Política
Lula fala com 14 chefes de Estado em meio à incerteza internacional com Venezuela, Gaza e Groelândia
Em conversa com Trump, Lula propõe que ‘Conselho da Paz’ se limite à Faixa de Gaza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o ano de 2026 em diálogo com diferentes chefes de Estado sobre a política internacional, instável em meio a tensões na Venezuela, na Faixa de Gaza, na Groelândia, além de ameaças tarifárias. Lula conversou com 14 líderes.
As conversas ocorrem em um momento de instabilidade no cenário geopolítico, marcado por conflitos regionais, disputas comerciais e incertezas sobre os rumos da organização dos países.
Veja com quais líderes Lula conversou:
08/01 – Gustavo Petro (Colômbia)
08/01 – Mark Carney (Canadá)
08/01 – Claudia Sheinbaum (México)
09/01 – Pedro Sanchez (Espanha)
13/01 – Luís Montenegro (Portugal)
14/01 – Vladimir Putin (Rússia)
15/01 – José Raul Mulino (Panamá)
21/01 – Recep Tayyip Erdoğan (Turquia)
22/01 – Narendra Modi (Índia)
22/01 – Mahmoud Abbas (Autoridade Nacional Palestina)
22/01 – Xi Jinping (China)
26/01 – Donald Trump (EUA)
27/01 – Emmanuel Macron (França)
27/01- Gabriel Boric (Chile)
Entre os principais temas tratados nas conversas estiveram:
o acordo entre Mercosul e União Europeia;
a proposta de criação de um Conselho da Paz apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump;
e a situação de tensão política na Venezuela.
Além disso, Lula também se encontrou com José Kast, presidente eleito do Chile, durante participação em um evento econômico no Panamá.
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Evelyn Hockstein/Reuters
O governo brasileiro tem buscado defender o multilateralismo e ampliar o protagonismo do país em debates sobre paz, segurança e comércio internacional.
O Brasil já foi apontado por líderes europeus como um país capaz de manter a estabilidade na América Latina.
Lula tem buscado defender a manutenção da soberania dos países e o respeito ao direito internacional em meio às ameaças de caráter territorial e tarifário de Trump perante à Europa e ao mundo, sem, contudo, adotar um tom de confronto direto com o governo norte-americano.
Desde o anúncio do “tarifaço”, os dois presidentes mantêm diálogo, apesar das divergências de posição. Nesse contexto, durante conversa telefônica realizada nesta semana, ficou acertado um encontro entre Lula e Trump em Washington, prevista para março.
Nesse encontro, o presidente brasileiro deve reforçar a relação bilateral e o comércio entre os dois países, e a expectativa é também por um apelo a prevalência do direito internacional nas relações entre Estados.
Captura de Maduro e situação da Venezuela
A captura de Nicolás Maduro foi realizada em 3 de janeiro. A operação envolveu tropas de elite e enfrentamento direto com forças venezuelanas, mas foi concluída sem baixas norte‑americanas.
Maduro e sua esposa foram levados a um navio militar e, posteriormente, aos EUA, onde enfrentam acusações. Já no país, passaram por audiência e se declararam inocentes.
Com a destituição do presidente, Delcy Rodríguez assumiu como líder do país. A crise gerou forte repercussão internacional.
Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela e afirmou que a ação militar ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países.
Conselho da Paz de Trump
Trump lançou o chamado Conselho da Paz durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. A iniciativa foi apresentada como um organismo internacional dedicado à resolução de conflitos e à reconstrução de regiões afetadas por guerras, começando pela Faixa de Gaza.
Porém, a proposta rapidamente gerou forte preocupação internacional pela semelhança com uma “ONU paralela” e pela concentração de poderes nas mãos do próprio Trump.
A estrutura do novo conselho prevê um mandato vitalício para Trump, que acumulará o cargo de presidente da organização e terá autoridade para convidar ou remover países, exceto em caso de veto de dois terços dos Estados-membros.
💰 A carta constitutiva determina ainda que nações interessadas em assentos permanentes devem pagar US$ 1 bilhão, valor administrado pela Casa Branca — algo que críticos classificam como uma forma de “paz mercantilizada” e altamente dependente dos interesses do governo norte‑americano.
Cerca de 60 líderes foram convidados para integrar o conselho, embora vários países europeus tenham rejeitado a participação, alegando falta de clareza e risco de enfraquecimento do sistema multilateral.
🌍 O estatuto também confere ao Conselho da Paz um alcance global, permitindo intervenção em qualquer conflito que os EUA entendam como relevante, não apenas em Gaza.
Lula discutiu o convite que recebeu para participar do órgão com Trump em uma ligação recente, propondo que o conselho seja limitado a questões humanitárias na Faixa de Gaza e que inclua um assento para a Palestina.
Anexação da Groelândia
A disputa em torno da Groenlândia ganhou contornos de crise internacional após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificar publicamente sua intenção de anexar o território autônomo da Dinamarca.
Trump afirmou que a ilha é indispensável para a segurança nacional americana, chegando a ameaçar tarifas contra países que se opusessem a seus planos.
“Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”, declarou o presidente, vinculando o interesse geopolítico ao desenvolvimento do Domo de Ouro, um sistema antimíssil planejado pelos EUA.
A escalada de tensões se intensificou quando Trump acusou a Dinamarca de falhar na proteção da ilha contra suposta influência russa, argumentando que apenas os EUA poderiam assegurar a estabilidade na região.
O presidente também afirmou que países europeus que resistissem à anexação poderiam ser alvos de retaliações comerciais, o que provocou forte reação da União Europeia.
Em resposta às falas de Trump diversas nações do bloco — Alemanha, França, Suécia, Noruega, Finlândia e Holanda — enviaram tropas em caráter simbólico à Groenlândia, numa demonstração internacional de oposição às pretensões americanas.
🔎 O interesse americano na Groenlândia está ligado a fatores estratégicos: a ilha possui grandes reservas de terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica, além de sua localização crucial no Ártico — região cada vez mais acessível devido ao derretimento das calotas polares.
🔎 O controle do território permitiria aos EUA expandir sua influência militar e econômica no norte do globo, especialmente em um cenário de competição direta com China e Rússia.
Ao mesmo tempo, o governo Trump afirmou que negocia com a Dinamarca e com a OTAN formas de ampliar a presença militar americana na ilha, mas negou que a anexação seria feita exclusivamente pela força.
Segundo Trump, os EUA discutem “acesso total” ao território e possíveis cessões de parcelas estratégicas da ilha para bases militares.
Enquanto a crise evolui, analistas veem o movimento como parte de um padrão mais amplo da política externa de Trump: uso de pressão econômica, retórica agressiva e exploração de divisões internas na Europa para impor objetivos estratégicos americanos.
Política
Câmara pode votar nesta terça PL da Misoginia, que equipara crime ao racismo e prevê penas maiores; entenda
A Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (30) o chamado PL da Misoginia. O projeto projeto de lei equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres.
Combate à misoginia: 36 projetos sobre o tema tramitam na Câmara dos Deputados
Aprovado por unanimidade no Senado Federal em março deste ano, o projeto foi incluído na pauta da Câmara desta terça.
🔎Apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em 2023, o projeto altera a Lei do Racismo e o Código Penal. Se o PL for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República, a misoginia passará a ser equiparada ao racismo, com previsão de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A proposta agrava a punição quando a vítima for criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência, ou quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O crime também passa a ser inafiançável e imprescritível. Na prática, isso significa que não cabe fiança e que o delito não deixa de ser punido com o passar do tempo.
Oposição vê ‘censura’, relatora defende projeto
O texto causa divergência entre parlamentares da oposição e divide opiniões nas redes sociais. A redação aprovada pelos senadores não agrada às bancadas mais conservadoras da Câmara, que vêem na proposta uma ameaça à liberdade religiosa.
Logo após o resultado no Senado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o projeto como uma “aberração” em uma rede social.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também se pronunciou. Em uma rede social, afirmou que o projeto de lei se trata de uma “tentativa de censura, de autoritarismo, para interferir nas relações humanas e na liberdade de expressão”.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) fez críticas ao texto aprovado pelo Senado.
Mario Agra /Câmara dos Deputados
Relatora da proposta na Câmara, a deputada Tábata Amaral (PSB-SP) apresentou alterações ao texto aprovado pelo Senado e redefiniu o conceito de misoginia. No novo substitutivo, a redação define o crime como a indução ou incitação “à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher”.
Na primeira versão da proposta, o termo jurídico era caracterizado como “ódio” ou “aversão” às mulheres.
O texto também inclui a misoginia no artigo que trata dos crimes de “praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Nesses casos, a pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.
Deputada Tábata Amaral (PSB-SP)
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Em reunião de líderes da Câmara neste mês, a relatora defendeu a importância do projeto ao mencionar a morte de uma jovem no interior de São Paulo durante um salto de rope jump. O Ministério Público paulista pediu a abertura de investigação sobre os ataques misóginos envolvendo o caso.
“Acho que esse caso reforça ainda mais a urgência desse projeto. Mostra o quanto é importante traçarmos uma linha sobre o que é, ou não, tolerável em uma sociedade que se propõe a proteger as mulheres”, disse Tábata.
Ambiente digital
A proposta que será analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados busca penalizar de forma mais severa crimes praticados no ambiente digital, onde a violência contra a mulher tem aumentado.
O texto prevê a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais utilizados para o cometimento do crime, além da suspensão temporária de contas ou perfis em aplicações de internet administradas, direta ou indiretamente pelo usuário infrator.
Além disso, a pena poderá ser aumentada nos casos em que o crime for cometido com o objetivo de obter vantagem econômica, direta ou indireta, inclusive por meio do aumento de audiência, engajamento, alcance ou visibilidade em meios de comunicação ou plataformas digitais.
A proposta também torna mais graves os crimes de misoginia praticados por agentes que detenham expressiva audiência, engajamento, alcance ou visibilidade no ambiente virtual.
Política
Presidenciáveis celebram vitória do Brasil; Flávio Bolsonaro usa número de Martinelli e Lula posa com Janja
Depois de uma partida tensa contra o Japão nesta segunda-feira (29), o Brasil garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O placar final foi de 2 a 1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli – esse último aos 49 minutos do segundo tempo.
O torneio mundial tem sido abordado pelos pré-candidatos à Presidência, e desta vez não foi diferente.
Lula posta fotos nas redes sociais para comemorar vitória do Brasil, enquanto Flávio fez um vídeo em referência ao número ’22’ de Martinelli
Reprodução/Instagram
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma referência ao número da camisa de Martinelli: 22, que é também o número do Partido Liberal nas urnas. “Não queria falar nada, mas o 22 salvou o Brasil”, disse Flávio em um vídeo curto publicado nas redes sociais.
Irmão de Flávio, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou uma montagem do jogador ao lado do candidato que diz o seguinte: “o 22 que salvou a seleção brasileira” e “o 22 que salvará o Brasil”. Eduardo esteve no estádio, em Houston (EUA), para acompanhar o jogo.
Já o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, postou algumas fotos com os braços para cima, comemorando o resultado da partida. Lula foi registrado com a primeira-dama Janja, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Nas fotos, Lula usa a jaqueta amarela do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Brasil vence o Japão e está nas oitavas: veja os gols do jogo no Jornal Hoje
“Vamos com tudo, Brasil!!! Muita emoção. Parabéns à seleção pela garra e pela vitória. O Brasil inteiro está na torcida. Rumo às oitavas!”, escreveu o presidente nas redes sociais.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo Novo, publicou uma montagem de duas ilustrações de comida com a seguinte frase: “churrasco é sempre melhor que sushi”. “Deu a lógica”, escreveu na legenda da postagem.
Renan Santos, presidenciável do Missão, por sua vez, publicou stories em um carro comentando o resultado. “Se o Brasil pegar a Noruega e amassar a Noruega, o Brasil vira um dos favoritos da Copa. E olha que não era”, analisou.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, não abordou o jogo nas suas redes sociais.
O Brasil volta a campo no domingo, dia 5 de julho, a partir das 17h, no horário de Brasília. A disputa será contra Noruega ou Costa do Marfim, a depender do resultado da partida nesta terça-feira (30).
Política
Datafolha divulga a partir de domingo (5) pesquisa presidencial com eleitores de SP e intenções de voto para governo do estado e Senado
Pesquisa Datafolha divulgada inclurá cenários de 2º turno entre Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
Reprodução
O Datafolha realiza nesta semana uma pesquisa com as intenções de voto dos eleitores do estado de São Paulo para a disputa presidencial.
Segundo as informações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa pode ser divulgada a partir do próximo domingo (5) e trará também os números da eleição para o governo de São Paulo e para o Senado.
O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e ouvirá 1.608 pessoas entre quarta (1º) e sexta-feira (3). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a eleição presidencial, o Datafolha traz um cenário com 13 pré-candidatos no 1º turno. Veja a lista:
Flávio Bolsonaro (PL)
Lula (PT)
Romeu Zema (Novo)
Ronaldo Caiado (PSD)
Renan Santos (Missão)
Joaquim Barbosa (DC)
Augusto Cury (Avante)
Cabo Daciolo (Mobiliza)
Hertz Dias (PSTU)
Rui Costa Pimenta (PCO)
Samara Martins (UP)
Aécio Neves (PSDB)
Edmilson Costa (PCB)
Serão três cenários de 2º turno:
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula x Ronaldo Caiado
Lula x Romeu Zema
Agora no g1
Pesquisa com eleitorado nacional
Em junho, quando ouviu eleitores de todo o país, Datafolha mostrou que Lula (PT) tinha 41% das intenções de voto no cenário de 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somava 31%.
No 2º turno, Lula aparecia com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, repetindo o cenário captado na pesquisa de maio.
Avaliação de Lula e Tarcísio em SP
O Datafolha vai mostrar também como estão as avaliações do presidente Lula e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os eleitores de São Paulo.
O instituto questionará também se o eleitor leva em conta o apoio de Lula ou do ex-presidente Jair Bolsonaro para votar em um candidato a governador.
O questionário enviado ao TSE traz ainda uma pergunta sobre qual é o principal problema de São Paulo. Saúde, educação e violência estão entre os temas apresentados aos eleitores.
Eleição para governador
O Datafolha incluiu os nomes de cinco pré-candidatos no cenário de 1º turno da eleição estadual e vai testar também os índices de rejeição de cada um.
Quem são eles:
Carlos Machado (PCB);
Fernando Haddad (PT);
Tarcísio de Freitas (Republicanos);
Vera Lúcia (PSTU);
Vivian Mendes (UP).
Em março, o instituto mostrou que Tarcísio liderava os cenários de 1º e 2º turno. Na simulação de 2º turno, o governador venceria por Haddad 52% a 37%.
Nesse cenário, 10% disseram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 1% afirmou não saber em quem votaria.
O mesmo cenário de 2º turno será testado agora, com Tarcísio e Haddad na disputa.
Voto para Senado
O Datafolha vai apresentar seis nomes de pré-candidatos ao Senado aos entrevistados para medir as intenções de voto. Os nomes:
André do Prado (PL);
Guilherme Derrite (PP);
Marina Silva (Rede);
Paulinho da Força (Solidariedade);
Ricardo Salles (NOVO);
Simone Tebet (PSB).
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