Economia
Ibovespa em disparada: o bonde já passou ou ainda é hora de investir na bolsa?
Painel eletrônico mostra as flutuações de ações na B3, em 28 de outubro de 2021
REUTERS/Amanda Perobelli
Depois de uma alta expressiva em 2025, o Ibovespa abriu o ano novo sem tirar o pé do acelerador. Nesta sexta-feira (30), o principal índice da bolsa fechou aos 181.364 pontos, acumulando valorização superior a 12% no mês e registrando o melhor resultado para janeiro em 20 anos, segundo a B3.
Embalado pela expectativa de cortes de juros no Brasil e no exterior, e pela retomada da entrada de capital estrangeiro na bolsa, o índice já acumula oito recordes de fechamento neste ano e alta de 43% em 12 meses.
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Na prática, quem investiu em produtos ligados ao Ibovespa no último ano teve motivos para comemorar. A valorização do índice superou, de longe, o CDI, taxa referência de mercado e que acompanha a Selic — que atualmente está em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.
Mas, apesar de atrair potenciais novos investidores, o cenário também gera dúvidas para quem quer aproveitar o bom momento da bolsa: quando os ganhos com ações ficam elevados, o mercado costuma registrar uma realização de lucros (conhecida como “take profit”).
🔎 Esse movimento ocorre quando investidores que compraram ações na baixa decidem vender para converter o ganho em dinheiro. Quando muitos investidores fazem o mesmo, o preço dessas ações tende a recuar.
Nesse cenário, considerando que a rentabilidade da renda fixa continua atrativa, ainda vale a pena investir na bolsa e aproveitar o boom das ações? Ou o bonde já passou e quem ganhou, ganhou?
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Para especialistas ouvidos pelo g1 ainda há espaço para investir em ações e aproveitar o bom momento do mercado brasileiro.
Pela análise, empresas de alguns setores podem se beneficiar bastante nos próximos meses, com a expectativa de corte da Selic já na próxima reunião do Copom, em março. Segundo a projeção dos analistas de mercado, a taxa deve cair a 12,25% ao ano até o fim de 2026.
Entenda ponto a ponto abaixo.
Ainda vale investir na bolsa?
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, ainda pode ser vantajoso investir na bolsa mesmo após uma alta tão forte do índice. Segundo ela, a realização de lucros é natural e também pode criar novas oportunidades de entrada.
“Não é porque o Ibovespa subiu muito que todos os papéis também se valorizaram da mesma forma. Por isso, a seletividade nas ações continua sendo importante”, afirma.
📈 O Ibovespa é o principal índice da bolsa e reúne as ações mais negociadas. Quando várias empresas se valorizam, o índice sobe, e quando caem, ele recua. Algumas companhias, como Petrobras, Vale e Itaú, têm maior peso e influenciam mais fortemente o resultado.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, ressalta que as condições estão favoráveis à economia brasileira, com expectativa de que o país volte a crescer em ritmo semelhante ao projetado para 2025 — quando o mercado estima que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha avançado 2,26%. Isso tende a beneficiar empresas listadas no índice.
Embora o Brasil ainda enfrente uma taxa de juros elevada, o corte previsto para março, considerado tardio por Galhardo, deve beneficiar empresas mais afetadas por uma Selic alta.
“Com esse ciclo de redução dos juros, as companhias podem registrar ganhos — o que, por sua vez, tende a valorizar suas ações, especialmente no comércio e na indústria, setores mais afetados pela alta da taxa de juros”, afirma.
Quais setores têm maior potencial de ganho?
Gabriela Barssottini, CFP e assessora de investimentos da Knox Capital, lembra que, no último ano, as empresas que mais se destacaram foram da construção civil, do setor de tecidos, vestuário e calçados, além de intermediários financeiros.
O setor bancário também teve forte desempenho: as ações do Itaú subiram cerca de 70% em 12 meses, as do Bradesco avançaram mais de 80% e as do BTG Pactual, mais de 90%. O Santander cresceu 50%, enquanto o Banco do Brasil recuou cerca de 5%.
“Os bancos estão entre os setores com maior potencial para 2026, beneficiados pela margem de lucro nas operações de crédito, pela expansão do crédito e pela queda futura da taxa de juros”, afirma Barssottini.
Além da expectativa de um ciclo de cortes na Selic, André Galhardo, da Análise Econômica, ressalta a força da economia dos Estados Unidos e, especialmente, da China — fator que beneficia as exportações de commodities.
“O Banco Popular da China promete, em 2026, continuar oferecendo instrumentos para que a economia cresça no ritmo desejado pelo Partido Comunista Chinês. Isso beneficia, por exemplo, as empresas mineradoras”, diz Galhardo.
A Vale acompanhou o bom momento do setor no último ano. Os papéis da mineradora, com um dos maiores pesos no Ibovespa, subiram mais de 70% em 12 meses. Esse movimento também pode beneficiar a Petrobras.
🔎 A lógica é que, com grandes potências econômicas aquecidas e maior consumo, a demanda por commodities aumente, elevando seus preços. Isso beneficia empresas exportadoras brasileiras, valoriza seus papéis e atrai investidores, impulsionando a bolsa.
Mas e a renda fixa?
Os investimentos em renda fixa acompanham ou são influenciados pela Selic. A projeção de Antônio Sanches, analista de research da Rico, é de um corte de 0,5 ponto percentual nos juros em março, seguido de mais quatro cortes consecutivos da mesma magnitude, o que levaria a taxa a 12,50% no segundo semestre.
Ele destaca que, mesmo com a redução, os investimentos em renda fixa devem continuar em nível elevado, considerando o risco relativamente baixo para o investidor.
“Com isso, a renda fixa continua bastante atrativa, assim como os títulos pós-fixados, especialmente para objetivos de curto prazo ou para investidores conservadores que buscam previsibilidade na rentabilidade”, diz.
Os principais investimentos em renda fixa são:
Tesouro Direto: inclui Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+. É um empréstimo ao governo federal, com remuneração ligada à Selic, a uma taxa fixa ou à inflação. Costuma ser considerado o investimento mais seguro do país.
Títulos bancários: incluem CDB, LCI, LCA e LC. São empréstimos a bancos, que pagam juros ao investidor. Muitos contam com proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
Crédito privado (títulos de empresas): inclui debêntures, CRI e CRA. São empréstimos a empresas ou a setores específicos, como imobiliário e agronegócio. Em geral, oferecem maior rentabilidade, mas com mais risco.
Fundos de renda fixa: reúnem diversos títulos de renda fixa em uma carteira gerida por um profissional, facilitando a diversificação e o acesso a diferentes ativos.
Sanches afirma que é importante que o investidor diversifique a carteira, para não concentrar um percentual muito grande em um único emissor ou até mesmo em um único setor da economia.
“Isso ajuda a evitar eventuais estresses de crédito no mercado, especialmente em um cenário de juros elevados por um período prolongado”, diz.
ENTENDA O OTIMISMO DA BOLSA E O QUE ESPERAR PARA 2026:
Relembre o que fez a bolsa disparar em 2025
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o bom desempenho da bolsa brasileira no ano refletiu, sobretudo, os seguintes fatores:
Cortes de juros nos EUA, com expectativa de novas reduções em 2026;
Realocação de investimentos em meio a incertezas sobre as contas públicas e a política econômica de Donald Trump nos EUA, o que favoreceu ativos brasileiros;
Expectativa de cortes de juros no Brasil, com o mercado de olho em 2026;
Maior resiliência do Brasil nas tensões comerciais com os EUA, reduzindo impactos sobre empresas exportadoras;
Ações de empresas brasileiras ainda negociadas abaixo dos níveis pré-pandemia, o que atraiu investidores;
Expectativa de mudanças no cenário político, em especial na condução das contas públicas, com a proximidade das eleições de 2026.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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