Economia
Produtores de alcachofra aproveitam a safra para lucrar com turismo rural
Produtores de alcachofra aproveitam a safra para lucrar com turismo rural
Reprodução/TV TEM
Pelas propriedades de São Roque (SP), duas cores predominam: o verde das folhas e o roxo vibrante das alcachofras. Durante a safra, a flor mediterrânea transforma a paisagem e movimenta o turismo rural. O que antes era uma lavoura voltada apenas para o mercado hoje se tornou um passeio que atrai visitantes de várias cidades.
No sítio do produtor Agostinho Vecchiotti, os turistas não apenas compram as flores — eles também colocam a mão na massa. “Está tendo muita procura. Eu explico como é o corte correto e as pessoas adoram colher. É uma experiência que elas contam para os amigos”, diz o agricultor.
A propriedade tem três mil pés de alcachofra, e a família decidiu ampliar o negócio: agora também oferece chalés para hospedagem com vista para a plantação. A ideia é unir o turismo rural à valorização do cultivo, reforçando a nova identidade da cidade.
“São Roque já é conhecida pelo roteiro do vinho. Agora também tem a rota da alcachofra. Nós, produtores, nos unimos para criar esse novo atrativo e valorizar a região”, explica Agostinho.
A criatividade também floresceu nas cozinhas. A produtora Claudia Moraes e o marido decidiram inovar no restaurante da família e criaram uma paella de alcachofra. No lugar do camarão, entra o cogumelo shimeji. O prato é colorido, aromático e conquistou os turistas que buscam uma opção vegana e sofisticada.
“O fundo, que é a parte nobre da alcachofra, é o que usamos na receita. Dá uma textura macia e um sabor suave”, explica Claudia, enquanto o barulho da paella no fogo completa o clima da colheita.
Em outra propriedade, a produtora Ana Lígia Camargo aproveita metade da colheita para fabricar produtos derivados da flor, como conservas, patês, tortas e quiches. “A alcachofra é versátil. Dá para fazer lasanha, rondelli e vários pratos. É um ingrediente que não tem fim”, afirma.
O chef Cláudio Cardoso, que há cinco anos trabalha com o preparo dos pratos, reforça que o interesse pela flor vai além do sabor. “As pessoas buscam alimentos naturais, por saúde. A alcachofra ajuda na digestão e na pressão arterial. É uma flor que faz bem e encanta pela versatilidade na gastronomia.”
Entre as sobremesas, uma das novidades que mais chama atenção é o sorvete de alcachofra com calda de vinho. A receita é criação da produtora Luciana Moraes, que transformou a herança do pai — também agricultor — em uma homenagem familiar e sucesso entre os visitantes.
A propriedade dela abriga 10 mil pés de alcachofra e oferece hospedagem no meio da lavoura, com degustações e experiências gastronômicas.
Durante a safra, o movimento cresce nas propriedades e restaurantes da cidade. A flor roxa, protegida em saquinhos de papel para preservar a cor, virou símbolo de São Roque.
O cultivo, que antes se restringia à venda em feiras e mercados, agora se tornou uma fonte de renda diversificada. Produtores, chefs e empreendedores rurais apostam em experiências que unem agricultura, turismo e gastronomia, consolidando a rota da alcachofra como um dos principais atrativos da região.
Veja a reportagem exibida no programa em 01/11/2025:
Produtores de alcachofra aproveitam a safra para lucrar com turismo rural
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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