”.
O presidente também destacou o papel do Estado no cuidado com os mais pobres: “Governar é fazer escolhas. Para um governante, andar de cabeça erguida é mais importante que um Prêmio Nobel. Cuidar das pessoas mais humildes é quase uma missão bíblica.”
O presidente brasileiro ainda será homenageado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia, em cerimônia prevista para este sábado (25).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim.
Reprodução/X
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim.
Reprodução/X
Veja a íntegra da declaração à imprensa do presidente Lula durante visita à Malásia
“É com muita alegria que eu estou nessa querida cidade, Kuala Lumpur. Eu tenho na minha cabeça a ideia de que a relação entre seres humanos é uma coisa muito química. Quando a gente encontra um ser humano, a gente gosta ou não gosta da pessoa à primeira vista.
E desde a primeira vez que eu encontrei com o nosso querido companheiro Anwar Ibrahim [primeiro-ministro da Malásia] e nos cumprimentamos, eu tinha certeza de que eu estava diante de um amigo. De alguém que, como eu, tinha sido perseguido, de alguém que, como eu, tinha sido preso, de alguém que, como eu, tinha sido vítima de uma determinação de acabar com a sua carreira política. Isso aconteceu com Vossa Excelência, e isso aconteceu comigo. E cá estamos nós dois, você como primeiro-ministro da Malásia, e eu como presidente da República, para causar um pouco de raiva nos nossos inimigos.
É assim que as coisas acontecem no mundo. A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje. Eu não vim aqui apenas com o interesse de vender ou com o interesse de comprar. Eu vim aqui dizer ao primeiro-ministro Anwar Ibrahim que nós temos possibilidade de mudar o mundo. De fazer com que as coisas sejam melhores, de fazer com que o humanismo não seja derrotado pelos algoritmos. De dizer ao mundo que o mundo precisa de paz e não de guerra. De dizer ao mundo que nós precisamos de livre comércio e não de protecionismo.
De dizer ao mundo que nós precisamos de mais comida e de menos armas. Esse é o objetivo da minha visita à Malásia. E eu quero que o primeiro-ministro saiba que eu levo essas questões com muita seriedade.
Eu disse ontem numa entrevista e vou dizer agora: quando nós governamos um país, eu no meu Brasil não gosto de usar a palavra governar. Eu gosto de usar a palavra cuidar. Porque a nossa missão é cuidar do povo que nós representamos. E cuidar do povo significa cuidar das pessoas mais necessitadas. Aqueles que efetivamente precisam do papel do Estado são os mais necessitados.
Os ricos não precisam do Estado. Muitas vezes os ricos usurpam e usufruem de coisas do Estado que deveriam ser dedicadas às pessoas mais pobres. Então eu tenho uma obsessão, primeiro-ministro. Uma obsessão. Eu digo sem nenhuma vergonha que eu nasci numa cidade em que as pessoas morriam de fome antes de completar cinco anos de vida. E eu sobrevivi. Eu fui comer um pedaço de pão na minha vida pela primeira vez aos sete anos de idade. E eu sobrevivi. E isso me fez colocar a questão dos deserdados do mundo. Dos pobres que muitas vezes são chamados e cuidados como se fossem invisíveis. As pessoas não querem enxergar os outros pobres. Parece que eles não existem aos olhos do mundo.
Mas eles são milhões, milhões e milhões, que muitas vezes estão à espera de apenas um gesto. Estão à espera que uma pequena parcela do orçamento de cada país seja dedicada a eles. Para resolver problemas elementares: da comida, da educação, da moradia. Que custa tão pouco. Custa tão pouco, mas é tratado como se fosse impossível cuidar dos pobres. Eu nunca consegui entender.
No caso do Brasil, quando eu tomei posse em 2003, nós tínhamos 54 milhões de pessoas passando fome. Em 2014, a ONU reconheceu o Brasil como um país fora do Mapa da Fome. Eu fiquei fora do governo 15 anos. E quando eu votei, outra vez tinha 33 milhões de pessoas passando fome. Em apenas dois anos e meio, nós acabamos com a fome. Uma demonstração de que é plenamente possível. E eu digo sempre que a coisa mais barata, a coisa mais fácil de a gente fazer é cuidar dos pobres. Eles custam pouco. E muitas vezes no orçamento parece que é muito, porque eles são muitos. E como tem muita gente pobre, parece muito dinheiro no orçamento. Mas é pouco se a gente comparar com o dinheiro que vai para outras coisas.
É apenas uma definição de prioridades. É apenas uma definição de escolha. Porque governar é fazer escolhas. Governar é decidir para quem você quer governar, de que lado você está, com quem você vai fazer relações. E eu sempre digo que a coisa mais fácil para um homem governar uma nação é você saber de onde você veio e você saber para onde você vai voltar. É você não esquecer a sua origem. É você não esquecer o seu berço. E não ter vergonha das coisas que você fez.
Para um governante, andar de cabeça erguida é mais importante que um Prêmio Nobel. Para um governante, cuidar das pessoas mais humildes é quase que uma obrigação bíblica. É um mandamento de Deus. Porque é para isso que a gente vem para governar.
E quando eu digo que um líder tem que fazer escolhas, é porque nós temos que decidir sempre. Toda decisão de um primeiro-ministro ou de um presidente da República, é para decidir para um lado ou para o outro lado. Para quem que você atender. E nós temos que fazer escolhas.
E uma das escolhas que a gente tem que fazer, é se a gente quer ser um líder respeitado. Ou temido. O líder respeitado, ele pode ser amado pelo seu povo. O líder temido, ele pode ser odiado pelo seu povo. Porque essa é a grande mensagem que a liderança tem que passar para o mundo. Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com o genocídio impetrado na Faixa de Gaza durante tanto tempo? E não só a violência dos tiros e das guerras e das bombas, mas a violência de utilizar a fome, a vontade de comer de uma criança, como forma de torturá-las.
Quando nós aceitamos isso como normal, nós não estamos sendo seres humanos. Estamos sendo outra coisa. Que eu possivelmente não sei o que seja. Mas seres humanos nós não somos quando aceitamos isso como normal.
E por que isso acontece? Porque as instituições multilaterais que foram criadas para tentar evitar que essas coisas acontecessem, pararam de existir. Hoje, o Conselho de Segurança da ONU e a ONU não funcionam mais. Não funcionam. Todas as guerras acontecidas nos últimos tempos foram guerras determinadas por gente que faz parte do Conselho de Segurança da ONU. E que não consultou, e que não aprovou em nenhum fórum.
Foi assim com a guerra do Iraque. O Bush [George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos] não consultou a ONU. Foi assim com a invasão da Líbia, Inglaterra e França não consultaram o Conselho de Segurança. Foi assim, sabe, com a Rússia e a Ucrânia. A Rússia é membro fixo do Conselho de Segurança, mas também não consultou a ONU. E assim as coisas vão acontecendo, sem que haja nenhuma governança mundial capaz de dizer que não pode ser assim.
E entra a questão global. Entra a questão do clima. Ora, como é que nós vamos evitar que o planeta possa ser destruído se nós sabemos o que está destruindo o planeta e não tomamos atitude para evitar que ele seja destruído? Nós tomamos as decisões numa COP e quem é que vai cumprir essa decisão? O Protocolo de Kyoto até hoje não foi levado em prática. O Acordo de Paris muita gente não está respeitando. As decisões da COP no Brasil, da COP30, eu tenho dito que ela será a COP da verdade.
Ela será a COP em que a gente vai ter que dizer se a gente acredita ou não nas informações que a ciência está nos dando. O planeta corre ou não corre risco? As pequenas ilhas do Atlântico e do Pacífico correm ou não correm risco? E esse risco afeta mais as pessoas pobres que moram nas periferias das grandes metrópoles, que serão vítimas dos desastres climáticos: da seca, da chuva, do vento e do furacão.
E nós, líderes políticos, é que temos que tomar decisão: O que fazer? Não cada um pensando no seu país ou na sua pátria. Chega o momento em que a gente tem que pensar no planeta. E aí é que é preciso ter instrumentos de governança global. E é isso que nos faz falta hoje. Faz falta para a Malásia, faz falta para o Brasil e faz falta para o mundo.
Por isso, meu querido amigo, eu digo sempre que a gente não escolhe pai. A gente não escolhe mãe. A gente não escolhe, sabe? Amigo a gente escolhe. E eu quero lhe dizer que você, meu caro amigo Anwar Ibrahim, eu considero como meu amigo. Pelo seu passado, pela sua luta e pela sua tenacidade de enfrentar adversidades.
Eu quero que os ministros brasileiros e as ministras saiam daqui com a certeza de que essa visita de hoje é extremamente importante. Primeiro, pela amizade do primeiro-ministro de nos convidar para participar da ASEAM. Nós somos o primeiro país da América Latina a ser convidado para participar. Não é pouca coisa. E isso só pode acontecer quando existe um grau de confiança entre as pessoas. E eu espero que a participação do Brasil amanhã e depois da manhã, na segunda-feira, seja bastante relevante.
Não se esqueça de que eu faço aniversário na segunda-feira. Não se esqueça de que você prometeu que eu ia completar o aniversário aqui na Malásia. Então é importante lembrar.
E eu queria terminar, eu nem li o meu discurso aqui porque eu acho que a reunião foi tão importante entre os nossos ministros. Eu acho que há tanta confluência entre os nossos pensamentos que basta agora a gente fazer com que as nossas pessoas trabalhem de forma, sabe, com muito afinco para que possa acontecer nos próximos anos aquilo que não aconteceu em tantos outros anos. Porque não é possível que Malásia e Brasil tenham um fluxo comercial de só 6 bilhões. Não é possível. Alguma coisa está errada, sabe, no nosso comportamento. Alguma coisa está errada no nosso governo. Alguma coisa está errada nos nossos empresários. Alguma coisa está errada. Porque nós precisamos ter consciência de que um dos problemas que o mundo tem hoje é a ausência de lideranças. E na ausência de lideranças, tudo que é de pior pode acontecer.
Então, meus queridos companheiros ministros da Malásia e ministros brasileiros, nós vamos sair daqui com a missão. E a nossa missão é muito responsável. Nós precisamos da Malásia e a Malásia precisa do Brasil. E quem tem que cuidar disso somos nós. Ninguém está preocupado com a Malásia como vocês. Ninguém está preocupado com o Brasil como nós. Então, nós temos que juntar nossas preocupações. Saber o que nós temos de similaridade.
O que a Malásia pode vender para o Brasil. O que a Malásia pode transferir de tecnologia para o Brasil. O que o Brasil pode vender para a Malásia ou transferir tecnologia, transferir conhecimento. Até a dança carioca, a dança do Rio o primeiro-ministro pode aprender com muita facilidade. É só deixar um pouco de disponibilidade na sua agenda, porque só agenda de trabalho não dá certo.
Então, eu quero terminar essa entrevista aqui dizendo o seguinte: os acordos que foram firmados estão firmados. Nós vamos voltar para o Brasil com a certeza de que há 30 anos não vinha um presidente brasileiro na Malásia. Há 30 anos. O que é impensável, porque já faz muito tempo que a Malásia é tida e vendida aos olhos do mundo como lugar de extraordinário crescimento e desenvolvimento. E a gente poderia ter vindo aqui muito mais vezes.
Mas sempre tem a primeira vez. E eu quero terminar dizendo ao meu amigo, primeiro-ministro Ibrahim: esteja certo de que essa viagem vinha à Malásia, e esse carinho com que você está nos convidando para a viagem mudará a história da relação Brasil-Malásia.
Muito obrigado.”
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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