Economia
Trump indica Kevin Warsh para comandar o banco central dos EUA
Kevin Warsh
REUTERS/Brendan McDermid/Foto de Arquivo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado.
“Tenho o prazer de anunciar que estou nomeando Kevin Warsh para ser o presidente do Conselho de Governadores do Sistema Federal Reserve”, escreveu Trump em publicação nas redes sociais.
O anúncio da indicação de Warsh deve pôr fim à incerteza sobre o sucessor de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Desde o início do segundo mandato de Trump, os dois entraram em conflito por causa dos juros: Powell manteve as taxas altas para controlar a inflação, enquanto o presidente defende cortes mais rápidos para estimular a economia.
Neste mês, o presidente dos EUA intensificou a pressão sobre o Fed ao ameaçar indiciar o presidente da instituição por declarações feitas ao Congresso sobre um projeto de reforma de um edifício.
Segundo o presidente, Warsh atualmente é pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover e professor na Escola de Negócios da Universidade de Stanford, além de sócio da gestora Duquesne Family Office, ao lado do investidor Stanley Druckenmiller.
Trump destacou a trajetória acadêmica e profissional do indicado. Warsh é formado pela Universidade de Stanford e em direito pela Universidade Harvard, e já atuou no setor financeiro, tendo ocupado cargos no banco Morgan Stanley antes de ingressar no governo.
O presidente também ressaltou a experiência de Warsh no comando da política monetária. Ele foi o mais jovem governador do Fed da história, assumindo o cargo aos 35 anos, e integrou o conselho da instituição entre 2006 e 2011. Durante esse período, representou o banco central americano no G20 e atuou como emissário para economias emergentes e avançadas na Ásia.
Trump afirmou ainda que Warsh teve papel relevante em reformas na política monetária do Reino Unido, ao elaborar um relatório independente para o Banco da Inglaterra cujas recomendações foram adotadas pelo Parlamento britânico.
“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump. “Ele nunca vai decepcionar”, acrescentou.
Antes de atuar no Federal Reserve, Warsh foi assessor especial do presidente para política econômica e secretário executivo do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca entre 2002 e 2006.
A indicação ocorre em meio a críticas públicas de Trump à atual condução da política monetária e deve passar ainda pelo processo de confirmação no Senado dos Estados Unidos. A escolha do novo presidente do Fed é considerada estratégica, pois influencia diretamente os juros, a inflação e o ritmo da economia americana, com impacto sobre os mercados globais.
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Nome não é surpresa
O nome do economista já vinha sendo citado como possível indicado ao comando do Federal Reserve antes do anúncio oficial. O portal de notícias Bloomberg adiantou que Warsh despontava como principal escolha do presidente dos Estados Unidos.
Segundo Trump, a indicação não representaria “uma grande surpresa” para os mercados. “Muita gente acha que é alguém que poderia ter ocupado esse cargo há alguns anos. Será alguém muito respeitado, conhecido por todos no mundo financeiro”, afirmou o presidente.
À agência de notícias Reuters, duas fontes familiarizadas com as discussões disseram que Warsh se reuniu com Trump na Casa Branca na quinta-feira e que o ex-governador do Fed teria causado boa impressão no presidente.
As fontes ressaltaram, no entanto, que nenhuma decisão estaria formalmente tomada até o anúncio oficial – que aconteceu nesta sexta-feira (30). A possibilidade de Warsh assumir o comando do Fed provocou forte reação no mercado financeiro, ainda segundo a Reuters.
Na madrugada, o índice mais amplo da MSCI para ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu até 1,3%, registrando a maior queda diária no último mês. Em Hong Kong, o índice de empresas chinesas recuou 2,1%, enquanto o Nikkei 225, no Japão, caiu 0,1%.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 recuaram 0,4% e os do Nasdaq caíram 0,5%. O índice do dólar subiu 0,3%, para 96,481, revertendo uma recente fraqueza. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos avançou 4,0 pontos-base, para 4,265%.
Já no mercado de apostas Polymarket, a probabilidade implícita de Warsh ser escolhido por Trump para liderar o Fed saltou de 35% para 92%. Plataformas como Polymarket e Kalshi chegaram a atribuir chances superiores a 80% ao nome do ex-governador.
Warsh, que já integrou o Conselho de Governadores do Fed, é visto como um defensor de taxas de juros mais baixas, mas também como uma opção menos radical entre os nomes cogitados. Ele defende um balanço patrimonial menor para o Fed, o que o tornaria mais cauteloso em relação a estímulos monetários agressivos.
A possível nomeação de Warsh ocorre em meio a um cenário de volatilidade nos mercados globais. O ouro caiu 3,7%, a prata despencou 6%, o petróleo Brent recuou 1,4% e o Bitcoin caiu 2,7%. Investidores avaliam como uma mudança no comando do Fed poderia alterar a política monetária americana, especialmente em um momento de pressões políticas e incertezas econômicas.
Ainda de acordo com a Reuters, além de Warsh, outros nomes chegaram a ser considerados por Trump. Rick Rieder, da BlackRock, foi visto até recentemente como favorito, enquanto o atual governador do Fed Christopher Waller e o conselheiro econômico da Casa Branca Kevin Hassett também figuraram na lista. No entanto, na quinta-feira, Warsh emergiu como o principal candidato
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A relação de Trump com o Fed
Trump vem pressionando publicamente o Fed a reduzir drasticamente os juros. O banco central, que cortou as taxas três vezes em 2025, manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% após sua última reunião, nesta quarta-feira (28).
Após o anúncio, o republicano afirmou que o presidente do Fed, Jerome Powell, não tinha nenhum motivo para manter os juros americanos “tão elevados”, reiterando que o banqueiro central é um “idiota” e está “prejudicando o país e a segurança nacional”.
“Ele está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessários e injustificadas”, afirmou o republicano, reiterando que as taxas americanas deveriam ser as “menores do mundo” devido à “vasta quantia de dinheiro” que entra no país por conta das tarifas alfandegárias.
O presidente afirma que o nível deveria ser dois a três pontos percentuais menor, apesar de a economia americana ter crescido a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre, segundo dados do Departamento de Comércio.
Powell tem mandato como membro do Conselho de Governadores até 2028, e o presidente tenta manter influência sobre o banco central, cuja independência é considerada fundamental para o controle da inflação. O governo também abriu uma investigação criminal contra Powell por estouros de orçamento em reformas na sede do Fed, medida que o próprio Powell classificou como um “pretexto” para pressioná-lo.
*Com informações da Reuters
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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