Economia
Paramount sobe oferta para adquirir a Warner Bros, em nova ofensiva contra proposta da Netflix
Logo da Warner Bros.
Eric Gaillard/Reuters
A Paramount Skydance anunciou nesta terça-feira (10) uma revisão estratégica em sua proposta para adquirir a Warner Bros. Discovery, que atualmente está em negociações com a Netflix.
Além de oferecer US$ 30 por cada ação, em dinheiro, a companhia de mídia prometeu pagar uma taxa extra de US$ 0,25 por ação a cada três meses em caso de atraso na conclusão da operação após dezembro de 2026.
Também se comprometeu a pagar a multa de US$ 2,8 bilhões caso a Warner precise cancelar o contrato com a Netflix.
A Paramount disse ainda que já avançou nas autorizações necessárias do governo, tanto nos Estados Unidos quanto na Alemanha, para que o negócio possa sair do papel.
Segundo a empresa, a nova proposta é mais previsível do que o acordo com a Netflix, porque o valor final da negociação com a plataforma de streaming pode variar dependendo da situação financeira da Warner no momento da separação das empresas.
No comunicado, a Paramount pediu que o conselho e os acionistas da Warner Bros. Discovery rejeitem o acordo com a Netflix, afirmando que isso deixaria o grupo mais forte para competir com outros grandes nomes do streaming.
Paramount processa Warner Bros
No mês passado, a Paramount entrou com uma ação judicial contra a Warner Bros Discovery para obter mais informações sobre o acordo de US$ 82,7 bilhões (R$ 444, 6 bilhões) da empresa com a Netflix, intensificando a disputa pelo controle de um dos estúdios mais emblemáticos de Hollywood.
A companhia afirmou ainda que pretende indicar diretores para o conselho da Warner Bros Discovery, em uma das iniciativas mais agressivas para convencer os acionistas de que sua oferta hostil é superior à proposta concorrente de US$ 27,75 (R$ 149,18) por ação, composta por dinheiro e ações da Netflix.
Paramount e Netflix disputam o controle da Warner Bros, que reúne valiosos estúdios de cinema e televisão e uma extensa biblioteca de conteúdo, incluindo a franquia Harry Potter e o universo de personagens da DC Comics, como Superman e Batman.
Em carta aos investidores, a Paramount informou que pretende propor uma emenda ao estatuto da Warner Bros que passará a exigir aprovação dos acionistas para qualquer separação dos negócios de TV a cabo da empresa — ponto considerado central no acordo com a Netflix.
Disputa pela Warner
Tanto a Netflix quanto a Paramount cobiçam a Warner Bros. por seus estúdios de cinema e televisão, além de seu extenso catálogo de conteúdo e franquias como “Game of Thrones”, “Harry Potter” e os super-heróis da DC Comics.
A Paramount mantém a “oferta hostil” de US$ 77,9 bilhões pela Warner Bros. como um todo, incluindo os canais a cabo. Além disso, no início de janeiro, a empresa anunciou a intenção de iniciar uma disputa por procuração com o objetivo de eleger representantes para o conselho da companhia.
A Warner Bros., no entanto, rejeitou a proposta apresentada pela Paramount, liderada por David Ellison, que revisou os termos da oferta e intensificou sua estratégia para convencer os acionistas de que a transação seria mais vantajosa.
Segundo a Warner, um dos fatores que favoreceram o acordo com a Netflix foi a possibilidade de os acionistas manterem participação na parte da empresa que não seria adquirida pelo serviço de streaming, preservando assim o acesso a eventuais resultados futuros desse negócio.
👉 Agora, a nova estrutura do acordo elimina o chamado “collar knock-in”, mecanismo usado em operações com pagamento em ações para limitar o impacto de variações no preço dos papéis da empresa compradora entre o anúncio do negócio e sua conclusão. Com o pagamento integral em dinheiro, esse tipo de proteção deixa de ser necessário.
Neste mês, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação para apurar se a Netflix adotou práticas anticompetitivas ao tentar comprar a Warner Bros. Discovery. O objetivo é avaliar se a fusão pode aumentar demais o poder da Netflix no mercado de streaming e reduzir a concorrência, criando risco de monopólio.
Segundo o Wall Street Journal, o órgão enviou intimações a empresas do setor para obter informações sobre a atuação da Netflix, seus contratos e os possíveis impactos da operação sobre a concorrência e sobre a disputa por talentos criativos.
Em janeiro, a Netflix mudou sua proposta e passou a oferecer US$ 82,7 bilhões em dinheiro para comprar a Warner, pagando US$ 27,75 por ação. A nova estrutura eliminou o pagamento em ações da Netflix e buscou dificultar a entrada de concorrentes, como a Paramount, que também tentou negociar com a Warner.
A Netflix afirma que a análise do governo faz parte do processo normal de revisão e nega que haja uma investigação específica por monopólio. A conclusão do negócio ainda depende de autorizações regulatórias, aprovação dos acionistas e da separação da unidade Discovery Global.
*Reportagem em atualização
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
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O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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