Economia
Por que uma queda nas exportações para os EUA pode não deixar a carne mais barata no Brasil?
Tarifaço pode encarecer ou baratear o preço dos alimentos no Brasil?
A carne está entre os alimentos alvos da tarifa de 50% sobre as compras de produtos brasileiros pelos Estados Unidos.
➡️ Se a exportação para os EUA diminuir por causa disso, quer dizer que vai sobrar carne no Brasil e os preços vão baixar, seguindo a lei da oferta e procura? Não, dizem analistas.
Pode até acontecer uma redução por pouco tempo, mas a tendência de alta no preço da carne deverá predominar.
É que a oferta do produto no Brasil deve cair nos próximos meses, pelos seguintes motivos:
Segundo economistas entrevistados pelo g1, independente do tarifaço, já estava previsto que a indústria fosse abater menos bois neste 2º semestre, para priorizar a reprodução de fêmeas.
Com a sobretaxa nas vendas para os EUA (segundo maior mercado da carne brasileira no exterior), esse movimento será reforçado, e mais animais serão segurados no pasto.
Enquanto a oferta será menor, a procura dos brasileiros pela carne permanecerá a mesma. Assim, os preços devem seguir uma tendência de alta.
Num médio prazo, os exportadores também poderão conquistar novos mercados para o gado que ficou no pasto, substituindo os EUA por compradores de outros países.
Entenda mais sobre o preço da carne a seguir:
Como estão os preços agora?
Por que a oferta não vai crescer?
Qual é o peso dos EUA nas vendas do Brasil?
Vai ter menos carne no mundo
Como estão os preços agora?
Os preços da carne bovina no Brasil caíram 0,35% em junho, na comparação com maio, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.
Mas, na comparação com 12 meses atrás, as carnes ficaram 23,63% mais caras.
O início do tarifaço poderá até fazer o preço cair nos supermercados, para que o mercado brasileiro absorva os bois que foram abatidos visando vendas para os EUA.
Mas esse cenário não deve durar muito tempo, aponta Wagner Yanaguizawa, especialista em proteína animal do banco Rabobank.
O que são tarifas de importação? Quem paga?
Por que a oferta de carne não vai crescer?
O motivo é que, com ou sem tarifaço, o número de abates já iria diminuir nos próximos meses, reduzindo a oferta de carne e, portanto, fazendo os preços subirem.
Essa alta já era esperada: os pecuaristas se planejavam para segurar mais fêmeas para reprodução.
Isso acontece por causa do ciclo pecuário, que funciona assim:
alta do ciclo: quando há uma expectativa de subida nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abaterem as vacas, as mantêm nas fazendas para reprodução, movimento que provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc);
baixa do ciclo: quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos. O auge no abate foi em 2024 (veja no gráfico abaixo).
O tarifaço só deverá reforçar esse movimento de queda nos abates. Os frigoríficos brasileiros já pararam de produzir carne bovina destinada aos EUA, afirmou o presidente da associação dos exportadores (Abiec), Roberto Perosa, na última quarta-feira (30).
Produtores também estão mandando menos animais ao confinamento para a engorda, fase final da criação antes do abate, diz Cesar de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA.
Com menos bois sendo engordados e abatidos, a oferta interna também cai. Ou seja, a carne pode ficar ainda mais cara, segundo os especialistas.
“Nós vamos ver o (preço do) boi cair e, lá na frente, ver a carne subir mais ainda”, resume Alves.
Qual é o peso dos EUA nas vendas do Brasil?
Vale lembrar que só 20% da carne bovina produzida no Brasil é exportada: a maior parte é consumida dentro do país.
E existe uma diferença de gostos: os EUA importam, principalmente, a parte dianteira do boi, usada em hambúrgueres. Já os brasileiros preferem a traseira do boi, de onde saem cortes como a picanha e a alcatra, explica Alves (saiba mais sobre as partes do boi aqui).
Exportadores dizem que não existe um substituto imediato para os EUA. E que, com o tarifaço, o Brasil corre risco de perder US$ 1 bilhão em 2025 nesse setor.
Mas, assim como no café, não seria fácil os norte-americanos encontrarem outro fornecedor de carne como o Brasil.
Como o tarifaço de Trump impacta nas exportações de carne bovina do Brasil?
O país de Trump é um grande produtor, mas não dá conta, sozinho, da enorme demanda interna pelo alimento. Por isso, precisa importar.
A Austrália é o principal fornecedor do mercado americano, mas ela se volta mais para os cortes que vão direto para os supermercados, e não para a indústria, como o Brasil.
Por outro lado, os EUA não são os maiores compradores da carne brasileira: receberam 12% do que foi exportado neste ano.
É um volume que não se compara com o da China, para onde foi quase a metade de toda a carne que o Brasil mandou para o exterior.
Raio X: veja dados da exportação de carne bovina brasileira
Arte / g1
Para analistas, existe uma boa chance de, num médio prazo, o Brasil conseguir novos compradores para o que eventualmente deixar de ser vendido para os EUA.
Yanaguizawa, do Rabobank, acredita que seja possível redirecionar essas vendas para países como o Egito, que tem aumentado sua demanda pela proteína.
E o café e os pescados: tarifaço vai influenciar nos preços?
Suco de laranja escapa do tarifaço: ‘Casados com os americanos, para o bem e para o mal’
Vai ter menos carne no mundo
A redução no abate de bois não acontece só no Brasil. Segundo Yanaguizawa, a oferta global de carne deve cair 2%.
A queda também afeta concorrentes do Brasil, como EUA e Austrália. Em parte, isso acontece por causa de problemas sanitários, como doenças.
Apenas nos EUA, a expectativa do Itaú BBA é que aconteça uma redução de 2,3% na produção de carne em 2025 e 4,1% em 2026.
Quantidade de bois no território americano ao longo dos anos.
Arte/g1
Na Austrália, a produção deve cair 3%, e as exportações, 8%, segundo dados do Departamento de Agricultura da Austrália (Abares).
Com a concorrência também produzindo menos, deve ser mais fácil para o Brasil encontrar compradores para o seu produto.
Saiba também:
Restaurantes dos EUA pedem que carne e café sejam poupados da tarifa de Trump
Alckmin cita queda no preço dos alimentos e diz que tarifaço pode favorecer tendência
Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
-
Mato Grosso do Sul4 anos agoEXPOGRANDE SEM SHOWS DE ARTISTAS REGIONAIS. VOCÊ CONCORDA?
-
Política4 anos ago
Mercado financeiro eleva estimativa de crescimento do PIB de 2023 para 0,85%
-
Ciência e Saúde4 anos ago
Sono irregular aumenta o risco de aterosclerose e doença cardiovascular
-
Ciência e Saúde4 anos ago
A melhor hora para criar músculos é agora!
-
Economia4 anos ago
Reforma tributária: Fazenda defende ‘mínimo possível de exceções’ ao novo imposto sobre consumo
-
Economia4 anos ago
Ibovespa opera em queda, com plano de crescimento da China e âncora fiscal em foco
-
Economia4 anos ago
Centro-oeste de SP inicia semana com quase 500 vagas de emprego; veja como se candidatar
-
Política4 anos agoJoias para Michelle: fatos revelam ‘procedimento padronizado e conduta exemplar’ de auditor, diz Sindifisco


