Economia
Inflação argentina fica em 3,5% em setembro e acumula 209% em 12 meses
Resultado mostra que o índice de preços do país voltou a desacelerar. Em agosto, taxa havia sido de 4,2%. Dados foram divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Presidente da Argentina, Javier Milei, durante evento empresarial em Buenos Aires 26 de março de 2024
Agustin Marcarian/Reuters
A inflação da Argentina ficou em 3,5% em setembro, apontou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país.
Em relação a agosto, quando a inflação ficou em 4,2%, a diferença é de 0,7 ponto percentual (p.p.) — o que mostra uma desaceleração na taxa.
Em 12 meses, o aumento dos preços chegou a 209%. O acumulado é menor do que o mês de agosto, quando era de 236,7%. Já na janela de janeiro a setembro, a taxa chegou a 101,6%.
O setor de maior alta em setembro foi o de Habitação, Água, Eletricidade, Gás e Outros Combustíveis (7,3%). Na sequência, ficaram Roupas e Calçados (6%), Educação (4,3%) e Restaurantes e Hotéis (3,7%).
A Argentina passa por um grande ajuste econômico sob o comando do presidente ultraliberal Javier Milei. O país já vinha enfrentando uma forte recessão econômica, e Milei promoveu um amplo corte de gastos públicos.
Após tomar posse, em dezembro de 2023, Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados. Foram retirados subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais.
Quando o incentivo foi retirado, houve um aumento expressivo nos preços ao consumidor. Mas, logo no primeiro trimestre deste ano, o presidente conseguiu o primeiro superávit [arrecadação maior do que gastos] desde 2008. O objetivo de Milei é alcançar o “déficit zero” para o fim de 2024.
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A inflação do país também desacelerou, dos 25,5% registrados em dezembro aos 4,2% calculados em agosto. Parte da queda no índice tem sido atribuída à diminuição de potencial de consumo entre os argentinos, além de medidas para redução de impressão de dinheiro.
Para os argentinos, no entanto, a queda nas taxas ainda não reflete uma diminuição dos preços de serviços públicos, transporte e de alimentos. E o salário mínimo de 271,5 mil pesos (US$ 278,3) não conseguiu acompanhar a inflação anual de três dígitos.
A consequência é uma intensificação da pobreza no país: são 15,7 milhões de argentinos abaixo da linha da pobreza, situação que afeta 52,9% da população, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).
Outro problema está na atividade econômica. Com o ajuste promovido pelo governo, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina recuou 5,1% no 1º trimestre em comparação com o mesmo período de 2023. No 2º trimestre, a queda foi de 1,7%, encolhimento acima do esperado por analistas.
Fim da euforia?
Conforme mostrou o g1, as medidas de Milei e os primeiros resultados das contas públicas elevaram os ânimos do mercado financeiro. Passados dez meses, no entanto, o fator longo prazo começa a preocupar quem apoiou as medidas de choque do presidente argentino.
O desconforto ficou claro em uma declaração recente do bilionário argentino Paolo Rocca, CEO da Tenaris, fornecedora mundial de tubos para perfuradoras de petróleo. Antes otimista quanto ao ritmo de mudança econômica do país, ele passou a ponderar as expectativas.
“Provavelmente estávamos todos otimistas demais ao pensar que isso [estabilização econômica] poderia ser feito em um prazo mais curto”, disse, durante uma teleconferência de resultados trimestrais.
Apesar do avanço nos resultados fiscais e do processo de compra de dólares no mercado cambial, a Argentina tem mostrado dificuldade em conseguir robustez em suas reservas internacionais — parte importante para a conquista de confiança e a atração de investimentos.
Nesse sentido, um ponto de incômodo do mercado financeiro com Milei é a ordem de prioridades do presidente argentino. A interpretação é que ele tem dado muita atenção ao controle da inflação e deixado em segundo plano ações com foco no longo prazo.
Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo, afirma que a inflação tem servido como uma âncora econômica para Milei, “mas parece que, cada vez mais, esse se torna um suporte político”.
“O governo, em termos de opinião pública, continua bem avaliado. Isso indica que há uma relação direta, amplamente reconhecida entre os analistas de opinião pública, entre a inflação e o sucesso de Javier Milei. A derrota da inflação é o grande ativo deste governo”, afirma.
Entenda, no vídeo abaixo, a variação da popularidade de Milei:
Na Argentina, popularidade de Javier Milei cai 12%
Sem alívio nas contas
Apesar da desaceleração inflacionária, os argentinos têm tido pouco alívio nas contas. O cenário é de salários ainda travados, enquanto os custos de produtos básicos dispararam e o governo cortou subsídios estatais.
“Estamos perdendo a noção do que é caro e do que é barato”, disse à Reuters o professor universitário Daniel Vazquez, enquanto fazia compras em Buenos Aires. “Os preços continuam subindo e a única coisa que não está subindo são os salários.”
Já o programador Ivan Cortesi, de 30 anos, disse que, embora os preços dos alimentos tenham permanecido semelhantes aos do mês passado, os custos dos serviços públicos dispararam.
“No mês passado, houve um aumento significativo em todos os serviços públicos”, disse.
A desvalorização do peso argentino e os cortes acentuados nos gastos — medidas promovidas no início da gestão de Milei — atingiram especialmente alguns grupos, como o de trabalhadores informais, funcionários públicos, aposentados, médicos e professores.
Analistas projetam que a inflação argentina será, novamente, de 3,5% em outubro. Para o fim de 2024, a expectativa é que o índice de preços oficial do país chegue a 124% no acumulado de 12 meses.
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Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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