Economia
A urina humana é uma boa alternativa ecológica aos fertilizantes químicos?
Na França, pesquisadores e investidores apostam no uso da urina como fertilizante nas plantações. A ideia é evitar que o xixi da população se acumule nas estações de tratamento de água. Cerca de 60% dos rios, lagos e riachos franceses são considerados em “péssimo estado ecológico.” Nitrato de amônio: produto é matéria-prima de fertilizantes químicos
Abisolo/Divulgação
O banheiro do restaurante Club 211, no norte de Paris, foi construído para separar os excrementos. Ou seja, urina de um lado, fezes de outro.
“É uma privada mecânica, sem água, que separa a parte líquida da sólida em coletores”, explica Fabien Gandossi, proprietário do estabelecimento.
Em vez de serem escoados pela descarga, a urina vai diretamente para um recipiente à parte e as fezes são evacuadas em uma esteira.
O sistema gera uma economia de centenas de milhares de litros de água potável, e permite a utilização das fezes como adubo.
A urina em seguida é recuperada por um caminhão, que aspira o líquido do recipiente, e é transformada em fertilizante, que será usado pelos agricultores da região parisiense, explica Gandossi.
Este é o caso da fazenda do “Trou Salé” (Buraco salgado em tradução livre), em Saclay, no sul de Paris. O agricultor Julien Thierry cultiva cereais na propriedade e aceitou testar a aplicação da urina em uma parte da sua plantação de milho.
“Normalmente usamos fertilizante químico ou mineral. A ideia é substituir esse adubo por urina. Na agricultura, sempre usamos adubos de origem animal ou estrume, o que dá na mesma, só que, neste caso, o adubo é de origem humana. Será que tem um problema de aceitação do público em geral? Não sei”, diz.
Os fertilizantes são indispensáveis ao sistema agrícola e são, na maior parte do tempo, fabricados no exterior. O processo gera a emissão de muitos gases causadores do efeito estufa, contrariamente à urina, lembra Benjamin Clouet, da empresa Ecosec, uma das pioneiras do setor.
“A urina contém 5 g/L de azoto e 2 g/L de fósforo. Esta é praticamente a mesma concentração da ureia, que é um adubo usado em toda a agricultura francesa”, explica.
Eficácia
Ele espera que, a longo prazo, a urina não seja mais considerada como um simples detrito. “Nos anos 1900, agricultores conhecidos no mundo todo recuperavam os excrementos nas fossas de Paris”, conta.
“Gostaríamos de reproduzir esse sistema, onde os agricultores viriam potencialmente com uma infraestrutura de transporte entregar verduras no centro da cidade, e, com essa mesma infraestrutura, recuperariam a urina do centro da cidade e trariam para as plantações”, diz.
No ano passado, os primeiros testes sobre a qualidade do adubo de urina, feitos pela associação Terre e Cité, tiveram resultados positivos.
“Fizemos os primeiros testes com o trigo. Chegamos a níveis de fertilização que são equivalentes aos dos fertilizantes químicos. Então sabemos que esse método funciona bem com o trigo. Agora queremos testar em culturas que predominam em Saclay, como milho e outros cereais. Mas o caminho ainda é longo.”
O risco de doenças no uso da nova tecnologia também foi descartado. De acordo com a OMS, o amoníaco utilizado na urina é tóxico para as bactérias e basta alguns meses de estocagem para que as urinas fiquem livres de eventuais micróbios.
Economia
Correção: jogos do Brasil em dias úteis
O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais três jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão dois jogos, nos dias 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
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O g1 errou ao informar que o Brasil teria mais quatro jogos em dias úteis se chegar à final da Copa do Mundo. Na verdade, serão três jogos, nos dias 29 de junho, 11 e 15 de julho. A informação foi atualizada às 18h30 do dia 29 de julho de 2026. Leia mais aqui.
Economia
Câmara dos EUA aprova projeto para proteção de crianças nas redes sociais
Jovem usa o celular
Hollie Adams/Reuters
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (29) um projeto de lei que obriga plataformas online a adotar medidas de proteção para crianças e adolescentes.
A proposta pode abrir caminho para um impasse com o Senado, onde parlamentares defendem regras mais rigorosas.
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O Congresso americano tem demonstrado interesse crescente em prevenir danos a jovens no ambiente digital, em meio à reação negativa enfrentada pelas empresas de redes sociais.
O Kids Internet and Digital Safety Act (projeto de lei de segurança na internet e no ambiente digital para crianças) recebeu 267 votos favoráveis e 117 contrários, com apoio de democratas e republicanos.
Agora no g1
O texto exige que as empresas ofereçam ferramentas para que crianças e adolescentes limitem recursos considerados viciantes e adotem políticas para protegê-los de alguns tipos de danos, incluindo a exploração sexual.
A proposta é a primeira iniciativa da Câmara para regulamentar a segurança infantil na internet desde a aprovação, pelo Senado, do Kids Online Safety Act (projeto de lei de segurança online para crianças), por 91 votos a 3, em 2024.
O projeto aprovado pelo Senado impõe às empresas de redes sociais um “dever de cuidado” (duty of care) em relação aos usuários mais jovens. A senadora republicana Marsha Blackburn vem negociando com a Casa Branca para obter apoio a um pacote legislativo que incluiria essa proposta.
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