Economia
Reforma tributária: imunidade para livros deve ser mantida, diz secretário da Fazenda
Secretário Bernard Appy participou de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara. Pelas regras atuais, não incidem tributos sobre os livros. O economista Bernard Appy, autor do texto da reforma tributária
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
O secretário extraordinário do Ministério da Fazenda para a reforma tributária, Bernard Appy, afirmou nesta quarta-feira (14) que a reforma tributária sobre o consumo, em discussão no Congresso Nacional, não deve acabar com a imunidade de impostos para a compra de livros pela população.
“Não está se mexendo, que eu saiba, na imunidade dos livros […] Que eu saiba, está contemplada a imunidade dos livros”, declarou o secretário Appy, do Ministério da Fazenda, durante audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados.
Pelas regras atuais, não incidem tributos sobre os livros porque as obras são protegidas dessa cobrança pela Constituição Federal. No caso das contribuições, como o Pis/Pasep e o Cofins, há proteção pela Lei 10.865, aprovada em 2004, que isenta tributação sobre vendas e importações.
Em 2020, na última tentativa de se fazer uma reforma tributária, ainda na gestão do presidente Jair Bolsonaro, essa isenção de contribuição deixa de existir. E as vendas de livros no Brasil estariam sujeitas à alíquota prevista, naquele momento, de 12%. Consequentemente, o valor das obras para o consumidor final se tornaria mais alto.
Por conta disso, uma campanha em defesa dos livros no Brasil movimentou as redes sociais naquele ano. A Câmara Brasileira do Livro, o Sindicato Nacional dos Editores de Livro e a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares chegaram a publicar um “manifesto em defesa do livro”.
O secretário Bernard Appy lembrou, entretanto, que o governo não é o autor das propostas de reforma tributária que estão sendo debatidas pelo Congresso Nacional e que apenas apoia a mudança no formato da cobrança dos tributos sobre o consumo no Brasil.
O relator da reforma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deve apresentar seu substitutivo na próxima semana.
Questionado por deputados se haverá aumento na tributação do setor cultural com a reforma tributária e se deveria haver uma alíquota menor para essas atividades, Appy disse que é preciso verificar se faz sentido esse tipo de benefício.
“Às vezes vou ver show de artistas internacionais que cobram um caminhão de dinheiro, como estamos vendo agora recentemente. Faz sentido tributar menos isso do que comida, por exemplo?”, questionou.
Guilherme Mercês, diretor de Economia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que também participou da audiência pública na Câmara dos Deputados, avaliou, porém, que a cultura deve ter aumento de carga tributária por ser parte do setor de serviços.
“Um dos pontos diz respeito aos serviços, com adoção de uma alíquota de 25% [uma das maiores do mundo, estimada com a reforma], pode significar um aumento significativo de carga. Ou o preço aumenta ou, quando as empresas não conseguirem repassar esse preço, pode ocasionar a inviabilidade desses projetos”, declarou Mercês.
Ele observou, também, que há muitos incentivos estaduais, à cultura concedidos por meio do ICMS, que acabariam com o fim desse tributo. Na reforma, o ICMS seria substituído por um IVA estadual e municipal.
“Com o fim desses incentivos, haveria aumento de carga para esses eventos. Vai ter um aumento de significativo de carga tributária de 70% para serviços culturais, audiovisual é um exemplo. Vale a discussão, pois as alíquotas hoje são bastante reduzidas. Alíquotas diferenciadas para o setor cultural se insere no debate do setor de serviços e deve ser tratada”, declarou ele.
Economia
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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