Economia
Agricultores franceses inspecionam caminhões com alimentos importados em protesto contra acordo UE-Mercosul
Agricultor francês do sindicato Coordination Rurale em frente a caminhão com carne durante protesto contra acordo UE-Mercosul
FRANCOIS LO PRESTI / AFP
Agricultores pararam caminhões no maior porto de contêineres da França e na principal rodovia ao norte de Paris nesta segunda-feira (12), realizando inspeções simbólicas de alimentos importados em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Os manifestantes alegam que o acordo, aprovado na sexta-feira (9), levará a um cenário de concorrência desleal.
Na França, maior produtor agrícola da União Europeia, os agricultores vêm protestando há semanas contra o acordo comercial proposto com o bloco sul-americano.
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A aprovação do acordo pela maioria dos Estados-membros da UE na última sexta-feira, apesar da rejeição da França, intensificou a pressão sobre o governo francês por parte dos agricultores e dos partidos da oposição, alguns dos quais apresentaram moções de censura.
No porto de Le Havre, no norte da França, dezenas de membros do sindicato dos Jovens Agricultores, que se reuniram com tratores durante o fim de semana, inspecionavam caminhões de alimentos que saíam do porto.
Agricultor inspeciona caminhão com alimentos no porto de Le Havre, na França, em protesto contra acordo UE-Mercosul
LOU BENOIST / AFP
‘Concorrência desleal’
“O objetivo principal é soar o alarme novamente e manter a pressão sobre o acordo do Mercosul”, disse Justin Lemaitre, secretário-geral de uma seção local do sindicato.
“É difícil aceitar uma concorrência tão desleal, com produtos que produzimos na Europa sendo importados do outro lado do mundo”, disse ele, acrescentando que os manifestantes em Le Havre observaram a chegada de cogumelos e vísceras de ovelha da China.
Agricultores inspecionam caminhão com alimentos importados em uma rodovia no norte da França em protesto contra o acordo entre União Europeia e Mercosul
FRANCOIS LO PRESTI / AFP
Em um posto de pedágio da autoestrada A1, perto da cidade de Lille, no norte da França, agricultores do sindicato Coordination Rurale realizavam verificações semelhantes em caminhões que seguiam em direção a Paris, disse Patrick Legras, porta-voz do sindicato.
Os agricultores também bloquearam depósitos de combustível no porto atlântico de La Rochelle e na região de Savoie, nos Alpes franceses, bem como um porto de cereais em Bayonne, no sudoeste, segundo relatos de sindicatos e da mídia francesa.
Os agricultores planejam levar tratores a Paris para um protesto na terça-feira (13), após uma manifestação surpresa na última quinta-feira e antes de uma reunião proposta em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro, no Parlamento Europeu. Os agricultores franceses esperam que o Parlamento bloqueie o pacto com o Mercosul.
Agricultores inspecionam caminhão com alimentos importados em acesso ao porto de Le Havre, no noroeste da França, em protesto contra o acordo entre União Europeia e Mercosul
LOU BENOIST / AFP
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
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Economia
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Economia
Governo propõe aumentar limite do MEI para R$ 140 mil e ampliar contratação de funcionários
Simples Nacional.
Simples Nacional/Divulgação
Um projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (29) propõe ampliar o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e permitir a contratação de até dois funcionários.
A proposta prevê um reajuste progressivo do teto, que hoje é de R$ 81 mil por ano. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. A medida atinge mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no país.
Agora no g1
O projeto foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e faz parte de uma articulação do governo federal para atualizar as regras do regime simplificado.
Atualmente, o teto do MEI não é reajustado desde 2018. Segundo o governo, a defasagem acumulada ao longo dos anos — causada pela inflação e pelo aumento natural das receitas — tem dificultado a permanência de empreendedores na categoria.
A proposta busca justamente evitar que pequenos negócios precisem migrar para regimes tributários mais complexos à medida que crescem. Com o novo modelo, a ideia é permitir que os empreendedores ampliem suas atividades sem sair da formalização.
Além do aumento do teto, o projeto também altera as regras de contratação. Hoje, o MEI pode ter apenas um funcionário. Com a mudança, será possível contratar até dois empregados, o que, na avaliação do governo, deve dar mais flexibilidade à organização dos negócios e estimular a geração de empregos formais.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que a iniciativa tem caráter estratégico para a economia.
“Esse conjunto de medidas foi construído para remover obstáculos, ampliar oportunidades e dar condições para que milhões de empreendedores possam crescer, contratar e prosperar”, disse.
A proposta foi elaborada em conjunto com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Agora, o texto começa a tramitar no Congresso e ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor.
Simples Nacional
Criado em 2006, o Simples Nacional tem por objetivo de estimular as pequenas empresas. O regime especial consiste na unificação de alguns tributos com alíquota mais favoráveis para o empreendedor.
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023, não alterou os limites de enquadramento das empresas do Simples e do MEI.
Atualmente, podem aderir ao Simples:
microempreendedor individual que fatura até R$ 81 mil por ano;
transportador autônomo de cargas que fatura até R$ 251,6 mil por ano;
microempresas com até R$ 360 mil por ano; e
empresas de pequeno porte com até R$ 4,8 milhões anuais.
De acordo com estimativas da Receita Federal, o governo vai deixar de arrecadar R$ 136 bilhões em 2026 com o Simples Nacional.
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